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Após derrota, Abner Teixeira vai da revolta ao orgulho e diz viver sonho nas Olimpíadas

·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 29/06/2021 - GRAND PRIX/BOXE/RIO DE JANEIRO/RJ - Abner Teixeira (91kg). (Foto: Niyi Fote/TheNews2/Folhapress)
*ARQUIVO* RIO DE JANEIRO, RJ, 29/06/2021 - GRAND PRIX/BOXE/RIO DE JANEIRO/RJ - Abner Teixeira (91kg). (Foto: Niyi Fote/TheNews2/Folhapress)

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Logo após perder sua luta pela semifinal olímpica nesta terça-feira (3), o boxeador Abner Teixeira, 26, saiu do ringue "puto" pela derrota, segundo suas próprias palavras. Segundos depois, porém, já não conseguia esconder a alegria por participar desse estágio de uma competição nos Jogos Olímpicos.

"Foi irado", repetiu algumas vezes, com um sorriso no rosto, o brasileiro dos pesos pesados.

Abner chegou na luta contra o cubano Julio César La Cruz sabendo que tinha a medalha de bronze garantida, já que não há disputa de terceiro e quarto na modalidade. Ainda assim, tentava uma vaga na decisão em busca da prata ou do ouro.

A mudança de "puto" para feliz reflete o lema que aprendeu com um dos treinadores da seleção, Mateus Alves: não se deslumbrar tanto com a vitória, nem chorar muito com a derrota.

Para Teixeira, foi motivo de alegria chegar em uma semifinal em sua estreia nas Olimpíadas, e diante de alguém que ele viu tantas vezes pela TV.

"Foi irado. Um cara que eu assisto há muito tempo, uma referência, campeão mundial desde 2011, dividir o ringue com ele foi uma experiência incrível, muito legal. Infelizmente na parte técnica e tática deixei a desejar. Mas foi irado. Foi como se eu tivesse vivendo um sonho", declarou, falando sobre o adversário que o derrotou.

Julio César La Cruz é quatro vezes campeão mundial, campeão olímpico na Rio-2016 e do Pan-Americano de Lima, no Peru, em 2019.

Dos cinco árbitros, apenas um achou que o brasileiro que deveria avançar de fase.

"Medalhista olímpico. Não é todo dia que alguém pode dizer isso, né? Estou orgulhoso de mim mesmo, pela campanha", afirmou o boxeador.

Abner Teixeira da Silva Júnior nasceu em Osasco e, na adolescência, mudou-se com a família para Sorocaba, no interior paulista, onde conheceu o mundo do boxe, aos 13 anos.

Subiu ao ringue pela primeira vez no projeto social "Boxe - Mão para o futuro", que chegou a atender 700 crianças. Para aprender a lutar, ele percorria diariamente seis quilômetros entre sua casa e a academia.

Antes, o pugilista já havia tentado, sem sucesso, trilhar carreira em outras modalidades, como futebol e basquete.

Fã de Anderson Silva, um dos principais nomes do MMA (Artes Marciais Mistas), o paulista recebeu incentivo do ídolo às vésperas de enfrentar o cubano. Silva gravou vídeo para Teixeira e o seu técnico, Vladimir Godoi.

"Vai com a mão em cima, que a gente está na torcida e sabe que você vai trazer muitas vitórias para a gente", afirmou Silva, na mensagem que enviou para Abner.

Em Tóquio, ele derrotou o jordaniano Hussein Iashaish para avançar à semifinal. Antes, havia estreado com uma vitória por decisão dos árbitros (4 a 1) diante do britânico Clarke Cheavon.

O brasileiro sonhava com vaga na decisão. Com o dinheiro ofertado ao Comitê Olímpico do Brasil (COB), pretende comprar uma casa para a mãe.

O comitê definiu que a recompensa será de R$ 250 mil pela medalha de ouro, R$ 150 mil pela prata e R$ 100 mil bronze.

"Acho que me aproximou desse sonho. Não é mais sonho, é objetivo", disse.

OUTRAS MEDALHAS

Esta é a primeira das três medalhas que já estão garantidas na modalidade. Antes dele, Bia Ferreira venceu sua luta contra Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, na categoria leve, e avançou. Na semifinal, a brasileira vai enfrentar a finlandesa Mira Potkonen, que foi bronze no Rio-2016 e já venceu Bia duas vezes.

"Toda vez que a gente se encontra a gente consegue fazer um belo combate. Da última vez eu a venci, acredito que ela está com sangue no olho. E é isso aí. Tô pronta. Acho que a gente vai dar show para a galera", disse Bia sobre a adversária.

A medalha de Teixeira é a quinta do boxe brasileiro em Olimpíadas. Sérvilio de Oliveira foi o primeiro nas Olimpíadas da Cidade do México-1968. Em Londres-2012, foi a vez de Adriana Araújo (bronze), Yamaguchi Falcão (bronze) e Esquiva Falcão (prata). Nos Jogos do Rio-2016, Robson Conceição conquistou o primeiro ouro.

Além de Bia Ferreira, Hebert Conceição, na categoria peso médio (69 até 75 quilos), vai disputar a semifinal.

Já Wanderson de Oliveira, 24, parou nas quartas de final diante do cubano Andy Cruz, 25, após derrota por decisão dos árbitros.

Bia Ferreira enfrenta a finlandesa Potkonen em busca do ouro na quinta-feira (5), às 14h15. No mesmo dia, Hebert Conceição encara Gleb Bakshi, do Comitê Olímpico Russo, às 15h18.

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