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Dólar reverte alta e cai após Fed; Ibovespa ameniza baixas

Ana Carolina Neira e Lucas Hirata

BC dos EUA manteve juros perto de zero e sinalizou que não pretende elevar taxas até 2022 Depois de passar boa parte da sessão em alta, o dólar comercial reverteu o avanço contra o real e passou cair na esteira da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA). Como esperado, o banco central americano manteve seus juros próximos de zero. Mas, na atualização de projeções econômicas, os dirigentes mostram que não planejam subir taxas até 2022.

Há pouco, o dólar comercial tinha queda de 0,30%, aos R$ 4,8734, distanciando-se das máxima do dia, quando tocou R$ 4,9283. As taxas de juros futuros, que até então vinham operando perto da estabilidade, acentuaram as baixas. O DI para janeiro de 2022, por exemplo, caía a 3,060% (3,14% no ajuste anterior), enquanto o DI janeiro para janeiro de 2023 operava a 4,12% (4,22% no ajuste anterior).

O Ibovespa desacelerou as perdas após o anúncio do Fed, mas ainda apresenta bastante volatilidade. Às 15h20, o índice cedia 0,52%, aos 96.241 pontos e o giro financeiro também ganhou impulso, somando R$ 18,2 bilhões, muito acima da média para o horário.

Rodrigo Moliterno, gerente de renda variável da Veedha Investimentos, explica que o Ibovespa não foi capaz de seguir as bolsas americanas, que inverteram direção e operam em alta, porque ainda há espaço para um movimento de realização.

“Além da expectativa com a fala do Powell em breve, tem realização ocorrendo depois de muitas altas consecutivas”, diz.

Mais cedo, o Ibovespa até abriu os negócios do dia em terreno positivo, mas cedeu ao sentimento de cautela vindo do exterior e inverteu a direção, com os investidores procurando adotar posições mais defensivas antes da decisão de política monetária do Fed.

Além disso, em observação ao feriado de Corpus Christi, não haverá negociações na bolsa amanhã, o que também reforçava certo sentido de cautela entre os agentes.

O mercado não esperava nenhuma surpresa no anúncio do Fed, mas sim quais pistas seriam dadas sobre os próximos passos na política monetária do país e também sobre o estado da maior economia do mundo. Qualquer informação nova é especialmente importante após os dados de empregos referentes ao mês de maio, que vieram muito acima das expectativas, mostrando que a economia dos EUA pode estar traçando uma recuperação acelerada. Apesar de este não ser o caso do Brasil, é um movimento que beneficia especialmente a bolsa local.

Durante a manhã, a Petrobras chegou a puxar a baixa do índice com perdas mais acentuadas, seguindo a desvalorização do petróleo (-0,63% o Brent e -0,69% o WTI), que também era mais intensa devido ao alto nível de estoque da commoditie nos Estados Unidos.

Silvia Zamboni/Valor