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Antidepressivos podem melhorar a qualidade de vida de forma duradoura?

·3 min de leitura

Equipe de pesquisadores da Arábia Saudita investigou se os antidepressivos podem melhorar a qualidade de vida dos pacientes de forma duradoura, a partir de dados do sistema de saúde dos Estados Unidos. A conclusão preliminar é que o uso da medicação não está associada com a melhora significativa do nível de bem-estar em comparação com aqueles que não usaram remédios do tipo, mas outros estudos ainda são necessários.

Publicado na revista científica PLOS ONE, o estudo que analisou os efeitos do uso de antidepressivos de forma duradoura foi desenvolvido por cientistas da Universidade King Saud. No total, a equipe analisou dados de mais de 17 milhões de pessoas diagnosticadas com a depressão.

Estudo investiga os efeitos do uso de antidepressivos na melhora da qualidade de vida (Imagem: Reprodução/Freestocks.org/Pexels)
Estudo investiga os efeitos do uso de antidepressivos na melhora da qualidade de vida (Imagem: Reprodução/Freestocks.org/Pexels)

"O efeito no mundo real do uso de medicamentos antidepressivos não continua a melhorar a QVRS [qualidade de vida relacionada à saúde] dos pacientes ao longo do tempo", defendem os autores da pesquisa. O principal argumento é de que "a mudança na QVRS foi comparável a dos pacientes que não usaram medicamentos antidepressivos", explicam.

Entenda o estudo sobre o uso de antidepressivos

Vale lembrar que, de forma geral, a depressão é uma condição que impacta a qualidade de vida de um indivíduo. Isso significa que ele é afeta nas esferas física, mental, emocional e social. A partir do tratamento — que deve englobar remédios, mas também psiquiatras e terapeutas —, é esperado que a pessoa retome aos padrões anteriores.

O estudo da Arábia Saudita questiona os impactos do uso de antidepressivos, usados de forma contínua, na melhora duradoura da qualidade de vida destes indivíduos.

Análise de dados

Para chegar a esta conclusão, a equipe de cientistas analisou dados de 17 milhões de pessoas, com mais de 18 anos, que foram diagnosticadas com depressão nos EUA. A pesquisa abrangeu diagnósticos que foram feitos entre 2005 e 2015.

Do total de diagnosticados, apenas 57% das pessoas receberam tratamento com medicamentos, principalmente antidepressivos de segunda geração, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) ou os inibidores de captação de serotonina e norepinefrina (IRSNs). No entanto, não foi incluída na análise qual tipo de remédio era usado, apenas o uso ou não.

Os autores do estudo concluíram que a mudança duradoura na qualidade de vida observada entre aqueles que tomam antidepressivos por mais de dois anos não foi significativamente diferente daquela observada entre as pessoas que não usaram a medicação.

Remédios não funcionam contra a depressão?

Na verdade, o atual estudo não prova que os antidepressivos não funcionam, já que a pesquisa foi construída a partir de relatos feitos pelos próprios pacientes e não envolveu nenhum tipo de ensaio clínico — grau de exigência científica para avaliar eficácia de remédios.

Outra limitação é que o estudo não analisou a gravidade dos casos de depressão incluídas na pesquisa, ou seja, a melhora de um caso grave teve o mesmo valor que a de um caso leve. Por fim, não considerou quais medicações eram usadas.

Então, esta pesquisa é apenas um indicativo de que a capacidade de melhorar a qualidade de vida a longo prazo pode ser limitada, mas ainda faltam dados robustos. Por isso, os autores sugerem que "estudos futuros não devem focar apenas no efeito a curto prazo da farmacoterapia, mas sim investigar o impacto a longo prazo das intervenções farmacológicas e não farmacológicas na QVRS desses pacientes".

Fonte: Canaltech

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