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Após queda histórica, serviços tentam se reinventar no digital

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Paying bill in cafe.
Para especialistas, o setor de serviços foi o que mais abraçou a digitalização no período da pandemia
  • e-commerce fechou em crescimento de 73,8% em 2020

  • O setor de serviços foi o que mais abraçou a digitalização no período da pandemia

  • Das setes atividades que compõem o setor, cinco apresentaram retração em 2020

Indústria, agronegócio e pecuária sentiram o impacto da pandemia do novo coronavírus. Mas nenhuma área foi tão afetada quanto a de serviços. O setor teve seu pior desempenho da história em 2020, com queda acumulada de 4,5%. É o destaque negativo pelo lado da oferta entre todos os segmentos do PIB do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com essa queda, os serviços puxaram o PIB pra baixo.

“É um impacto muito forte. Afinal, o setor de serviços trabalha muito com margens mais apertadas, fora do setor financeiro. Não era sustentável ficar seis meses de portas fechadas, muito menos mais de um ano sem normalizar vendas e fechamento de contratos”, diz Carlos Souza, professor de economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). “No entanto, dá para dizer que este é o setor com mais resiliência no País”.

Detalhes da queda

A quarentena, que foi mais rígida ao longo de 2020, impactou principalmente os setores de restaurantes, bares e hotéis, dentre outros. Eles, juntos, tiveram queda de 35,6% no ano passado, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços. Em setores de serviços profissionais, administrativos e complementares, enquanto isso, a queda foi de 11,4%. Já nos serviços de transporte, o recuo foi de 7,7% — em transporte aéreo, queda de 36,9%.

No entanto, isso vai além. Das setes atividades que compõem o setor, cinco apresentaram retração em 2020, sendo que três delas atingiram recordes de queda no ano passado, considerando a série histórica iniciada em 1981. São elas: transporte, outros serviços e administração pública. Em conjunto, essas três atividades de serviços representam 33% do PIB brasileiro e suas quedas são a principal razão para o fraco desempenho da economia.

Da queda de 4,1% registrada no PIB brasileiro em 2020, a parcela de 2,9 pontos percentuais (p.p.) deve-se ao desempenho das três atividades em conjunto. “Por ter um grande contingente de empregados, o setor de serviços trabalha como se fosse um relógio. Se uma engrenagem pifar, as outras vão se desgastando”, diz Juliana Frias, analista de varejo. “Se uma área do setor de serviços entra em crise, a economia degringola”.

Como exemplo do que aconteceu no ano passado, Juliana relembra que shoppings, cinemas e outros espaços do tipo logo fecharam. Demitiram pessoas. Esses desempregados, assim, passaram a consumir menos serviços — a comprar menos roupas, a ir menos no cabeleireiro, deixaram de ver um novo imóvel. É um efeito dominó. “Isso não acontece com a indústria e com o agro. As pessoas continuam comendo”, diz a analista.

No entanto, apesar da influência da pandemia, dá para dizer que o setor já não ia bem antes. Já no primeiro bimestre de 2020, algo não ia bem. “A economia, já bem no comecinho do ano, não apresentava sinais de um crescimento mais robusto em 2020 como era esperado antes”, complementa Carlos. “Acho que, mesmo se o primeiro contaminado de covid-19 não tivesse espalhado para mais ninguém, a queda teria sido grande”.

Foco na digitalização

Para especialistas, o setor de serviços foi o que mais abraçou a digitalização no período da pandemia — mesmo com indústria e agropecuária começando a usar, cada vez mais, tecnologias de apoio. O varejo, por exemplo, “sobreviveu” ao período de restrições apenas por conta da presença forte no digital. “Podemos dizer, até com certa tranquilidade, que as vendas em e-commerces salvaram o setor”, diz Juliana Frias, especialista em varejo.

De acordo com o Comitê de Métricas da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net), o e-commerce fechou em crescimento de 73,88% em 2020 em comparação com o ano anterior. No acumulado dos 12 meses, a participação do e-commerce no comércio varejista corresponde a 9,3%. Nordeste lidera o crescimento, em alta de 100,34%. Depois, Sul (79,22%), Norte (73,24%), Centro-Oeste (72,87%) e Sudeste (68,74%).

“Quando falamos desses números, é interessante olhar para dezembro do ano passado. As lojas já estavam reabertas, havia uma desaceleração nos casos e sem contar as festas. Ainda assim, o e-commerce cresceu 53,83% em dezembro de 2020 em comparação com o mesmo período de 2019”, continua Juliana. “Isso pode indicar que o brasileiro começou a ter as compras digitais como um hábito. Acredito que 2022 será um divisor de águas”.

Apesar de ser o mais evidente, não foi apenas o varejo que avançou na digitalização com a pandemia. Serviços de administração pública, por exemplo, deram um salto: hoje, 88 milhões de cidadãos estão cadastrados no portal do governo federal. É mais de 50 vezes acima do total registrado em janeiro de 2019, quando apenas 1,7 milhão de brasileiros usavam os serviços de forma digital. E esse número deve crescer em 2021 e 2022.

“O Brasil estava engatinhando na digitalização. Afinal, o Brasil era imenso e muitas pessoas simplesmente não tinham acesso”, diz Roberto Konishi, professor de economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Houve, assim, uma transformação na força durante a pandemia que mudou isso. A digitalização começou a avançar no interior do País em todas as áreas do setor de serviços. Acredito que, daqui pra frente, será tudo digital”.

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