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Antiga explosão de raios gama parece descartada — e a explicação seria sem graça

·3 minuto de leitura

Muitas vezes, a ciência é feita de erros, principalmente quando os cientistas não têm muitas evidências que expliquem um fenômeno observado. Ainda assim, eles podem publicar hipóteses que serão eventualmente testadas, e isso encoraja outros pesquisadores a investigar o mistério mais a fundo. Foi isso o que aconteceu com uma suposta explosão extraordinária de raios gama que era, na verdade, algo bem comum.

Em 7 de abril de 2017, uma equipe de astrônomos liderada por Linhua Jiang observava uma galáxia chamada GN-z11 no infravermelho, usando o instrumento MOSFIRE através do telescópio Keck I, localizado no Havaí. Nessa pesquisa, eles detectaram um estranho sinal, catalogado como GN-z11-flash. Nas 5,3 horas de dados coletados, a explosão aparece em um período menor que 245 segundos, na posição da galáxia observada.

Bem, isso é bastante estranho, e qualquer astrônomo ficaria intrigado e empolgado com uma possível detecção de algo interessante. O problema nesses caso é determinar a distância dos objetos, principalmente em um intervalo de tempo tão curto. É que, nessas situações, é praticamente inviável usar o método paralaxe, por exemplo, que consiste em calcular distâncias de acordo com o movimento aparente de um objeto próximo em relação a uma estrela mais distante.

Ilustração de uma explosão de raios gama atravessando duas galáxias no início do universo (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada)
Ilustração de uma explosão de raios gama atravessando duas galáxias no início do universo (Imagem: Reprodução/ESO/L. Calçada)

A falta de dados levou a equipe a sugerir que o flash nas observações era resultado de alguma explosão em raios gama que ocorreu a 13,4 bilhões de anos-luz de distância, ou seja, algo que ocorreu 420 milhões de anos após o Big Bang. Para ser justo, os cientistas sabiam que essa hipótese poderia estar errada, então a consideraram apenas uma possibilidade. Entretanto, eles não poderiam estar mais enganados: o flash se originou aqui pertinho do nosso planeta.

Para confirmar que o flash não era nada tão extraordinário quanto parecia, dois novos artigos foram publicados por equipes diferentes de astrônomos. Um deles, liderado pelo astrofísico Charles Steinhardt, aponta que o sinal se originou no Sistema Solar; enquanto o segundo time, liderado por Michał Michałowski, descobriu que o flash era a luz do Sol refletida em um estágio de foguete descartado na órbita da Terra.

Um dos fatores que levantou a suspeita dos cientistas é a dificuldade de detectar uma explosão de raios gama no início do universo por mero acaso. Seria necessário um nível de sorte muito alto, já que nessas regiões distantes do cosmos esse tipo de evento é especialmente raro. Além disso, encontrar um sinal desse tipo enquanto se observa uma galáxia não relacionada à descoberta, sem nenhuma observação de outros telescópios que varrem o céu constantemente, não havia suporte para a hipótese inicial.

Para descartar todas as hipóteses mais prováveis que uma explosão logo após o Big Bang, a equipe de Michałowski analisou o banco de dados de detritos espaciais Space-Track. Foi lá que eles encontraram o estágio descartado de um foguete russo Proton, lançado em 2015. Esse lixo espacial estava a uma distância de 13.758 km da Terra no momento da observação do flash, e teria aparecido no campo de visão do instrumento MOSFIRE.

Simulação da quantidade de lixo espacial existente na órtbita terrestre (Imagem: Reprodução/NASA)
Simulação da quantidade de lixo espacial existente na órtbita terrestre (Imagem: Reprodução/NASA)

Mas Jiang e seus colegas não estão convencidos com a explicação do lixo espacial, porque o espectro do flash é, para eles, diferente dos reflexos de objetos próximos à Terra. Além disso, seus cálculos sugerem que o estágio do foguete em questão não estava tão próximo do campo de visão do telescópio. No entanto, eles admitem que o flash poderia ter sido causado por um foguete desconhecido, embora afirmem que a probabilidade disso seja baixa.

Pode ser que o debate se prolongue, com novos estudos e buscas por eventos que coincidem com o momento do flash, mas é improvável que existam dados adicionais sustentando a hipótese dos raios gama no início do universo. De qualquer forma, se nada mais surgir, os cientistas sabem que quando há uma explicação mais simples, esta será a mais provável. “É uma pena”, disse Michałowski, “que uma descoberta tão extraordinária tenha uma explicação tão mundana".

Fonte: Canaltech

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