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Ao assumir SC, Daniela Reineher acena ao bolsonarismo e nomeia general para Casa Civil

·3 minuto de leitura

Vice-governadora administrará o Estado interinamente por 180 dias, até que a Assembleia decida definitivamente sobre o impeachment do governador Carlos Moisés (PSL) A vice-governadora eleita de Santa Catarina, Daniela Reineher (sem partido), assumiu interinamente o governo do Estado hoje, depois do afastamento do governador eleito Carlos Moisés (PSL). Ao tomar posse, a ex-policial militar fez um aceno aos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e anunciou a nomeação de um general para a Casa Civil, uma das principais secretarias do governo. A governadora interina prometeu novas mudanças no secretariado nos próximos dias. Daniela disse que é preciso fazer uma transição em relação ao governo Carlos Moisés e afirmou que as trocas nas secretarias serão feitas “de forma harmônica”. Na Casa Civil, assumirá o general da reserva Ricardo Miranda Aversa, que será o responsável pelas articulações com a Assembleia Legislativa e por negociações com empresários. Carlos Moisés (PSL), governador de Santa Catarina, foi afastado interinamente por 180 dias Júlio Cavaleiro/SECOM A governadora interina tentou marcar distância em relação ao antecessor, que perdeu o apoio político na Assembleia Legislativa e é alvo de dois processos de impeachment, e disse que pretende melhorar o diálogo em sua gestão. “Precisamos aprender com situações que não foram bem-vistas e melhorá-las”, afirmou, em entrevista a jornalistas. Alinhada com Bolsonaro, Daniela indicou que flexibilizará as medidas de isolamento social vigentes no Estado, apesar da nova onda de casos de covid-19 em Santa Catarina. Segundo Daniela, os cuidados com a saúde individual e coletiva não podem “prejudicar o setor econômico” e é preciso “isolar os doentes”, não as pessoas saudáveis. No comando do governo catarinense, a ex-policial militar deve reforçar ainda mais sua proximidade com o bolsonarismo, em busca de mais apoio na Assembleia Legislativa. Daniela tenta evitar os embates políticos enfrentados por Moisés, que rompeu com os aliados de Bolsonaro e perdeu o apoio de deputados de seu próprio partido, o PSL. Daniela foi eleita vice-governadora pelo PSL, mas deixou o partido depois que Bolsonaro saiu da legenda, no fim de 2019. Depois de se desfiliar, ajudou na articulação do Aliança pelo Brasil, junto com a advogada Karina Kufa e a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP). O partido de Bolsonaro, no entanto, ainda não se concretizou. Karina Kufa defendeu a governadora interina no processo de impeachment que levou Moisés a ser afastado do cargo por 180 dias, na semana passada. Tanto o governador eleito quanto a vice foram acusados de um suposto crime de responsabilidade por aumentarem o salário de procuradores do Estado em 2019, de R$ 33 mil para R$ 38 mil. A acusação alega que o reajuste não poderia ter sido feito por decisão administrativa, como optou o governo, mas sim por meio de um projeto de lei para ser aprovado pela Assembleia. Sem apoio suficiente na Assembleia, Moisés não conseguiu impedir o processo de impeachment. Já Daniela obteve maioria para rejeitar o pedido de impeachment contra ela. A Assembleia Legislativa do Estado tem até 180 dias para decidir se Moisés é culpado ou não. Se for condenado pelos parlamentares, o governador eleito perderá o mandato. Além desse processo, Moisés é alvo de um segundo pedido de impeachment na Assembleia, sob acusação de supostas irregularidades nas compras de 200 respiradores durante a pandemia. Os equipamentos custaram R$ 33 milhões, que foram pagos antecipadamente e sem garantia de entrega ao Estado. A acusação cita também problemas na tentativa de contratação de um hospital de campanha em Itajaí. Moisés nega irregularidades nos dois casos que levaram à abertura de impeachment na Assembleia.

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