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Após 8 anos, começa hoje júri do incêndio trágico da Boate Kiss

·3 min de leitura

Aos 31 anos, Juliano Almeida recorda cada segundo, desde o momento em que percebeu o fogo no teto até quando desmaiou, após ter vencido o corredor formado pelas barras de contenção da saída. As barras serviam para conferir as comandas pagas na Boate Kiss, que pegou fogo naquele 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, no interior do Rio Grande do Sul.

As lembranças de Juliano e de outros que sobreviveram, assim como as dos parentes dos mortos, farão parte do julgamento das quatro réus acusados de responsabilidade pelo incêndio, que começa hoje, em Porto Alegre: os sócios da boate Elissandro Callegaro Spohr, de 38 anos, e Mauro Lodeiro Hoffmann, de 56, o cantor Marcelo de Jesus dos Santos, 41, da banda Gurizada Fandangueira, e Luciano Augusto Bonilha Leão, 44 , auxiliar de palco do grupo, que se apresentava na noite do incêndio. Todos responderão por 242 homicídios simples, além de 636 tentativas de homicídio. O julgamento está marcado para começar às 9h e não será interrompido nos fins de semana. Depois de sorteados os jurados, os depoimentos das vítimas começam à tarde. Serão ouvidos cinco sobreviventes arrolados pelo Ministério Público e cinco escolhidos pela assistência de acusação, patrocinada pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria. Depois será a vez de mais 25 testemunhas de acusação e defesa e ao fim, serão ouvidos os réus. Entre as testemunhas, estão o ex-prefeito de Santa Maria César Schirmer.

Segundo a denúncia, a tragédia foi desencadeada porque a boate teria tido as portas trancadas, para cobrar a conta dos frequentadores. Além disso, havia extintores que não funcionavam, sinalização precária da saída, por apenas uma porta. Os bombeiros de Santa Maria responsáveis pelos alvarás e fiscalização contra incêndio para a boate foram julgados pela Justiça Militar. O coronel reservista Moises da Silva Fuchs foi condenado a um ano e três meses. O capitão Alex da Rocha Camillo foi condenado a um ano.

O tenente-coronel da reserva Daniel da Silva Adriano, que havia assinado o alvará de prevenção de incêndio da Kiss em 2011, foi absolvido.

As memórias de Juliano dão detalhes do que sustenta a acusação. No fundo da boate, ele só teve tempo de pegar pelo braço a namorada e correr em direção à única porta de saída. Queimou o lado esquerdo do corpo e inalou gases que o fizeram ser levado de helicóptero para Porto Alegre, onde passou 39 dias internados, 26 deles na UTI, 18 em coma induzido. Juliano passou dois anos e meio fazendo fisioterapia respiratória e expelindo pontinhos pretos de fuligem. Nos dedos da mão esquerda, fez enxertos. Ficaram marcas na orelha e na cabeça.

Os donos da boate afirmam que não havia superlotação e não sabiam que a banda faria o show pirotécnico que causou o incêndio. O advogado de Marcelo afirma que um dos sócios tinha conhecimento que um sinalizador seria disparado. A alegação dos sócios contradiz o relato de uma das testemunhas arroladas, o veterinário Gustavo Cadore, que tinha 31 anos na tragédia.

— Quando começou o incêndio, tentaram apagar com o extintor, mas não funcionou — relembra.

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