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Ao contrário do que disse Bolsonaro, pesquisas mostram aumento da fome

Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em duas ocasiões na última sexta-feira (26), Jair Bolsonaro (PL) minimizou a questão da fome no país. Ao contrário do que disse o presidente, no entanto, dados de diferentes fontes mostram que houve, de fato, um aumento da fome no Brasil.

A falta de comida e a carestia dos alimentos se tornou um assunto corriqueiro para os brasileiros, e algumas pesquisas recentes ajudam a quantificar o problema.

Há dois meses, o país soube que 33 milhões de pessoas passam fome no Brasil, segundo apontou a segunda edição do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da Rede Penssan —um patamar semelhante ao que havia sido registrado há três décadas.

"Fome para valer, não existe, como da forma que é falado. O que que é extrema pobreza? Você ganhar US$ 1,9 por dia, isso dá R$ 10. O Auxílio Brasil são R$ 20 por dia. Quem por ventura está no mapa da fome pode se cadastrar e vai receber", disse Bolsonaro a um podcast.

Ao contrário do que se percebe no cotidiano das cidades brasileiras, Bolsonaro minimizou o problema, dizendo que não há pessoas nas portas de estabelecimentos comerciais pedindo comida.

"O que a gente pode dizer, se for a qualquer padaria, não tem ninguém pedindo para comprar pão. Não existe. Eu falando isso estou perdendo votos, mas a realidade não pode deixar de dizer", afirmou.

Neste sábado (27), após a repercussão negativa de seus comentários minimizando o problema da fome no país, Bolsonaro voltou ao tema. "Cada vez mais o mundo olha para nós. O mundo, sem o Brasil, passa fome", afirmou a apoiadores na Bahia.

Além do relatório da Rede Penssan, pesquisa Datafolha feita de forma presencial nos dias 27 e 28 de julho apontou que um em cada três brasileiros afirmava que a quantidade de comida em casa nos últimos meses não foi suficiente para a sua família.

Segundo o levantamento, o percentual de lares com uma quantidade insuficiente de comida subiu de 26% em maio para 33% em julho. Outros 12% dizem que foi mais que suficiente, mesmo percentual nas duas pesquisas. Para 55%, a comida foi o suficiente -queda em relação aos 62% de maio.

Um relatório das Nações Unidas de julho também se ocupou do tema e concluiu que, no Brasil, 61,3 milhões (cerca de 3 em cada 10 habitantes) convivem com algum tipo de insegurança alimentar, sendo que 15,4 milhões se encontravam em insegurança, passando fome, no período de 2019 e 2021.

Pelos países com dados comparáveis relacionados pela ONU, o Brasil é o que tem mais pessoas em algum grau de insegurança alimentar (moderada ou grave) nas Américas e o quinto no mundo, no período.

O relatório também aponta um aumento significativo na comparação com o período de 2014 a 2016, quando 37,5 milhões passavam por algum nível de insegurança alimentar e 3,9 milhões enfrentavam o nível grave.

Embora essas pesquisas tratem do mesmo tema, as metodologias são diferentes, o que impede a comparação entre elas.

A pesquisa da Rede Pensann é uma amostra de domicílios usando quatro categorias de gravidade da insegurança alimentar: segurança alimentar, insegurança alimentar leve, insegurança alimentar moderada e insegurança alimentar grave.

Já a do Datafolha é uma amostra com a população brasileira adulta (16 anos ou mais). Outro ponto é que, no Datafolha, a resposta se dá pelo que o entrevistado entende por "falta de comida", em uma única pergunta.

A estimativa da ONU, por sua vez, é baseada na Escala de Experiência de Insegurança Alimentar e considera duas categorias: insegurança alimentar moderada ou grave (combinada) e apenas insegurança alimentar grave.

Falta de comida, carestia e queda do poder de compra dos brasileiros se tornaram tópicos importantes na eleição deste ano. Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca fazer o eleitor puxar pela memória as medidas tomadas durante os governos petistas para aplacar a fome, a campanha de Bolsonaro deve mencionar a pandemia e a Guerra da Ucrânia para justificar a piora de indicadores.

O presidente também tem citado o aumento recente para R$ 600 do Auxílio Brasil —que substituiu o Bolsa Família— como um escudo contra o aumento da fome.

Reportagem da Folha, no entanto, mostra que a inflação tem corroído o 'efeito-Auxílio', e o aumento, que vale até o fim do ano, ainda não se percebe tão claramente, sobretudo em bolsões de pobreza.

Outra reportagem recente mostrou como o incômodo com o aumento da fome tem mobilizado o governo. Um estudo assinado pelo atual presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Erik Alencar de Figueiredo, contestava pesquisas recentes que apontam o aumento no número de brasileiros em situação de insegurança alimentar ou com fome.

O argumento dele era que o aumento da fome deveria ter resultado em um "choque expressivo" no aumento de internações por doenças decorrentes da fome e da desnutrição, além de um número maior de nascimentos de crianças com baixo peso. A conclusão, no entanto, foi criticada por outros especialistas no tema.

Apesar das medidas do governo tomadas às vésperas da eleição, a alta dos preços continua a afetar a população mais pobre, já que mesmo que gasolina e energia elétrica tenham dado alívio, a inflação do grupo de alimentação e bebidas se aproximou novamente de 15% no acumulado de 12 meses até julho, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

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