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Aos 52, Drica Moraes enfrenta a pandemia com 'terapia na veia', mas afirma: 'A morte eu já enfrentei tanto que perdi o medo'

·10 minuto de leitura

Despedir-se da malvada Cora de “Império” não foi fácil para Drica Moraes no fim de 2014. Pois agora ela revive a separação entre atriz e personagem na reprise daquela que foi a sua primeira novela no horário nobre, quatro anos após o diagnóstico de uma leucemia mieloide, que teve fim com um transplante de medula em 2011. Dilacerada, Drica teve que deixar o papel após problemas de saúde em meio às gravações e foi substituída às pressas por Marjorie Estiano, que havia interpretado Cora no início da trama. No capítulo de amanhã, a jovem já aparece no lugar da veterana. Mas os fãs de Drica, ainda este mês, terão outras oportunidades para assistir aos seus trabalhos. Ela ressurge como a médica Vera na inédita temporada de “Sob pressão”, prevista para estrear no próximo dia 12, em que repete a parceria com Marjorie. Depois, a carioca volta às telas na pele da sofrida Carolina de “Verdades secretas”, sua última novela, que será reexibida a partir do dia 24.

Ontem, foi ao ar o último capítulo de Drica como Cora, que tinha como característica extensos monólogos.

— Eu trabalhava mais de 12 horas diárias no Projac. Eu tinha que estar todos os dias em vários cenários para falar algo absurdo, me locomovia pela cidade cenográfica para dar milho aos pombos numa cena, dar uma gargalhada em outra... No meu dia de folga, ficava em casa decorando muito texto sozinha. Cora era absurda! Venho acompanhando a reprise e me vejo falando sozinha o tempo todo. Com caixa, mala, porta-retrato, cadeira, jornal, revista, álbum de fotografia, cheirando cuecas (risos) ...

Àquela altura, Drica já tinha uma bagagem de 11 novelas e 28 anos de carreira na TV, mas nunca havia encarado uma das personagens centrais de uma trama das nove. A rotina corrida fez a atriz ficar com a imunidade baixa e ter que se afastar das gravações após perder a voz. Sete anos após o fim de “Império”, ela lembra bem o drama ao deixar de viver a vilã, numa manobra ousada do autor Aguinaldo Silva.

— Na época, eu fiquei despedaçada porque foi um papel muito importante. Eu tinha tesão em fazer! Cora me demandava demais física e emocionalmente. Fui ao Projac, mas não tinha voz. Eu já vinha há um tempo com gastrite, depois labirintite. O excesso de horas trabalhadas me gerou uma baixa imunidade. Não tinha nada mais a ver com a doença grave que eu tinha tido quatro anos antes, porém eu ainda não estava com essa capacidade de encarar tantas horas de trabalho por tantos meses. Eu até fui à cena em que ela e o Comendador (Alexandre Nero) vão ao hotel, mas eu não tinha um fiapo de voz e havia seis páginas de texto para falar. Então, o autor tomou essa decisão. Eu levei um susto na hora, mas, foi o que tinha que ser feito e eu acatei.

Diferentemente do ocorrido na história de Aguinaldo Silva, em que parou de trabalhar de repente, Drica experimentou o inverso em “Verdades secretas” seis meses depois. Ela atendeu a um pedido de última hora para entrar na novela das 11, no lugar de Deborah Secco, que tinha acabado de descobrir sua gravidez.

— Em “Império”, saí em cinco dias e em “Verdades secretas” entrei em cinco. O primeiro episódio era focado na separação de Carolina. Entrei sem preparação nenhuma, tendo que decorar, estudar, fazer prova de roupa, conhecer o elenco rápido. Mas deu supercerto! É um trabalho do qual tenho muito orgulho — afirma a atriz, que compara os papéis: — Os dois são intensos. Um por exteriorizar muito a neurose, e o outro o drama. Cora era uma explosão, e Carolina uma implosão.

