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Antifas: quem são e por que lutam

Na Av. Paulista, manifestante é alvo de bomba da PM, em protesto pela greve geral em junho de 2017 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Por Arthur Stabile, Caê Vasconcelos e Daniel Arroyo

A luta antifascista, no Brasil e no mundo, é antiga. A primeira vez que o tema foi debatido foi em 1920, dentro do Partido Comunista Alemão, em uma época em que a Alemanha nazista, de Adolf Hitler, ainda não existia. Passou pelos anos 1980 com a contracultura dos movimentos Punk e Hip-hop. Hoje, um século depois, o movimento antifascista se modernizou, mas sem esquecer o motivo de seu surgimento: lutar contra o fascismo, o autoritarismo e a segregação de grupos marginalizados pela sociedade.

No Brasil, mobilizações antifascistas também aconteceram nas últimas décadas. Uma delas ocorreu após o assassinato de Edson Neris da Silva, jovem gay espancado por skinheads no começo dos anos 2000. Antifas também participaram de atos contra o aumento no valor das passagens, a partir de junho de 2013, protestos contra a Copa do Mundo de 2014, levante dos estudantes secundaristas em 2015, manifestações críticas ao impeachment de Dilma Rouseff, em 2016, e por aí vai.

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No fim de semana passado, manifestações contra o fascismo e o racismo aconteceram em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Não é possível ignorar a influência do gigantesco levante popular ocorrido em diversas regiões dos Estados Unidos na última semana, após a morte de George Floyd, um homem negro, por um policial branco.

Os protestos no Brasil têm tido como foco o combate à escalada autoritária e se colocam em trincheira oposta aos atos puxados pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar da pandemia do coronavírus, os manifestantes antifascistas defendem que os grupos bolsonaristas já estão nas ruas e não havia mais tempo a perder. “Só eles estavam nas ruas, então achamos necessário assumir riscos para defender a democracia”, explica Danilo Pássaro, historiador e antifa do coletivo Somos Democracia, de torcedores corintianos.

Em protesto contra ex-presidente Michel Temer em maio de 2017, manifestante picha parede de ministério em Brasília | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Os atos tiveram resposta. O presidente Bolsonaro considerou que os grupos são uma ameaça. “São marginais, no meu entender, terroristas”. O vice-presidente Hamilton Mourão os definiu como “delinquentes” que abusam ao ferir “pessoas e o patrimônio”, em artigo escrito no O Estado de São Paulo. Há parlamentares, como o bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), que pretende enquadrar os antifas na lei antiterrorismo, criada por Dilma Rousseff (PT). Em São Paulo, o deputado Douglas Garcia, do mesmo partido, tem promovido uma verdadeira “caça às bruxas” divulgando lista com supostos membros de movimentos antifascistas. O dossiê de quase mil páginas tem circulado via Whatsapp em redes bolsonaristas que incentivam a perseguição de opositores.

Bolsonaro, ainda, fez questão de comparar os atos no Brasil com a revolta nos Estados Unidos pelo assassinato de George Floyd. “O motivo, no meu entender, político, diferente [daquele dos protestos nos EUA]”, diz o presidente.

Manifestantes quebram viatura da Polícia Militar em protesto contra o ex-presidente Michel Temer, na cidade de São Paulo em agosto de 2016 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Nos Estados Unidos, todos os estados americanos registraram mobilizações e o levante com as falas “I can’t Breathe” (“Eu não consigo respirar”, repetido diversas vezes por Floyd ao policial) e “black lives matter” (vidas negras importam). Houve ações antifascistas de saques e ataque a símbolos do capitalismo, como lojas e bancos. O presidente norte-americano Donald Trump pretende criar uma lei para tornar os antifas uma “organização terrorista“.

Mas quem são, de fato, as pessoas que integram esses movimentos, o que elas querem e por que lutam? A Ponte conversou com integrantes da Ação Antifascista SP, um dos movimentos brasileiros que mantém essa luta ativa, e com especialistas que acompanham – e vivenciaram – a luta antifascista.

Em sua essência, o antifascismo brasileiro é anticapitalista, antirracista, contra o sexismo e contra a LGBTfobia. É feito de trabalhadores e trabalhadoras periféricos, negros, LGBTs em sua essência. A luta dos antifascistas não é contra um governo específico, mas contra uma ideologia: o fascismo. A ideologia de controle social, de uma parcela da população ser soberana à outra.

A bandeira antifascista possui duas cores: a vermelha representa o comunismo, enquanto a preta simboliza o anarquismo. Nos primórdios, o símbolo era total vermelho e a parte hoje vista como uma segunda bandeira, preta, apenas uma sombra. Na essência, a luta antifascista se traduz nas lutas anticapitalista e anarquista.

