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Antigo impacto na Lua pode explicar as diferenças entre seus lados

·2 min de leitura

Um enorme impacto lunar, ocorrido há milhares de anos, poderia explicar as diferenças observadas em sua superfície, ao comparar o lado visível para nós e seu lado afastado, que não vemos aqui da Terra. O novo estudo, liderado pela Academia Chinesa de Ciências, contou com simulações para entender as consequências de uma colisão cósmica de grandes dimensões em nosso satélite natural.

Ao longo de muitas décadas, astrônomos acreditaram que a Lua tinha uma superfície completamente padronizada. No entanto, quando as primeiras sondas começaram a estudar nosso satélite natural, logo foi revelado que não era bem assim.

À esquerda, o lado mais próxima da Lua e, à direita, o mais distante (Imagem: Reprodução/NASA)
À esquerda, o lado mais próxima da Lua e, à direita, o mais distante (Imagem: Reprodução/NASA)

As diferenças se deram não apenas na aparência, mas também nas rochas e os materiais presentes em ambos os lados da Lua. Para os cientistas, em seus primeiros milhares de anos, a superfície lunar se encontrava em um estado primordial.

Em outras palavras, toda a superfície da Lua seria formada pelo mesmo material uniforme que resultou do resfriamento do satélite ao longo de milhares de anos. Se essas diferenças existem hoje, apenas um evento posterior a essa fase as explicaria.

Impacto no polo sul lunar

Estudos anteriores já haviam sugerido que um enorme impacto no polo sul lunar que ocorreu há mais de 4 bilhões de anos, formando a Bacia de Aitken no lado mais afastado, explicaria essas diferenças em seus lados.

A comparação entre as diferenças na composição da superfície lunar nos dois lados, tanto as observadas quanto as modeladas (Imagem: Reprodução/Nan Zhang et al.)
A comparação entre as diferenças na composição da superfície lunar nos dois lados, tanto as observadas quanto as modeladas (Imagem: Reprodução/Nan Zhang et al.)

Até então, como este impacto transformou a superfície do lado mais afastado no que é hoje, é justamente algo que não está esclarecido. Mas, no novo estudo, os pesquisadores simularam esse evento considerando todas as características da Lua conhecidas até o momento.

Os resultados mostraram que o impacto teria gerado um calor capaz de reiniciar a convecção nos primeiros estágios de formação da Lua. Além disso, parte do material do corpo que a atingiu teria adentrado o interior lunar, afetando a convecção.

A convecção é o movimento do magma no interior de um corpo. Enquanto o material mais quente sobe para a superfície e resfria, o mais frio desce e derrete — e assim por diante. Em seus primeiros estágios a Lua possuía essa dinâmica.

Mapa em relevo da Bacia de Aitken, localizada no polo sul da Lua (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/University of Arizona)
Mapa em relevo da Bacia de Aitken, localizada no polo sul da Lua (Imagem: Reprodução/NASA/GSFC/University of Arizona)

Também foi observado que o material do corpo impactante teria se espalhado por toda a área da colisão e, conforme a convecção voltava ao seu ritmo normal, ele foi transportado até a superfície do outro lado lunar. Esta dinâmica explicaria as principais diferenças na superfície da Lua entre seus dois lados.

O estudo foi apresentado na revista Nature Geoscience.

Fonte: Canaltech

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