Com uma segunda temporada prevista para este ano, “Verdades secretas” reservou uma morte trágica para a personagem de Drica. Ingênua, Carolina deixou muitos telespectadores inconformados por não perceber o envolvimento de sua filha, Angel (Camila Queiroz) e Alex (Rodrigo Lombardi) por tantos capítulos. Nas ruas, a atriz se divertia com a repercussão:

— Era o tempo todo “Sua burra, idiota, panaca, imbecil”... Parecia teatro infantil, sabe? Quando o público fica “Olha o lobo ali!”, e a pessoa não vê! — brinca a atriz, que não chegou a encontrar ninguém para compartilhar com ela uma história parecida com a de Carolina: — As pessoas não contam esses babados (risos). Elas escondem, né? Devem ter muitas ao meu redor, mas ninguém falou.

Corajosa, Drica aparece em cenas inéditas na semana que vem quando estreia a nova temporada de “Sob pressão”. A médica Vera se apresentou como um desafio diferente para a atriz, por conta das gravações durante a pandemia. Após um especial sobre Covid-19 em 2020, do qual a artista não participou presencialmente por pertencer ao grupo de risco, desta vez, ela saiu da quarentena.

— Eu estava bem presente, não teve nada a distância. Entrei com bastante receio porque gravamos ainda numa fase em que não tinha vacinação. Mas havia um protocolo muito rigoroso, que me deixou segura — conta Drica, completando: — A série fala sobre a lida dos médicos, como eles enfrentam essa escassez de recursos e situações tão adversas e violentas. Foi um trabalho bem exigente, mas a gente ficou muito feliz. Temos 11 episódios prontos e não tivemos nenhuma baixa, ninguém ficou doente.

Se Drica e Marjorie foram a mesma personagem em “Império”, em “Sob pressão” elas trabalham juntas e são amigas tanto na ficção quanto na vida real. Rivalidade feminina? Que nada!

— Na série, somos parceiras e vamos passar por muitas coisas, como morar juntas. A convivência vai botando camadas em cima das relações. Criamos uma amizade superbonita, uma cumplicidade boa — diz ela, explicando que a Covid-19 aparece na história como pano de fundo: — Ela ainda persiste e é uma doença que traz marcas para a nossa rotina que vão perdurar por um tempo.

Em meio a tantas perdas (o Brasil já ultrapassou 550 mil vítimas fatais do coronavírus), seria a morte uma preocupação constante para Drica?

— Como quase morri há dez anos, esse pavor eu não tenho. Fiquei por um fio presa a este planeta. Acho que eu sou vaso ruim mesmo. Mas senti um pouco essa angústia da vida, vê-la mudando, o filho (Mateus, de 12 anos) crescendo sem estar com os amigos, as dificuldades de aprendizado dele, o excesso de trabalho em casa, isso me causa muita ansiedade na pandemia. Mais do que morrer — diz Drica, que completa: — A morte eu já enfrentei tanto que perdi o medo.

Com 52 anos completados na última quinta-feira, a leonina afirma que a passagem do tempo não a incomoda.

— Adoro fazer aniversário e ficar mais velha! Considero incrível minha trajetória e as lutas que atravessei durante a vida. Eu me acho uma pessoa de saúde extremamente forte, apesar de ter saído de “Império”. Dou conta de muita coisa, tendo atravessado uma doença gravíssima, sendo mãe solo de um menino negro... São tantas as forças que tenho dentro de mim que valorizo cada dia, cada ano. O Brasil precisava desencaretar mesmo nesse ponto, iria ser bom para todo mundo! — observa Drica, que destaca a falta de mulheres mais velhas no protagonismo dos trabalhos: — A dramaturgia fala pouco da mulher de mais de 50 anos. E estamos no auge da nossa sabedoria como artistas, com muito acúmulo de experiência.

E, apesar de se considerar uma mulher vaidosa, Drica garante não se deixar levar pelas pressões estéticas.