PM tenta impedir manifestante de portar bandeira antifascista em protesto contra a comemoração do 7 de setembro, em 2017 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Ainda nos seus primeiros momentos, a luta antifascista aportou ao Brasil trazida pelos italianos, que chegavam no país em busca de trabalho. A historiadora Suzane Jardim, mestranda em ciências humanas e sociais, que também é educadora e pesquisadora nas áreas de história negra e criminologia, relembra que, no início, os movimentos negros e antifascistas não se deram bem.

“Imagina o contexto: os europeus vieram aqui pro Brasil exatamente para ocupar as vagas de trabalho que não queriam que os negros ocupassem. Então toda a ideologia trazida de fora, a galera negra tinha receio. Não tinha muita conversa”, conta Jardim.

Mas, explica a historiadora, para falarmos do antifascismo hoje, temos que voltar 50 anos na história. Foi com o movimento punk, entre 1970 e 1980, que o grupo ganhou mais força. Europeus se levantaram contra a política liberal e austera da “dama de ferro”, Margaret Thatcher, ex-primeira ministra do Reino Unido, e norte-americanos contra Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA. A cultura, ou contracultura, como o punk se intitula, foi o impulsionador desse pensamento.

“Você vai ouvir as letras dessa época e são letras pela libertação feminina, pela libertação negra, pela liberdade LGBT, e a ideia era essa. E ela começou a circular pelos países, principalmente nos países periféricos”, analisa Jardim.

Manifestante carrega escudo em protesto do MPL em 2017 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Com a conscientização através da música, trabalhadores, brancos e negros, das periferias começaram a articulação pela libertação em conjunto. Nessa época, a ideia da contracultura era tirar a lógica capitalista. “Pensar em contracultura dentro do movimento antifascista é cunhar uma arte que seja essencialmente anarquista, comunista, antirracista e que chegue para a abertura de mentes, não para pensar no mercadológico. É uma arte para libertar”, avalia a historiadora.

Antifas brasileiros

A prática ganhou força no Brasil nos anos 1980, com a contracultura punk e, em 1993, com a criação da ACR (Anarquistas Contra o Racismo). Ali havia um marco de ações práticas antifascistas, segundo Acácio Augusto, doutor em ciências sociais e professor de Relações Internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Em 2001, um caso marcou o “reaparecimento” do movimento antifa no país. “Mataram um adestrador de cães, Edson Neris da Silva, que era gay e foi espancado por skinheads”, explica. Houve uma maior união dos coletivos por ações práticas antifas. “Denunciou-se a ameaça fascista, ainda que partidos de esquerda considerassem uma atuação como gangue de rua”, define Acácio. A união partiu de movimentos periféricos, de jovens e negros.

Manifestante pisa na bandeira do Brasil em protesto contra a comemoração do 7 de setembro em 2017 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Renato Alves, 33 anos, profissional que atua no setor do Turismo, é um antifa brasileiro. Teve o primeiro contato nos anos 2000. Ele relembra ter tido dificuldade naquele tempo de receber informações sem haver a internet como existe hoje, de as teorias virem de outros países a partir de quem tinha acesso por morar fora. “Com o passar dos anos, a informação foi chegando de maneira mais clara, as pessoas foram se identificando com essa cultura marginalizada e se tornou política”, cita.

Renato faz parte da Ação Antifascistas SP desde 2016 | Foto: arquivo pessoal

Combate ao capitalismo, ao racismo, LGBTfobia e todo tipo de intolerância são a essência dos antifas. Pensam também em novas formas de política, já que criticam a democracia representativa. “Acreditamos em uma superação, que existem outras formas de fazer política além da institucional e burguesa”, afirma.

Para isso, está na pauta o uso da violência como instrumento político – se necessário. Consideram que a polícia, como agente protetor das elites, reprime quem discorda e ameaça este grupo. “Essas ferramentas de repressão são nossas inimigas e, se houver necessidade, a gente vai enfrentar”, explica. 

Leia também: Antifascistas brasileiros homenageiam militante morta por racista nos EUA

Segundo Acácio, há três táticas básicas nas ações: informação e difusão, ao chamar atenção para grupos fascistas e a presença deles na política; exposição, ao descobrir ligação de indivíduos com essas ideias, mas que não são abertamente apoiadores; e táticas de defesa. “Não caracterizo a ação antifa como violência, caracterizo como autodefesa”, sintetiza.

