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Após banir perfil de Donald Trump, ações do Twitter caem 7% nessa segunda-feira

Rui Maciel
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O banimento permanente do perfil de Donald Trump no Twitter, realizado na última sexta-feira (8), custou caro ao Twitter. Isso porque as ações da empresa caíram 7% nesta segunda-feira (11), o que fez a companhia perder US$ 2,5 bilhões em valor de mercado.

A queda dos papeis aconteceu após alguns republicanos criticarem a plataforma comandada por Jack Dorsey de amordaçar sua voz mais atuante - para o bem ou para o mal. A conta de Trump tinha mais de 88 milhões de seguidores e foi retuitada bilhões de vezes. Além disso, alguns congressistas também voltaram a pedir uma maior regulamentação das Big Techs nos EUA.

Em entrevista à agência de notícias Reuters, Andrea Cicione, chefe de estratégia da corretora TS Lombard, afirmou que Trump tem um grande número de seguidores leais e muitos desses olhos desaparecerão [do Twitter] se Trump for permanentemente impedido de postar.

Protestos

Ainda que o Facebook e outras empresas de social media tenham também punido Trump, impedindo-o de usar suas plataformas, pelo menos, até o fim do mandato - após a invasão ao Capitólio por parte de seus partidários - o Twitter entrou no alvo após banir o mandatário norte-americano de forma permanente.

Além da queda de suas ações ter ocorrido de forma muito mais intensa em comparação aos seus concorrentes, a mídia dos EUA também informou que a polícia de San Francisco estava se preparando para um possível protesto de partidários pró-Trump do lado de fora da sede do Twitter ainda nesta segunda-feira (11).

Foi a primeira vez que uma empresa de social media baniu um chefe de Estado de sua plataforma. Além disso, o Twitter ainda suspendeu contas pertencentes aos fãs mais fanáticos de Trump.

Maior regulamentação

O banimento repentino do perfil de Trump também levantou questões sobre o tamanho do poder das redes sociais e a falta de transparência sobre os critérios de quem deve ou não ter suas atividades suspensas nessas plataformas. Tanto que na União Europeia planeja-se regulamentar as empresas do setor de forma mais rígida.

“O fato de um CEO poder desligar o alto-falante do POTUS (conta oficial do presidente dos EUA) sem qualquer controle e equilíbrio é desconcertante”, escreveu Thierry Breton, comissário da União Européia, em uma coluna para o site Politico. “Não é apenas a confirmação do poder dessas plataformas, mas também mostra profundas fragilidades na forma como nossa sociedade se organiza no espaço digital”.

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, foi citado por criticar a “arrogância avassaladora” dos CEOs das empresas de social media e analistas esperam mais medidas legais para conter o poder do Facebook e outros nos próximos quatro anos.

As Big Tech, entre elas Twitter, Facebook, Google e Amazon, enfrentaram um aumento nos custos de moderação de conteúdo em suas plataformas nos últimos anos, na mesma medida em que vêm registrando aumentos em suas receitas obtidas com publicidade e outros serviços.

Fonte: Canaltech

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