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Após demissão de delegada envolvida em extradição de Allan dos Santos, assessora especial do Ministério da Justiça deve ser exonerada

·2 min de leitura

BRASÍLIA — O processo de extradição do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos deve custar mais uma cabeça no Ministério da Justiça. A chefe da Assessoria Especial Internacional da pasta, Georgia Renata Sanchez Diogo, foi comunicada de que terá de deixar o cargo nas próximas semanas.

Ela conta que recebeu a notícia de seu desligamento numa reunião com Antônio Ramirez Lorenzo, o chefe de gabinete do ministro, Anderson Torres. Ainda segundo Gerogia, ficou acertado que sua cadeia passará a ser ocupada por um diplomata e que a substituição será oficializada no Diário Oficial nos próximos dias.

— Vou continuar num cargo na assessoria internacional. Vem um diplomata para o meu lugar. No passado também já teve diplomatas nesse cargo. Faz parte, né?

A demissão gerou um clima se "caça às bruxas" no ministério. No início do mês, a delegada da Polícia Federal Silvia Amélia Fonseca de Oliveira, então responsável pela Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), também perdeu o posto. Sua exoneração ocorreu depois que ela deu andamento ao pedido de extradição de Allan dos Santos, medida determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a colunista do GLOBO, Malu Gaspar, o secretário Nacional de Justiça, Vicente Santini, personagem ligado à família Bolsonaro , tentou retardar a extradição do blogueiro antes de decidir pela demissão da delegada.

Questionada se sua saída guarda relação com o caso de Allan dos Santos, Georgia Diogo disse que acha "que não tem tanta relação, não”. Dentre as atribuições da Assessoria Internacional, estão “assessorar o ministro e demais unidades da pasta "no país e no exterior, nos temas, nas negociações e nos processos internacionais de interesse" do governo brasileiro. O departamento também atua "como interlocutor junto a embaixadores no Ministério das Relações Exteriores e nas embaixadas e representações brasileiras junto a organismos internacionais”.

Interpol

Em uma entrevista ao lado do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça, Anderson Torres, disse que o processo de Allan dos Santos seria tratada de “uma forma técnica”. A decisão de extraditá-lo partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF, acolhendo uma solicitação da Polícia Federal.

A Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), porém, ainda não atendeu aos pedidos de autoridades brasileiras para incluir bolsonaristas investigados pelo STF na lista internacional de procurados. Segundo o jornal "Folha de S. Paulo", a Interpol rejeitou o leito de de adicionar o caminhoneiro Zé Trovão e ainda não respondeu se vai incluir Allan dos Santos na difusão vermelha, categoria usada pela instituição internacional para notificar as demais polícias sobre foragidos procurados. É comum que a inclusão na lista ocorra de maneira rápida, o que não aconteceu dessa vez.

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