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Antes modelo contra coronavírus, Chile está entre mais atingidos

Valentina Fuentes e Philip Sanders

(Bloomberg) -- Há dois meses, o Chile era admirado pela abordagem cirúrgica para a pandemia, com amplos testes e quarentenas por bairros. Hoje, o país tem uma das taxas mais altas de infecção per capita do mundo, e o ministro da Saúde foi obrigado a renunciar.

Avaliações iniciais sugerem que o Chile seguiu o modelo de países ricos, mas percebeu - mais uma vez - que uma grande porcentagem de seus cidadãos é pobre, um eco da desconexão do ano passado entre governo e nação, quando o aumento da tarifa do metrô causou protestos em massa.

“Há áreas de Santiago onde eu não tinha consciência da magnitude da pobreza e da aglomeração”, disse Jaime Mañalich, ministro da Saúde que renunciou no sábado, em entrevista a um canal de TV local, em 28 de maio. Não foi surpresa para chilenos que há muito tempo reclamam da divisão entre as elites que estudaram no exterior e o resto da sociedade.

Na terça-feira, o Chile registrou 5.013 novos casos, levando o total de infecções a 184.449, e disse que outros 31.412 casos não registrados anteriormente seriam adicionados nos próximos dias. Isso levaria a taxa de infecção do país bem acima de 10.000 por 1 milhão de pessoas, mais do que qualquer outro país além do Catar. Cerca de 3.383 pessoas morreram de Covid-19.

O que deu errado

O que deu errado no Chile está no centro do debate sobre as quarentenas, que especialistas em saúde agora reconhecem que funcionam bem para cidadãos com maior renda, mas não para os mais carentes. No final, a batalha contra o vírus no Chile parece ter sido vítima dos mesmos fatores que desencadearam crises em outros mercados emergentes - pobreza, pessoas que vivem aglomeradas e uma imensa força de trabalho informal. Ficar em casa por longos períodos, o mundo aprendeu dolorosamente, não é uma opção real para muitos.

“Se o governo tomar decisões sobre um mundo que não conhece, deve incluir pessoas desse mundo no processo de tomada de decisões”, disse Diego Pardow, presidente-executivo do think tank Espacio Público. “O problema com este governo é que apenas se envolve com sua própria gente.”

Como no resto da América Latina, a pandemia chegou ao Chile quando os ricos retornaram de férias nos EUA e na Europa e transmitiram o vírus nos escritórios e círculos sociais. Quando foram obrigados a ficarem em casa, puderam se isolar em apartamentos espaçosos e casas de férias.

O governo do presidente Sebastián Piñera agora corre para resolver o problema. Mais de 130 “residências sanitárias” foram criadas, onde pessoas infectadas para as quais o isolamento seria impossível podem se mudar enquanto se recuperam. O governo também importou centenas de respiradores e mais do que triplicou o número de leitos de terapia intensiva, permitindo que hospitais possam administrar o grande número de pacientes.

No sábado, o Chile também anunciou um pacote de estímulo de US$ 12 bilhões que aumentará a renda de famílias de baixa renda e desempregados, além de subsidiar a criação de empregos.

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