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Anticiclones podem estar "alimentando" a Grande Mancha Vermelha de Júpiter

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, abriga a Grande Mancha Vermelha, a tempestade mais famosa da nossa vizinhança espacial. A formação é observada desde o século 19 e os astrônomos perceberam que ela vem encolhendo. Uma hipótese propõe que isso aconteça devido a interações com anticiclones, que estariam tirando partes das nuvens da tempestade e diminuindo-a como consequência. Contudo, um novo estudo mostrou que este processo pode, na verdade, estar ajudando a manter a tempestade “viva”.

Tempestades com ventos que se movem em alta velocidade, como é o caso dos ciclones, costumam girar em torno de um centro com baixa pressão atmosférica; no hemisfério norte, essa rotação acontece no sentido horário, no hemisfério sul, em anti horário. Já os anticiclones têm sentido de rotação oposto ao dos ciclones — como é o caso da Grande Mancha Vermelha, um grande anticiclone que é acompanhado por outros menores.

Essa tempestade, responsável por uma das características mais marcantes de Júpiter, fica perto do equador do planeta, e a Grande Mancha Vermelha tem quase duas vezes o diâmetro da Terra, com ventos que alcançam a velocidade de 540 km/h. Apesar de sua formação ainda ser um mistério, os pesquisadores observaram que a Grande Mancha Vermelha vem encolhendo há 150 anos: em 1879, ela media 40 mil km de extensão, mas hoje chega a cerca de 15 mil km.

Filamento da Grande Mancha Vermelha sendo "puxado" após encontro com anticiclone (Imagem: Reprodução/AGU/Journal of Geophysical Research: Planets)
Filamento da Grande Mancha Vermelha sendo "puxado" após encontro com anticiclone (Imagem: Reprodução/AGU/Journal of Geophysical Research: Planets)

Ainda não se sabe bem o que está causando esta redução, mas é possível que a grande tempestade que forma a mancha esteja recebendo uma ajuda de suas colegas menores e menos intensas. Na verdade, antes de 2019, a tempestade maior era atingida por alguns anticiclones durante o ano, mas isso mudou: agora, mais de 20 deles a alcançam anualmente. Assim, Agustín Sánchez-Lavega, o principal autor do estudo, começou a investigar como estes fenômenos relativamente menores estavam afetando a rotação da tempestade maior.

Para isso, ele e seus colegas se voltaram para imagens da mancha, feitas pelo telescópio espacial Hubble, a sonda Juno e imagens feitas por astrônomos amadores. No fim, eles descobriram que os anticiclones menores passam pelo anel periférico da Grande Mancha Vermelha antes de circular em torno da formação maior. Com isso, elas acabam mudando temporariamente a oscilação da tempestade na longitude, e “rasgam” as nuvens vermelhas do fluxo principal.

Sequência de anticiclones numerados, que se aproximaram da grande tempestade em 2019 (Imagem: Reprodução/AGU/Journal of Geophysical Research: Planets)
Sequência de anticiclones numerados, que se aproximaram da grande tempestade em 2019 (Imagem: Reprodução/AGU/Journal of Geophysical Research: Planets)

Contudo, Sánchez-Lavega explica que a ingestão dos anticiclones não é necessariamente algo destrutivo, tanto que isso pode até aumentar a velocidade de rotação da Mancha e, quem sabe, contribuir para manter a estabilidade dela: “a vorticidade intensa da Grande Mancha Vermelha, com seu tamanho e profundidade maiores em comparação com os vórtices menores, garantem seu longo tempo de existência”, explica ele. Assim, conforme a tempestade maior absorve as menores, ela vai ganhando energia e estendendo sua "vida".

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets.

Fonte: Canaltech

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