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Anvisa não vê necessidade de medidas restritivas contra coronavírus

Rafael Bitencourt

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informou que, por enquanto, apenas reforçará os protocolos de prevenção e identificação de casos em portos, aeroportos e nas fronteiras Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter alterado o risco internacional de contaminação pelo coronavírus de moderado para elevado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou hoje que, por enquanto, apenas reforçará os protocolos de prevenção e identificação de casos de contaminação em portos, aeroportos e nas fronteiras.

O presidente substituto da agência, Antonio Barra Torres, disse que ainda não há necessidade de adotar “medidas restritivas”, como triagens em todos os passageiros de navios e aeronaves que vierem da China — país com maior foco de contaminação.

O diretor-presidente substituto da Anvisa, Antonio Barra, em entrevista coletiva

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

“Todos os servidores da Anvisa estão treinados e cientes dos procedimentos para tratar os casos suspeitos”, garantiu Torres em entrevista nesta tarde a jornalistas. Segundo ele, a atuação da autoridade sanitária no Brasil se dá em caráter de monitoramento.

Nos portos e aeroportos, os agentes de saúde ficam de prontidão aguardando o alerta sobre casos suspeitos, baseado na identificação de sintomas típicos de enfermidades que atingem o sistema respiratório. Somente em caso de alerta, as aeronaves e os navios são isolados para inspeção dos servidores da Anvisa.

Torres foi questionado se não seriam necessárias medidas mais enérgicas da Anvisa para minimizar os riscos de chegada do coronavírus no Brasil. “As ações da Anvisa ocorrem na exata medida da sua necessidade”, rebateu.

Hoje, o presidente da agência anunciou que a diretoria da agência criou um grupo de trabalho interno para intensificar o monitoramento da situação. Segundo ele, os técnicos serão atualizados pelo menos duas vezes por dia com dados da fiscalização nos portos e nos aeroportos do país. Todas as ações do órgão regulador, disse ele, são orientadas pelo Comitê de Operações de Emergência (COE), do Ministério da Saúde.

A Anvisa tem intensificado o trabalho de orientação nos aeroportos de Guarulhos (SP) e Galeão (RJ), que recebem maior número de passageiros da China. Segundo a agência, somente entre novembro e dezembro de 2019, os dois terminais receberam 14,5 mil pessoas vindas da China, sendo que 12 mil chegaram por Guarulhos.

Na última quinta-feira, agentes da Anvisa fizeram reuniões com a administração de Guarulhos e das companhias áreas para reforçar as orientações, que inclui os alertas dos passageiros pela tribulação dentro da aeronave. Atualmente, avisos sonoros já são feitos nos aeroportos. Amanhã, a agência fará a mesma reunião com administração do Galeão e com as aéreas que atuam no terminal.