Politicamente, o fascismo brasileiro aparece em figuras ao longo da história, como Getúlio Vargas, os militares da ditadura, Enéas Carneiro e Jair Bolsonaro. “O discurso ultranacionalista é uma das principais armas do fascismo nacional”, resume Suzane Jardim. Ela inclui também a desarticulação de movimentos sociais entre essas ações. “A ditadura fez isso: censurou movimentos sociais, matou e prendeu militantes”, destaca. 

A luta antirracista nos movimentos antifas

Se na década de 1980 o punk era o impulsionador da contracultura do antifascismo, hoje o hip hop assume esse papel. É o que afirmam o cientista social Acácio Augusto e a historiadora Suzane Jardim.

“Na Europa, principalmente na Espanha, França e Grécia, existe uma quantidade gigantesca de grupos de rap abertamente antifascistas. No Brasil, a gente tem o Djonga [rapper mineiro], com o álbum Olho de Tigre, que traz a frase ‘Fogo nos racistas'”, analisa Acácio.

Manifestantes quebram agência bancária, na cidade de São Paulo, em protesto em 2017: combate aos símbolos capitalistas | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

“‘Fuck the police’, do NWA, foi um hino nas revoltas de Los Angeles em 1992. Foi uma música censurada porque era totalmente fora da lógica cultural, ela não era para ser tocada. Quando ela começa a ser tocada, ela cria uma abertura de cabeças e movimenta corpos. O espírito antifascista perdura no hip hop”, completa Jardim.

Para a historiadora, não há antifascismo sem antirracismo. “Um dos maiores trunfos do antifascismo, como um todo, é pensar esse diálogo de base, desde organizações comunitárias até as torcidas organizadas. Quando eu vejo a torcida do Corinthians na rua, com uma bandeira antifascista, eu sei que ali eu consigo trocar uma ideia antirracista forte, eu sei que ali estão os meus companheiros”, explica Jardim.

Para ela, com a repercussão do protesto de domingo (31/5), em que as torcidas de futebol dos clubes paulistas se uniram contra o fascismo, é preciso discutir o racismo nesses espaços. “Ser nazista é feio, ser racista é feio. Hoje em dia, a não ser que você seja da família do presidente [Jair Bolsonaro], você não diz no meio do ônibus que você é racista”, pondera.

“As pessoas não assumem que elas são racistas, por mais que a gente saiba que o racismo é estrutural e todo mundo é infectado por isso, em maior ou menor grau”, completa a historiadora.

Movimentos atuais

Nos últimos tempos, as ideias de ultranacionalismo ganham outra roupagem e saem do armário. Getúlio Vargas, com a Era Vargas, foi o pioneiro de governos fascistas no país. Anos depois, o discurso voltou com força na figura de Jair Bolsonaro (sem partido) e seus apoiadores que passam a propagar ideais preconceituosos e ligados ao fascismo. Mas foi em 2016 que as ações antifas atuais começaram a ser organizadas: a AFA (Ação Antifascista São Paulo) nasceu no impeachment da então presidenta Dilma Rousseff. 

Em protesto antifascista, manifestante é agredido por PM na cidade de São Paulo, em 2016 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

“Começamos a nos reunir e contra-atacar grupos que agrediam pessoas que vestiam vermelho, que estavam se caracterizando enquanto esquerda. Com isso, surgiu a ideia de a gente criar algo mais sólido”, relembra Renato. Naquele ano teve início a Marcha Antifascista, forma de passar os ideais do movimento adiante.

Ao mesmo tempo, e ainda reflexo das manifestações de rua em 2013 adiante, a ligação dos antifas com a tática black bloc cresceu. A tática consiste em atacar símbolos do capitalismo, por exemplo, agências bancárias, como forma de criticar o sistema econômico atual. Essa estratégia se propagou pelo país a partir das manifestações populares de 2013. “Quebrar a vidraça é uma tática anticapitalista”, diz Renato.

No entanto, há que se diferenciar a tática do movimento. “Há um vínculo entre ambas, mas não uma associação automática. Tem antifascista que utiliza dessa tática, mas eu, particularmente, sou contra. Precisamos mudar esse personagem e mostrar o rosto para dialogar com a população”, pondera.

Segundo ele, a violência é uma ferramenta política usada pelos antifas contra o Estado “que impede a transformação social”. Contudo, os que querem criticar os antifascistas usam justamente a violência como argumento para deslegitimar e criminalizar as ações.

“Sabemos de que lado os policiais estão e a quem estão a serviço. Se são violentos, eu acho muito legítimo a população também se utilizar da violência”, diz. Assim como a tática black bloc, não é obrigatório o uso da violência. “É totalmente possível ser antifascista e ser pacífico. As pessoas ligam as coisas, mas não tem nada a ver. Muitos na organização não são adeptos do confronto”, afirma.

