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Aos 18, Sophia Raia encara mudança para NY, fala de namorado e luta feminista: ‘Desde que entendi que a sociedade me vê como menor porque sou mulher’

·9 minuto de leitura

No site Wikipedia, Sophia Raia é descrita como uma “Modelo brasileira filha dos atores Claudia Raia e Edson Celulari, nascida em 15 de janeiro de 2003”. Bastam dois minutos a ouvindo falar para entender, no entanto, que a jovem de 18 anos não cabe numa definição tão simplista. Sophia é ou não é modelo? É ou não é artista? É ou não é famosa? “Estou pensando em dar um passo de cada vez e aproveitar o caminho que estou trilhando”, analisa.

No tal caminho está Nova York, onde vai morar e estudar a partir do segundo semestre: “Sei que serão muitas mudanças, mas não tenho medo disso. Então, estou tranquila. Fico pensando como vai ser administrar a saudade de todo mundo...”. A coragem pode ser explicada pela criação no seio de uma família de mulheres fortes e destemidas. Exemplos que a fizeram enxergar-se feminista desde muito cedo. “Isso fez com que eu crescesse com uma segurança muito grande de que ser mulher não é motivo para eu não ocupar lugares que eu quero”, argumenta ela, que poderia até intimidar com tamanha assertividade. Inclusive os rapazes, que ainda precisam lutar suas batalhas para entender o mundo de Sophia: “Eu estou com sorte. Porque namoro um cara muito legal. Então, tudo certo!”.

Como se imaginava aos 18 anos?

Acho que todo mundo quando é mais novo pensa: ‘com 18 anos, vou ser independente, vou fazer o que eu quiser (risos)’. Até que os 18 anos chegam e a gente descobre que não é bem assim. Não dá para fazer tudo que a gente quer. Na verdade, nunca dá, né?! Estamos sempre ponderando, escolhendo, não tem jeito. Mas acho que minha vida está muito melhor aos 18 do que eu imaginava. Em setembro, vou realizar um grande sonho que é estudar fora do país. Eu queria muito, fui atrás, me esforcei. Mas quando acontece é um gostinho bom de missão cumprida e um frio na barriga enorme de pensar o que vem a seguir.

Você está às voltas com a mudança para os EUA. Qual a sensação?

É uma mistura de alegria e ansiedade (risos). Estou muito feliz por realizar este sonho, por ter sido aceita na NYU, que era a universidade que eu queria, por ter a oportunidade de morar em Nova York, que é uma cidade que eu amo. Ao mesmo tempo, será a primeira vez que moro fora de casa, e de cara já vou para o outro extremo do continente (risos). Sei que serão muitas mudanças, mas não tenho medo disso. Então, estou tranquila. Fico pensando como vai ser administrar a saudade de todo mundo.

Aliás como será essa “separação” do Enzo (Celulari, irmão mais velho). Quem está sofrendo mais?

Essa parte é muito difícil! Acho que nós dois estamos sofrendo já. Eu e Enzo somos muito amigos, muito parceirios. Vai ser difícil não ter ele ao meu lado diariamente. Ainda bem que temos a tecnologia a nosso favor hoje em dia. Fico pensando quando minha mãe foi morar em Nova York, aos 13 anos, que não tinha nada disso. Foi um desafio e tanto para ela e para minha avó.

Falando nisso, sua ancestralidade feminina é muito forte. Como foi crescer nesse círculo?

Foi inspirador e, sem dúvida, foi algo que me influenciou muito a ser feminista, a me identificar muito com essas questões de gênero. Não cresci em uma casa em que me diziam que eu não poderia fazer algo porque era menina. Meus pais não criaram essa distinção entre mim e meu irmão. Pelo contrário, eles sempre incentivaram nós dois a buscar os nossos lugares no mundo. Eles sempre tiveram consciência de que somos pessoas diferentes, não porque eu sou mulher e Enzo, homem, mas porque cada pessoa é única. Minha avó Odette ficou viúva muito cedo e criou minha tia, Olenka, e minha mãe com minha bisavó, Ernestina, ao lado. E ela criou a minha mãe, que é uma mulher tão à frente do seu tempo, tão dona de si e inspiradora. Minha mãe é uma grande inspiração para mim. Somos muito amigas. Foi uma relação que construímos dia a dia, entendendo nossas semelhanças, respeitando nossas diferenças, aprendendo a ouvir e a acolher uma a outra. Tudo isso me fortalece muito como mulher!

Você e sua mãe são muito parecidas, não só fisicamente. Vocês têm uns arranca- rabos vez ou outra?

Somos capricornianas, então, é normal que tenhamos algumas divergências de opinião (risos). Mas nada é muito sério. Quando ela quer muito falar, eu deixo ela falar. Aí ela vai percebendo que passou um pouco do limite. O bom é que a gente sempre pede desculpa. Nunca tivemos uma grande briga ou ficamos sem nos falar. Acho que é o contrário, a gente acaba falando demais às vezes...

Quando sentiu pela primeira vez o quanto o feminismo ainda é uma luta?

