Mercado fechará em 5 h 49 min

Antigo Metropolitan, mais uma vez rebatizado, reabre em janeiro com show de Bethânia e maestro João Carlos Martins

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RIO — A casa de espetáculos no Via Parque que já atendeu pelos nomes de Metropolitan —com o qual se consagrou —, ATL Hall, Citibank Hall e KM de Vantagens Hall e abrigou shows históricos reabrirá as portas no dia 15 de janeiro, como um complexo multiuso batizado de Qualistage e com show de Maria Bethânia acompanhada do maestro João Carlos Martins e orquestra. Apesar de a Qualicorp, administradora de planos de saúde, ter adquirido os naming rights, a gestão será dos empresários Alexandre Accioly, Bernardo Amaral e Dody Sirena, que compraram a casa em março, após 11 meses de negociação. O GLOBO-Barra visitou as obras, um investimento de R$ 10 milhões, que começaram em junho e devem ficar prontas até o fim do ano, revelando a nova identidade criada pelo arquiteto João Uchôa, que apostou em painéis de madeira para substituir o antigo azul.

Foi muito triste ver lojas e restaurantes fecharem na pandemia. Vi a abertura do Metropolitan e, quando li na coluna do Ancelmo Góis sobre a entrega da casa, liguei para o superintendente do shopping e em seguida para o Bernardo, que já sabia que a Time For Fun tinha deixado a administração — diz Accioly, dono da rede Bodytech e um dos responsáveis pela volta das Noites Cariocas, na Urca. — Perdemos tantos cinemas e teatros da cidade para farmácias, supermercados e academias que seria uma pena perder esse espaço também.

A expectativa é que o Qualistage realize 90 eventos, sem contar os corporativos, no ano que vem. Já estão confirmados shows de Roberto Carlos, Lulu Santos, Elba Ramalho & Padre Fábio de Melo, Martinho da Vila, Paralamas do Sucesso, Zé Ramalho, Nando Reis e Mundo Bita, entre outros. Amaral, que faz a curadoria dos artistas, afirma que ainda devem ser promovidos 12 shows internacionais, entre eles os de Greta Van Fleet e A-ha.

— Como o câmbio faz com que os cachês internacionais tenham valor mais alto, os preços desses ingressos serão um pouco mais caros. Alguns artistas conseguem enxergar que é preciso fazer um ajuste no cachê em dólar para tornar viável a vinda ao Brasil, mas não são todos — diz.

Dody Sirena, empresário de Roberto Carlos há 29 anos, e presidente e cofundador da empresa DC Set, um player de entretenimento que reúne empresas e inciativas ligadas a cultura e ao esporte, viu no Qualistage uma oportunidade para novos investimentos.

— Como investidores da casa, temos a facilidade de potencializar a quantidade de shows que acontecerão. Antes da pandemia, Shakira, U2 e Coldplay foram três grandes shows que não conseguimos trazer para o Rio porque faltava uma casa como o Qualistage. Agora, vamos lugar para viabilizar a vinda de um número maior de atrações para o Rio — diz ele, sem revelar se negocia com algum destes artistas.

Com capacidade para 9.500 pessoas em pé e 3.500 sentadas, a casa poderá receber, além dos shows, espetáculos de teatro e dança, musicais, palestras e competições de e-sports.

— O espaço está sendo todo equipado com fibra ótica para ser “plug and play” e estamos conectados ao link olímpico, o que proporciona uma internet de grande velocidade — conta Amaral.

Projeto de arquiteto do Rock in Rio

Os sócios lembram que a casa de espetáculos foi construída junto com o Via Parque Shopping e projetada pelo arquiteto Sérgio Dias para abrigar grandes atrações, o que na época, por si só, já era um diferencial.

— As outras casas da cidade foram adaptadas. Aqui, em qualquer cadeira em que você se sentar vai ver bem o palco. Não há nenhuma coluna que atrapalhe o espectador, esteja ele sentado ou em pé. São nove vigas enormes que permitem a sustentação e vão até o fim do palco. Além disso, temos cem ganchos no teto, e cada um suporta uma tonelada — detalha Amaral.

Accioly destaca ainda a escolha do arquiteto João Uchôa para a revitalização:

— É ele quem faz o Rock in Rio, tem uma cabeça voltada para o entretenimento. Vamos ter um projeto de luz que vai permitir que o público seja inserido no mesmo ambiente do artista que estará no palco. Por exemplo, na noite do Roberto Carlos, a plateia poderá ser iluminada com azul. Na noite do funk, poderá ter todas as cores.

Uchôa esclarece que toda a parte estrutural também está sendo reformada, assim como as poltronas, os camarotes (que agora terão banheiros) e a cozinha.

— Não é um banho de loja, é uma reforma total para transformar o espaço em multifuncional e dar a ele uma imagem nobre e imponente. Os painéis poligonais em laminados de madeira, por exemplo, foram pensados para melhorar a acústica, fazendo com que o som bata e não volte. É uma técnica usada em casas internacionais e funciona bem porque mistura estética e acústica — explica o arquiteto.

O Qualistage terá dez camarins, entre coletivos e privados, e três salas de produção. E um estúdio de cem metros quadrados que poderá ser usado para gravações e entrevistas após os shows, entre outras finalidades.

— Esse estúdio poderá ser alugado independentemente da casa, e, caso seja necessário, o palco também poderá se tornar um estúdio. Nosso segredo é ser multiuso. Aqui já teve circo, vale-tudo, balé e até pista de patinação— diz Amaral.

Outra novidade é que o Qualistage terá cardápio diversificado, frisa Accioly:

— Aqui só se comprava chope e pipoca. Vamos ter uma carta de drinques e vinhos, além de pizzas, sanduíches e aperitivos. Geralmente, os eventos devem começar por volta das 21h e terminar perto de 1h, quando tudo já está fechado. Por isso, resolvemos investir forte nesse serviço, que será prestado por uma firma contratada.

Amaral, filho do empresário da noite Ricardo Amaral, trabalhou como gerente de marketing do Metropolitan em 1994 e se tornou diretor-geral da casa seis meses depois da inauguração. Volta agora como sócio e com o mesmo cargo que conquistou aos 23 anos. Tem na memória uma lista de casos do espaço, cujos tapetes ainda estavam sendo colados quando as portas se abriram no dia da inauguração. Ele cita dezenas de artistas que fizeram história naquele palco, entre eles Roberto Carlos, Legião Urbana, LucianoPavarotti, Barry White, Lou Reed, Diana Ross, Donna Summer, Jô Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso, David Copperfield e Cássia Eller. De Tim Maia, acabou ficando amigo, depois de intervir quando o cantor ameaçou não subir ao palco, em 1996. Em breve, ele poderá aumentar sua coleção de histórias.

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