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Após Covid, safáris repensam público-alvo

·3 minuto de leitura

(Bloomberg) -- “Não temos muito tempo”, diz Beks Ndlovu, fundador da African Bush Camps, sobre a luta para preservar áreas selvagens da África, que estão cada vez mais ameaçadas por fatores ambientais, como mudanças climáticas, conflito humano-vida selvagem e falta de financiamento. Com 15 unidades em Botswana, Zimbabwe e Zâmbia, Ndlovu está na linha de frente de uma batalha que ele diz que “está se aproximando de nós”.

Nvodlu está entre operadores de safáris que perceberam no ano passado que o modelo de turismo atual precisa ser repensado, apesar de décadas de insistência de que as receitas dos visitantes sustentariam áreas selvagens, vilas vizinhas e animais. O Covid-19, que interrompeu o fluxo de visitantes, deixou reservas turísticas incapazes de pagarem serviços anti-caça furtiva. E isso se deve em parte às normas da indústria há muito aceitas, que incluem pesadas comissões a agentes de viagens que reduzem os lucros que poderiam ser direcionados para a conservação.

Depois de meses examinando seus balanços, um grupo repensa o modelo de negócios da indústria de safári -- questionando as taxas das agências de viagens, solicitando que mais dinheiro seja redirecionado para a conservação e criando transparência sobre para onde o dinheiro dos turistas está realmente indo.

Como funciona agora

A maioria dos viajantes que realizam safári na África contrata agentes de viagens para ajudar com a complicada logística. A quantidade de trabalho que os agentes realizam pode variar muito. Enquanto alguns traçam itinerários únicos, outros apenas copiam e colam o mesmo pacote de viagem.

Normalmente, as empresas de safári pagam por esses serviços por meio de comissões; sem os agentes, as operadoras têm mais dificuldade, e a indicação de um agente pode garantir até 40% do custo total da viagem. Isso pode significar US$ 20.000 de desconto em uma reserva de US$ 50.000, deixando o restante para cobrir custos como mão de obra, operações, administração, alimentação e manutenção.

“É um absurdo que alguém ganhe US$ 300 por noite simplesmente por reservar o local”, diz Giles Davies, fundador da Conservation Capital, que desenvolve soluções financeiras e empresariais para apoiar áreas de conservação. Além do mais, os viajantes simplesmente assinam na linha pontilhada sem entender como seu dinheiro é usado. “Se você fizer um safári no Quênia e pagar US$ 100, terá sorte se US$ 5 forem para a conservação”, continua Davies.

Somente convidados experientes

Extrair mais fundos de conservação de cada reserva é apenas o primeiro passo, argumenta Ndlovu. Um outro caminho é ser mais seletivo sobre seus convidados, a fim de maximizar as chances de que sejam viajantes atentos e, com sorte, doadores filantrópicos. Ele está pedindo aos simpáticos agentes de viagens que tenham conversas mais detalhadas com clientes em potencial para educá-los sobre o frágil ecossistema e seus desafios de arrecadação de fundos antes de solidificar os planos.

Além disso, a empresa agora está cobrando uma taxa de conservação de US$ 20 por pessoa por noite (maior do que os US$ 10 anteriormente), com o objetivo de dobrar ou triplicar esse valor até 2025.

Título em inglês:Post-Covid, Safari Companies Rethink Who Should Be Their Guests

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©2021 Bloomberg L.P.

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