Suzane Jardim analisa da mesma forma. “A polícia, desde o seu surgimento, veio para proteger a família real, os políticos. Não veio para proteger a democracia e nem a vida”, resume. Segundo ela, o braço armado do Estado filtra os momentos em que a violência é legítima. Acácio Augusto vai além: “É muito fácil colar a pecha de violento com essas pessoas. Elas estão usando a violência com a violência prévia [do Estado]”, defende.

PM faz a escolta de protesto antifascista contra Jair Bolsonaro, na cidade de São Paulo em 2018 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

Segundo Jardim, é difícil comparar os fascistas do passado, em sua origem na década de 1920, com os do presente. “A história não se repete como ela foi no passado”, defende.

Como exemplos de posturas fascistas contemporâneas, ela cita João Doria (PSDB), governador de São Paulo, que fala em “acabar com a Cracolândia“; e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, que prometei na campanha “atirar na cabecinha“. “É um discurso bélico típico do fascismo. O fascismo de hoje é impossível de ser pensado sem o liberalismo”, afirma.

E é importante, segundo os especialistas, deixar claro que antifa não é crítica somente ao atual presidente. “Antifa não pode se resumir em oposição ao Bolsonaro, mas ao que constitui o fascismo contemporâneo: o supremacismo branco, autoritarismo governamental e a misoginia”, afirma Acácio. Sua tese é de que o fascismo, mais do que um ator político, se tornou uma prática com o passar dos anos.

Marcha antifascista realizada em abril de 2016 na cidade de SP | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

O professor da Unifesp vai além: vê nos instrumentos armados do Estado a forma de se impor o fascismo. Como? Pelas polícias. “O fascismo mora nas políticas de segurança. São o locus do fascismo democrático”, afirma.

“Quando polícia entra na casa de um menino de 16 anos, dá um tiro de fuzil e mata, mas a vida segue, essa sociedade está prontinha para o fascismo”, exemplifica, descatando que muita gente, caso houvesse prova de que a pessoa morta é bandida, defenderia essa ação de eliminá-la. “Isso é muito pior do que o fascismo histórico. É esse fascismo que temos de lidar”.

‘Fora Bolsonaro’ não é suficiente

O fascismo não pode ser personalizado em uma figura política. É uma ideia política, que perpetua há décadas. “Ser ‘Fora Bolsonaro’ não é suficiente. O fascismo é um plano que aparece com as crises do capitalismo. O Bolsonaro não foi eleito sozinho, a democracia permitiu isso”, disse uma integrante da Ação Antifascista São Paulo, que pediu para não ser identificada, à Ponte.

Detalhe da faixa em protesto antifascista, na cidade de São Paulo, contra Jair Bolsonaro em 2018 | Foto: Daniel Arroyo/Ponte Jornalismo

A luta do movimento paulista, afirma a militante, que integra o movimento desde 2016, quando ainda era estudante e participou das manifestações dos secundaristas, é também por emprego, por hospitais, pela aposentadoria. “Um governo fascista está pautado na supremacia branca, está pautado no ultranacionalismo, na exaltação do militar, do corpo branco enquanto corpo de poder, de opressão, de violência. Toda essa violência e opressão vai ser voltada para o povo preto, ao povo pobre”, argumenta.

Por isso, o trabalho da AFA-SP começa pela base: “A conscientização ajuda a superar algumas práticas e reprodução de opressões, que são estruturais. O nosso trabalho é de formação. Estaremos onde a periferia estiver, porque nós somos da periferia, e vamos pautar o antifascismo, a luta contra o racismo, a luta contra a LGBTfobia, a luta contra o sexismo, a luta contra a xenofobia”.

A ação da PM paulista, em manifestações e nas periferias, afirma a historiadora Suzane Jardim, é feita sistematicamente para combater ações como a do antifascismo. “A polícia existe para proteger o Estado, para proteger todas as forças sistemáticas que causam opressão. Não veio para proteger a democracia e nem a vida”, explica.

“A partir do momento que você tiver uma manifestação que vai favorecer o Estado, o sistema, mais a polícia vai fazer vista grossa. Quando as ideias são movimentos e revoltas que questionem o sistema, ela é violenta. Esse é o papel dela: filtrar toda a violência do Estado nos seus braços. Não é um mal treinamento, ela existe para isso. Não é um despreparo. A ideia é exatamente essa, a função principal da polícia é essa”, finaliza.