— A minha vida segue e não me balizo pelo que as pessoas pensam de mim. Eu acho que escolhemos as nossas brigas. A da perfeição não é uma que eu quero comprar — afirma a atriz, que não se compromete com padrões ditados externamente:— Procuro realmente não me influenciar. Seja dos óculos que uso aos cabelos brancos. Eu ainda pinto porque acho que iria me limitar muito se eu assumisse uma “grisalhice”. É mais pela minha profissão do que por mim como mulher. Não faço interferências dermatológicas, por exemplo. Eu me cuido porque gosto. Eu me alimento bem porque gosto. Malho porque me dá energia e tesão. Mas nada disso é uma forçação de barra para mim.

Reservada, Drica já não aglomerava por natureza antes de a pandemia obrigar todo mundo a ficar mais recluso. Durante esse período, a atriz aproveitou para retomar os estudos de piano que começou quando criança e decorar a casa para onde havia se mudado pouco antes do começo da quarentena. Mãe de um estudante, ela teve que virar também um pouco professora durante as aulas on-line.

— Acho que essa foi a parte mais dura porque o ensino on-line foi inventado da noite para o dia. As escolas, os alunos e os pais não estavam preparados. Eu e muitas famílias sofremos com essa questão do aprendizado a distância. Foi traumático!

Filho único, Mateus é o grande parceiro de Drica na vida. Apesar da pouca idade, foi ele quem ajudou a mãe, quando ela teve Covid-19 no fim de 2020.

— Mateus me deu muita força. Eu fiquei no quarto isolada, ele pedia a minha comida nos aplicativos e para ele umas gororobas. Ele botava roupa para lavar na máquina, estendia... Mas, quando eu saí do quarto e olhei o resto da casa, tomei um susto! Tinha muita bagunça! (risos)

Drica conta que entre ela e o filho não há tabu. Ela conversa bastante com o menino sobre assuntos como racismo.

— Aqui em casa, falamos sobre tudo da vida: saúde, doença, pandemia, amor, violência... Vivemos num país que nega a presença do racismo. O legal no Brasil é dizer que não é racista, mas sendo. Estudamos muito sobre isso para estarmos preparados para as pancadas que virão. Conversamos, sofremos e também nos regojizamos com a beleza. Mateus tem muito orgulho de ter uma família multirracial. E eu tenho muito orgulho da sua beleza, sua pele, seu olho, seu cabelo. Sabemos que temos uma luta juntos pela frente, mas nos amamos e nos completamos nas nossas diferenças.

Outro amor da atriz é sua mãe, Clarissa Gaspar. Assim que a matriarca de sete filhos tomou as duas doses da vacina contra Covid-19, Drica correu para passar uma noite em seu colo, como nos velhos tempos.

— Até disse: “Vou dormir com minha mãe e fingir que eu sou criança de novo”. Ficar com ela teve um gostinho todo especial — derrete-se a carioca, que faz mistério sobre sua vida amorosa: — Sou uma mulher de muitos amores... Na pandemia, a gente dá um jeito. Com muito cuidado, mas dá.

Assim como quase todo mundo, ela também enfrentou seus momentos de sombra durante o isolamento social.

— Terapia na veia! Agora on-line, mas não vivo sem. Tenho muita sensibilidade, muitas tristezas, muitas alegrias e muita ansiedade também. Fico realmente muito preocupada com o futuro.

Por essas e outras, a artista comenta os assuntos em alta em sua conta no Instagram (criada por um fã que posteriormente repassou a página já com vários seguidores para a própria administrar), e não tem medo de dar sua opinião.

— Quanto mais você se posiciona, mais interessante você se torna. Eu geralmente me interesso mais por pessoas que dão suas opiniões, mesmo que sejam ideias opostas às minhas e que depois ela reveja a sua posição, volte atrás, diga que errou.

De vez em quando, Drica chega a perder seguidores, como quando postou a favor da vacinação. Mas isso não a intimida.

— Não tenho essa preocupação. Eu até falo para quem não concorda com o que penso deixar de me seguir mesmo, mas não despejar ódio. Isso é a democracia. De qualquer forma, não vejo muitos comentários, na verdade. Eu posto e vou embora. Ficar discutindo me faz mal. Isso é uma masturbação digital. Então, eu me masturbo com outras coisas que eu acho mais interessantes.

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