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Anunciar no Twitter é medida de "alto risco", diz maior agência do mundo

A compra de anúncios no Twitter é uma atividade de "alto risco" desaconselhada no momento. Essa é a afirmação do GroupM, parte da WPP, a maior empresa de publicidade do mundo e principal anunciante da rede social do passarinho. A dica teria sido dada aos clientes de grandes corporações que contratam o GroupM para criar e gerenciar as propagandas na plataforma.

O conglomerado está preocupado com vários aspectos do Twitter após a transição para a era Elon Musk. Em um documento enviado aos clientes, cita o grande número de demissões, especialmente a saída dos principais executivos do Twitter das áreas de segurança e moderação.

Outra preocupação é a onda de falsificações de perfis dos últimos dias após a liberação do selo de verificação para todos os assinantes do Twitter Blue. Segundo a agência, o passarinho também pode enfrentar dificuldade para seguir as diretrizes da Federal Trade Commission, órgão responsável pela regulamentação do comércio nos Estados Unidos.

Anunciantes estão fugindo do Twitter devido ao momento de instabilidade (Imagem: Claudio Schwarz/Unsplash)
Anunciantes estão fugindo do Twitter devido ao momento de instabilidade (Imagem: Claudio Schwarz/Unsplash)

Segundo o grupo, o Twitter precisaria cumprir uma série de requisitos para perder o status de "investimento de alto risco". Este foi um documento obtido com acesso exclusivo pela Digiday, enviado pelo líder de parcerias da agência como uma mensagem de alerta aos empresários. São esses os requisitos:

  1. Retornar aos "níveis básicos de NSFW" — ou seja, evitar conteúdos explícitos como nudez, sexo e violência;

  2. Contratar novos executivos respeitados nas áreas de segurança em TI, privacidade e integridade;

  3. Criar uma política de "freios e contrapesos internos" — uma espécie de mecanismo para descentralizar o poder de Musk;

  4. Mais transparência nas medidas que afetam a segurança do usuário e das marcas, incluindo alterações nas diretrizes da comunidade e nas políticas de moderação;

  5. Estabelecer "compromisso" com a moderação de conteúdo e aplicação das regras da plataforma.

Os "pedidos" da maior empresa de publicidade online do mundo não parecem ser difíceis de se cumprir. No entanto, é necessário descobrir se Musk está disposto a seguir tal caminho, pois iria contra as promessas feitas desde quando decidiu entrar no conselho da rede social, antes mesmo da oferta ser feita.

Publicidade no Twitter ameaçada

O cenário de anúncios no Twitter já não era animador nos últimos anos, com queda acentuada nos valores aplicados pelas empresas devido a certo "abandono" da plataforma e a elevada quantidade de robôs. De 2020 para cá, a rede viu um movimento de ascensão graças às novas ferramentas e a produtos de monetização, como os Super Follows, os Ingressos Pagos para salas do Espaços e o serviço de assinatura Twitter Blue.

Agora, três das maiores agências de publicidade online do mundo recomendam cautela com a empresa de Elon Musk. O IPG e o Omnicom Media Group recomendaram aos clientes a interrupção dos anúncios, sem previsão de retorno.

Tanto o GroupM quanto o Twitter não se manifestaram oficialmente — a rede social está com a equipe de comunicação desfalcada no mundo inteiro. Provavelmente nenhum dos dois devem falar sobre o assunto, afinal a delicadeza da situação exige muita cautela.

O GroupM trabalha com empresas como Google, L'Oréal, Bayer, Nestlé, Unilever, Coca-cola e Mars. A gigante publicitária deve realocar os recursos dos clientes em redes sociais rivais com maior estabilidade no momento.

O temor das empresas é compreensível, afinal empresários não querem ver sua marca associada a discursos de ódio, conteúdos criminosos, teorias da conspiração ou perfis falsos. O bilionário dono da Tesla terá que ceder em alguns pontos ou tentar atrair marcas que não se importem com esse tipo de veiculação, o que certamente será difícil tendo em vista o atual momento.

Fonte: Canaltech

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