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Ao passar as férias em seus países, europeus estimularão (um pouco) o consumo

Por Katia DOLMADJIAN, con las oficinas europeas de la AFP
Mulher de máscara caminha por Paris, com a Torre Eiffel ao fundo, em 11 de maio de 2020

Ainda afetados pela pandemia, os cidadãos europeus, passarão majoritariamente as férias de verão (hemisfério norte) em seus países, o que permitirá estimular as economias nacionais estagnadas.

A partir de 15 de junho, 75% dos Estados-membros da União Europeia (UE) suspenderão as restrições de circulação dentro do bloco. Com o objetivo de reativar o turismo o mais rápido possível, a Itália se antecipou e abriu as fronteiras aos visitantes europeus em 3 de junho.

Na França, apenas 20% das reservas para o verão registradas nas agências de viagens são para o exterior, contra 66% habitualmente. E o número de reservas nacionais na plataforma Airbnb aumentou 40% na comparação com o ano passado.

"Tudo tem dois lados: se os países pudessem, fechariam suas fronteiras para reter os habitantes e as abririam para atrair turistas estrangeiros", disse à AFP Jean-Pierre Mas, que representa as agências de viagens francesas.

Após um confinamento devastador para a economia, a prioridade de cada país é retomar o consumo interno, com os gastos em turismo no alvo. Uma tendência que coincide com as intenções de muitos europeus, com pouca vontade de atravessar as fronteiras.

O governo francês defende o turismo nacional e lançará a campanha #CetétéjevisitelaFrance (Neste verão vou visitar a França), para ressaltar a diversidade do país.

A vizinha Alemanha também fez algo parecido com a campanha "Descubra a Alemanha", organizada por 16 estados regionais.

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez fez um apelo a favor da retomada do turismo nacional. Mas, para um país onde o turismo representa 12% do PIB, é impossível imaginar uma temporada sem visitantes estrangeiros, o que gerou a campanha "A Espanha espera por vocês".

"O verão grego é mais que o mar e o sol... é uma maneira de pensar", afirma a Grécia em uma campanha aos turistas estrangeiros. O país reduziu de 24% a 13% o IVA nos transportes (avião, trem, barco) e nos pacotes turísticos.

o governo grego não esqueceu, no entanto, sua população: o país vai dobrar o número de pessoas beneficiadas pelo turismo social e prevê reduzir os preço das passagens de barco para estimular viagens às ilhas.

A Itália também busca o turista estrangeiro, mas não esquece seus cidadãos, graças ao "bônus de férias", com limite máximo de 500 euros (567 dólares) para as famílias. Mais de 70% dos italianos passam as férias de verão na península.

A Eslovênia também distribuirá cheques de férias de 200 euros (226 dólares) para gastos locais em alojamento, ou em restaurantes.

Viena adotará uma iniciativa similar: a capital austríaca enviará um vale de entre 25 e 50 euros (entre US$ 28 e US$ 56) para 950.000 famílias.

"Visitem os bares, ajudem nossa gastronomia a superar a crise", pediu o diretor da Câmara de Comércio de Viena, Walter Ruck.

Apesar do aumento do consumo doméstico, o cenário não compensará a perda de dezenas de milhões de diárias.

"Há um aumento na demanda nacional, mas estamos longe de compensar a falta de visitantes estrangeiros", adverte o presidente da federação espanhola de agências de viagens Fetave, César Gutiérrez Calvo.

A Holanda afirma que terá entre 12 e 15 milhões de turistas estrangeiros a menos em 2020. Na França, os visitantes internacionais representam 135 milhões de diárias, e na Alemanha, quase 90 milhões.