Desde que entendi que a sociedade me vê como menor porque sou mulher. Mulheres em cargo de liderança ainda recebem menos do que homens que ocupam os mesmos cargos. As taxas de feminicídio estão aumentando. A gente anda na rua com medo de passar por alguma violência, seja ela verbal ou física. Querem regular a roupa que a gente usa, como a gente se veste, o que a gente pode ou não pode fazer. Isso para mim é muito absurdo. Desde que tive esse entendimento de uma maneira mais consciente, entendi que o feminismo é uma luta extremamente necessária, e que ele precisa pensar também em todas as diferenças entre nós mulheres. Temos que fazer um recorte de cor, de classe social para entender que apesar de estamos navegando no mesmo mar, não estamos no mesmo barco. E eu quero mesmo a emancipação de todas as mulheres, que elas sejam livres para escolher seus caminhos, que nada as amarre, que tenhamos segurança e oportunidades.

Ter pais tão famosos gera uma cobrança externa e interna. Se sentiu “aprisionada” por isso?

Não. Meus pais sempre protegeram muito tanto a mim quanto a meu irmão. Em casa, por exemplo, minha mãe não é a Claudia Raia que o público conhece, ela é minha mãe, e sempre fez questão de ser assim. O mesmo acontece com meu pai. Eles nos deram liberdade para que escolhêssemos os nossos caminhos. Nunca houve uma expectativa deles de que fôssemos artistas. Então, se havia alguma pressão fora da nossa casa, isso não chegou até nós. Sempre fomos muito preservados por eles.

Você estreia agora na função dubladora/atriz. Que tal a experiência?

Foi muito divertido! Adorei entrar num estúdio de dublagem (Para o filme ‘Luca’, lançamento da Disney, que estreou este fim de semana). Nunca tinha pensando antes em fazer algo assim, mas quando veio a oportunidade topei na hora. É muito legal você dar voz a um personagem. Foi muito especial também porque trabalhei com minha mãe de novo. Ela dubla um outro personagem do filme. Foi uma parceria que tivemos em “Ti Ti Ti”, que inclusive está reprisando. Na novela, eu fiz uma participação como uma blogueira mirim. Era muito engraçado, porque no figurino a personagem era uma mini-Jaqueline, papel da minha mãe.

Você tem alguns fã-clubes, mesmo não sendo exatamente artista. Como elabora isso?

Eu sei que não sou artista (risos). Os artistas são meu pai e minha mãe. Vejo isso como uma manifestação de carinho das pessoas que são fãs dos meus pais e, por extensão, sentem um carinho especial por mim. Agradeço muito o carinho sempre, mas isso não me faz entrar numa egotrip, não. Acho que o fato de meus pais não serem deslumbrados com a fama também ajuda. O objetivo deles sempre foi e continua sendo fazer bons trabalhos. Os dois sempre entenderam a fama como uma consequência disso. Foi isso que sempre nos ensinaram também.

Imagino o quanto as pessoas já te perguntaram (e ate esperaram) que seguisse os passos deles. Existe uma inclinação nesse sentido?

Hoje em dia eu não penso em seguir carreira artística como eles, mas me vejo trabalhando com arte de outras maneiras. Vou estudar na escola de arte da NYU, a Tisch School of the Arts, que tem no currículo Sociologia, Comunicação, Artes. Lá a formação é um pouco diferente da brasileira. Então, é uma possibilidade trabalhar de alguma maneira com arte, mas tenho muitas outras oportunidades também. Ainda não está nada decidido. Agora estou feliz de realizar esse sonho que é estudar lá.

Você tem uma forma muito assertiva de falar, empoderada, tom mais grave... Você acha que mete medo?

Ih, não sei (risos). Acho que talvez quem não me conhece pode pensar assim? Mas, se conversar dois minutos comigo, vai ver que não é nada disso. Eu adoro gente, adoro conversar, conhecer gente nova. Sou muito aberta!

Muitas vezes “arrumaram” namorados para você. O que acha disso? E está difícil encontrar caras legais para namorar?

Essa parte é chata porque quando arrumam namorado nunca é verdade (risos). Mas faz parte, entendo que por ser filha dos meus pais as pessoas tenham curiosidade. E sobre encontrar caras legais, eu estou com sorte porque namoro um cara muito legal (risos). Então, tudo certo! Só não vou falar o nome, porque ele não é famoso e não gosta de exposição.

Existem homens em sua vida, seu pai, Enzo, Jarbas (Homem de Mello, padrasto) que têm um olhar para o feminino muito interessante. O que aprende com eles?

Aprendo que nós, mulheres, devemos ser bem tratadas, tratadas com carinho, respeito e dignidade. Aprendo e vejo que o legal de uma relação é quando ela te fortalece e te faz crescer, não quando ela te oprime e te diminui. Você conviver com o medo de viver sua potência ou da reação de um homem em relação a você não tem a ver com amor. Esses são sinais de que essa relação, seja ela qual for, não está bem. Não temos que ser subordinadas, temos que ser olhadas de igual para igual pelos homens.

O que quer deixar como sua marca no mundo?

Nossa, tanta coisa que eu quero ajudar a construir. Meu sonho de futuro é uma sociedade que não seja machista nem racista nem homofóbica... Ou seja, que não se apoie em nenhum tipo de opressão para se manter operante. Se é para sonhar, gostaria que fosse uma sociedade em que as pessoas tivessem mais oportunidades iguais, com uma distribuilção de renda mais justa. Que a importância da arte e da cultura fosse mais entendida e difundida, que as pessoas tivessem acesso a educação e saúde de qualidade. Eu quero trabalhar no presente para construir justamente esse futuro. São nessas coisas que acredito!

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