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Ao menos 6.500 trabalhadores imigrantes morreram nas obras da Copa do Mundo de 2022 no Catar

Redação Notícias
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Trabalhadores imigrantes de Bangladesh e Paquistão, em frente às obras do estádio Lusail, no Catar (Tiago Leme)
Trabalhadores imigrantes de Bangladesh e Paquistão, em frente às obras do estádio Lusail, no Catar (Foto: Tiago Leme/Yahoo Notícias)

Ao menos 6,5 mil trabalhadores de diversos países que atuaram nas obras da Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar, morreraram devido às condições de trabalho. Os dados fazem parte do levantamento do jornal inglês The Guardian e contrastam com os números oficiais do governo catarino, que estima uma média de 12 mortes.

A construção de estádios de futebol e a modernização das cidades que receberão os jogos começou em dezembro de 2010. Desde então, diversos trabalhadores imigrantes foram ao país buscar mulheres oportunidades de trabalho.

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No entanto, após reunir dados do governo do Catar, que indicaram que a maioria dos trabalhadores do país está empregada nas obras da Copa do Mundo — incluem não apenas sete novos estádios, mas também estradas, aeroportos, hotéis e uma nova cidade —, foi constatado as condições precárias de trabalho.

Nos últimos anos, o governo do Catar chegou a ser denunciado pela exploração, falta de segurança e condições dos empregados das obras.

De acordo especialistas ouvidos pelo jornal, a exposição do número chocante de mortes aponta um “fracasso do Catar” em proteger a força de trabalho de dois milhões de imigrantes.

MÃO DE OBRA BARATA

Desde que o ex-presidente da Fifa Sepp Blatter anunciou o Catar como sede da Copa do Mundo de 2022, o país está debaixo da lupa. As condições do grande número de trabalhadores, muitos da Ásia, chama particularmente a atenção.

Essa mão de obra inflou a população do Catar, que passou de 1,63 milhões para 2,74 milhões de pessoas, desde o anúncio feito por Blatter em 2 de dezembro de 2010.

Sindicatos, defensores dos direitos humanos e a Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas (OIT) se associaram para questionar o sistema de contratação do Catar. Conhecido como "Kafala", o apadrinhamento põe os trabalhadores estrangeiros à mercê dos empregadores.

Enquanto isso, iniciou-se uma disputa internacional sobre o número de mortos nas obras de construção da Copa do Mundo — número foi negado firmemente pelo Comitê Organizador do mundial.

Espera-se que mais de 12 mil trabalhadores empregados nas obras da Copa recebam um reembolso de 52 milhões de riales, por terem sido obrigados a pagarem taxas de contratação ilegais para chegarem ao Catar, disse o Comitê Organizador. Nesta semana, a OIT parabenizou as reformas introduzidas pelo Catar.