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Anticorpos de alpacas e burros, uma pista terapêutica contra a covid

·4 minuto de leitura

Cientistas do Chile e da Bolívia trabalham, separadamente, no desenvolvimento de anticorpos obtidos de alpacas e burros para tratar pacientes com covid-19.

A Universidade Austral do Chile, na cidade de Valdivia, no sul do país, tem avançado numa investigação com alpacas, captando o interesse de uma empresa alemã de biotecnologia para uma eventual distribuição mundial.

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Laboratórios de Saúde (Inlasa) da Bolívia começou a produzir soro intravenoso obtido de burros, com a cooperação do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Embora esses estudos não estejam interligados, os dois voltaram sua atenção para as proteínas "spike" ou "S" do coronavírus, as espículas que aderem a outros organismos permitindo a transmissão do vírus.

- Teste em "Buddah" -

Em fevereiro de 2020, quando a covid-19 fazia estragos no mundo, o cientista chileno Alejandro Rojas percebeu que uma pesquisa que ele havia iniciado três anos antes sobre anticorpos de alpacas para combater vírus emergentes poderia tomar um caminho inesperado.

Junto com sua equipe de 12 pesquisadores, começou a estudar "Buddah", uma alpaca marrom macho de quatro anos, com financiamento da Coalizão Coreana Contra Doenças Emergentes (Koicid), da Universidade Austral e fundos regionais de Valdivia (800 km ao sul de Santiago).

Rojas explicou à AFP que, para fazer o estudo, adquiriram de um laboratório chinês a proteína spike presente na superfície do coronavírus. Com ela, produziram uma vacina que foi administrada em Buddah.

"Em poucas semanas percebemos que a alpaca havia gerado anticorpos, da mesma forma que hoje acontece conosco quando nos vacinamos" contra a covid-19, acrescentou.

Ele indicou que usaram anticorpos de alpaca porque era mais fácil obter sua informação genética do que a de outros animais.

- "Chave e fechadura" -

Enquanto isso, o boliviano Inlasa começou a trabalhar em fevereiro em um soro de burro para doentes.

O Brasil forneceu a proteína spike que ele usou para inocular meia dúzia de burros para desenvolver anticorpos para produzir um soro hiperimune, explicou à AFP Gil Patrick Fernández, diretor do Inlasa.

"O burro é imunizado por cinco dias com a proteína S. A S é a proteína que as células respiratórias procuram, por isso, quando o vírus está presente, adere à membrana do tecido pulmonar", disse o especialista.

"O burro vai produzir anticorpos, depois vai produzir uma 'antiproteína S'", acrescentou.

Fernández destacou que para esta pesquisa, realizada em La Paz, o burro é ideal porque resiste aos 3.600 metros de altitude da cidade, suporta o frio andino e produz uma boa quantidade de antiproteína.

O plano é produzir um soro intravenoso que "agarra" a proteína spike do coronavírus, "se adere e o elimina" em um processo chamado de "chave e fechadura".

O soro é planejado para ser produzido em frascos de 5 centímetros cúbicos, semelhantes aos usados para as vacinas anticovid.

- Convênio com companhia alemã -

"Os anticorpos derivados do sistema imunológico dos camelídeos [andinos, como as lhamas e as alpacas] são mais simples que os nossos e podem ser facilmente produzidos em grandes quantidades", explicou à AFP o acadêmico Daniel Bórquez, do Centro de Pesquisas Biomédicas da Universidade Diego Portales do Chile.

Esses anticorpos podem ser administrados ao paciente em nebulizadores "para neutralizar os vírus encontrados no trato respiratório, principalmente nos pulmões", acrescentou.

A empresa alemã NanoTag Biotechnologies, produtora de reagentes à base de anticorpos, se interessou pelo trabalho dos cientistas chilenos e assinou um acordo de cessão de direitos para fins de pesquisa.

Enquanto isso, os pesquisadores chilenos estão conduzindo um estudo clínico na Universidade Austral para determinar se é seguro administrar os anticorpos a humanos e, posteriormente, implementá-los como terapia.

Na Bolívia também está prevista a realização de ensaios clínicos para seu uso em humanos, disse Fernández.

A ideia é que seja distribuído gratuitamente, sob supervisão médica, em hospitais que atendem pacientes com covid-19.

- Outras experiências -

Com a pandemia, as pesquisas com anticorpos animais se intensificaram: na Bélgica, pesquisadores do país e dos Estados Unidos trabalham em um tratamento para o coronavírus baseado em anticorpos de lhamas.

No Peru, cientistas estão investigando anticorpos de alpacas, enquanto a Argentina tem um soro equino hiperimune desenvolvido por cientistas do país.

Consultada pela AFP, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) afirmou que "nossos especialistas examinaram as opções terapêuticas de pesquisas publicadas sobre fragmentos policiclonais de anticorpos equinos. Atualmente, há pouca certeza sobre os resultados dessas pesquisas em escalas clínicas significativas. Mais pesquisas são necessárias".

A OPAS esclareceu ainda que seus especialistas "não participaram da análise das investigações que utilizam camelídeos para esse fim".

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