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Anvisa autoriza Butantan a testar soro anti-COVID em humanos

Fidel Forato
·2 minuto de leitura

Na quarta-feira (24), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária concedeu autorização para o início dos testes de segurança e eficácia do soro, desenvolvido pelo Instituto Butantan, para combater a evolução da COVID-19 em humanos. Oficialmente, a fórmula é conhecida como soro hiperimune anti-Sars-CoV-2.

"Esta será a primeira vez que o soro do Butantan será testado em pessoas, o que exigiu da Agência uma avaliação criteriosa dos aspectos técnicos e de segurança do produto. Até o momento, o soro foi testado somente em animais", afirmou a agência reguladora em nota sobre o status da pesquisa para o controle do novo coronavírus (SARS-CoV-2) em humanos.

Anvisa autoriza testes em humanos do soro do Instituto Butantan contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Wolfgang Claussen/Pixabay)
Anvisa autoriza testes em humanos do soro do Instituto Butantan contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/Wolfgang Claussen/Pixabay)

Além disso, a autorização de pesquisa foi condicionada a um Termo de Compromisso que prevê a entrega de informações complementares. De acordo com a Anvisa, o Butantan ainda deve apresentar "informações complementares que não foram integralmente disponibilizadas". Para isso, será enviado um ofício com apontamento das pendências ao Butantan, o que já estava acordado com o Instituto.

O próximo passo, agora, é verificar a segurança e a eficácia do soro em pacientes já infectados com o novo coronavírus. No momento, três mil frascos de soro estão prontos para o início imediato dos testes em humanos, segundo dados da Agência Brasil. Caso o soro demonstre resultados positivos em humanos, a terapia poderá ser usado para tratar pacientes que já estejam infectados e apresentam sintomas da COVID-19, desde que aprovado para este fim pela Anvisa.

Como funciona o soro do Butantan contra a COVID-19

Vale explicar que este soro foi produzido a partir da inoculação do coronavírus inativo em cavalos. Com a invasão do agente infeccioso, o corpo do animal reage ao microrganismo e produz anticorpos para combater a infecção da COVID-19. Em seguida, o sangue dos equinos é coletado e os anticorpos produzidos são isolados. Após todo esse processo é que o produto foi testado em roedores — coelhos e camundongos —, que foram inoculados previamente com o coronavírus. Isso porque a ideia é desenvolver um remédio, e não uma vacina.

Estes esforços de pesquisa são liderados pelo infectologista Esper Kallás, da Universidade de São Paulo, e pelo nefrologista José Medina, que integram o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo. Na etapa com os animais, a terapia demonstrou diminuição da carga viral e perfil inflamatório reduzido nas cobaias do estudo preliminar. Outra descoberta é que os animais apresentaram preservação da estrutura pulmonar.

"Os animais que foram tratados tiveram o pulmão protegido, ou seja, não desenvolveram a forma fatal da infecção pelo coronavírus, mostrando que os resultados de estudos em animais são extremamente promissores", afirmou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

Fonte: Canaltech

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