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Após ação com 25 mortos, polícia do RJ diz que cumpriu regras do STF e critica ativismo

·4 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio de Janeiro afirmou que respeitou todas as exigências do STF (Supremo Tribunal Federal) na operação desta quinta (6) que acabou com 25 mortos na favela do Jacarezinho, na zona norte carioca, e criticou o que chamou de "ativismo judicial". Foi a ação mais letal da história do estado.

“De um tempo para cá, por conta de algumas decisões e um ativismo judicial que se viu muito latente na discussão social, fomos de alguma forma impedidos ou foi dificultada a ação da polícia em algumas localidades", afirmou o delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional.

"O resultado disso nada mais é do que o fortalecimento do tráfico. Quanto menos você combate, quanto menos você se faz presente, o tráfico obviamente vai ganhando cada vez mais poder, expandindo seus domínios e avançando cada vez mais para dentro da sociedade organizada”, continuou Oliveira.

O estado está sob a vigência de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que limita ações policiais em comunidades a situações excepcionais desde junho do ano passado, durante a pandemia. As polícias são obrigadas a justificar as incursões ao Ministério Público.

Oliveira culpou ativistas, em parte, pela morte do policial André Frias, 45, atingido na cabeça logo no início da operação por um criminoso que estava atrás de uma estrutura de concreto, segundo os delegados.

"Alguns pseudoespecialistas de segurança pública, e nós temos diversos na sociedade brasileira, inventaram a lógica de que quanto maior produção de conhecimento de inteligência menor seria a reação por parte do crime. Isso não funciona dentro das comunidades do Rio de Janeiro, em especial junto a uma facção criminosa", disse se referindo ao Comando Vermelho.

"Parte desse ativismo que de alguma forma orienta a sociedade numa determinada direção definitivamente não está do lado da Polícia Civil e da sociedade de bem. Os interesses deles são diversos, são outros. E eu queria deixar muito claro que o sangue desse policial que faleceu hoje em prol da sociedade de alguma forma está na mão dessas pessoas, dessas entidades", continuou.

Questionada, a polícia não esclareceu a dinâmica das mortes e disse apenas que os confrontos ocorreram por toda a comunidade. Dos 21 mandados de prisão que motivaram a operação, três foram cumpridos e outros três alvos foram mortos. Além desses, outros três suspeitos foram detidos em flagrante.

Foram apreendidas 16 pistolas, seis fuzis, uma submetralhadora, uma escopeta e 12 granadas. Também foi encontrada uma munição de canhão, classificada por Oliveira como uma arma de guerra. Cerca de 250 agentes participaram da incursão.

A polícia argumenta que a incursão foi realizada dentro da legalidade e que todos os locais foram periciados pela Divisão de Homicídios. Duas das mortes ocorreram num momento em que duas peritas analisavam o local de morte de suspeitos —exigência da decisão do STF.

Há diversos relatos, vídeos e fotos de corpos e rastros de sangue nas ruas. Há também acusações de torturas e invasões de casas por policiais. Parte dos mortos teriam sido baleados dentro de uma residência. À tarde, moradores fecharam uma rua gritando por justiça.

Questionado a respeito, o delegado titular da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), Fabrício Oliveira, rebateu que quem invadiu casas de moradores foram os criminosos. "Muitas vezes atendendo a pedidos de socorro dos moradores a polícia foi até o local e conseguiu prender alguns criminosos e confrontar outros que acabaram falecendo", disse.

Em relação às imagens, ele afirmou que algumas são fakes, de outras ocasiões e locais. Sobre uma foto de um homem morto em uma cadeira de plástico que circula na internet, ele disse que "os confrontos ocorreram de uma maneira muito intensa" e que demorou até que policiais chegassem ao interior da comunidade.

"Quando a polícia acessou alguns criminosos foram encontrados ali já mortos. O caso específico dele está sob investigação e em breve a polícia vai dar mais detalhes e esclarecer qual foi a dinâmica do que aconteceu", declarou.

Segundo a polícia, a Operação Exceptis foi deflagrada contra traficantes que vinham aliciando crianças e adolescentes para integrar a facção Comando Vermelho, após investigações que duraram dez meses.

A corporação diz que os criminosos exploram práticas como tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios, entre outros. Eles também teriam sequestrado trens da SuperVia em dezembro de 2020 e abril de 2021.

A apuração começou a partir de informações recebidas pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que coordena a ação com apoio de outras unidades do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC) e da Core.

Após o acesso a dados de celulares, foram identificados 21 integrantes que seriam "responsáveis por garantir o domínio territorial da região com utilização de armas de fogo".

"Foi montada uma estrutura típica de guerra provida de centenas de 'soldados' munidos com fuzis, pistolas, granadas, coletes balísticos, roupas camufladas e todo tipo de acessórios militares", diz a nota.

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