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Ant Group: maior IPO da história é atrasado pelo governo chinês

Rui Maciel
·3 minutos de leitura

O regulador de valores mobiliários da China adiou por tempo indeterminado a Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da Ant Group, a gigantesca fintech do grupo Alibaba. Isso porque a entidade investiga um potencial conflito de interesses na listagem de ações, planejada em US$ 35 bilhões, o que tornaria esta a maior oferta pública da história.

Segundo a agência de notícias Reuters, a Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) está analisando o papel da Alipay, a plataforma de pagamentos que é o carro-chefe da Ant Group. Ela seria o único canal no qual investidores do varejo poderiam comprar cinco fundos mútuos chineses que investem no IPO. Esse arranjo deixou de lado bancos e corretoras, a rota tradicional para compra dos papeis a partir desses fundos. Mais de 10 milhões de investidores de varejo acumularam dinheiro nos cinco fundos mútuos quando eles foram lançados no final de setembro, destacando a influência de marketing da Alipay.

Sede da Alipay: papel do carro-chefe do Ant Group vem sendo investigado pelo governo chinês (Foto: Wikimedia/ David290)
Sede da Alipay: papel do carro-chefe do Ant Group vem sendo investigado pelo governo chinês (Foto: Wikimedia/ David290)

Em diretrizes que entraram em vigor no dia 1º de outubro, o CSRC afirmou que os distribuidores de fundos mútuos devem evitar conflitos de interesse na venda de produtos relacionados a seus outros negócios existentes e potenciais. Fontes próximas ao caso relataram a Reuters que, no entanto, é improvável que a investigação inviabilize o IPO da Ant Group, embora não esteja claro qual será o resultado das investigações.

Mas o fato é que esse processo já atrasou os planos da Ant Group, já que a empresa esperava obter a aprovação do CSRC no mês passado. Além disso, a empresa estreitou a janela do IPO para antes da eleição presidencial dos Estados Unidos, que acontece no próximo dia 3 de novembro. Mais um atraso poderia alimentar incerteza para os mercados globais.

A Ant Group vem buscando uma listagem dupla, nas bolsas de Xangai e Hong Kong ainda neste mês e precisa da aprovação do CSRC para ambas. O atraso na aprovação pelo órgão mobiliário do país asiático forçou a fintech a adiar uma audiência com a bolsa de valores de Hong Kong, a última parte do processo de aprovação para a listagem neste mercado.

No sentido oposto, a bolsa de Xangai liberou a listagem da Ant Group em apenas 24 dias. Trata-se um prazo muito menor se comparado com a maioria dos candidatos ao IPO que obtiveram aprovação em setembro. De acordo com divulgações públicas da bolsa, essas empresas levaram cerca de quatro meses no processo.

 
Maior IPO do mundo

Com a venda de US$ 35 bilhões em papeis, o IPO da Ant Group seria considerado o maior de todos os tempos. Ele pode superar a oferta pública inicial da Saudi Aramco, gigante árabe do petróleo, que movimentou US$ 29,4 bilhões em dezembro do ano passado. Hoje, a fintech é considerada a startup mais valiosa do planeta, com valuation estimado em US$ 150 bilhões.

O processo de listagem da fintech do grupo Alibaba foi marcado por sigilo, com a empresa pedindo aos principais banqueiros que assinassem pessoalmente pactos de confidencialidade. Além disso, alguns investidores foram pressionados a explicar por que deveriam ter permissão para participar de reuniões de marketing.

Sede da Alibaba: maior IPO da história com a sua Ant Group (Foto: Wikipedia)
Sede da Alibaba: maior IPO da história com a sua Ant Group (Foto: Wikipedia)

Originalmente, a Ant Group planejava ter uma audiência com o Comitê de Listagem da Bolsa de Hong Kong em 24 de setembro, lançando seu IPO após o feriado de uma semana do Dia Nacional Chinês, que terminou em 8 de outubro. A empresa ainda espera que a audiência de Hong Kong ocorra nos próximos dias.

As bolsas e os reguladores examinam os prospectos do IPO e questionam as empresas sobre questões-chave, incluindo finanças, governança corporativa, acionistas e fatores de risco como parte de suas análises.

Contatada pela Reuters, a Ant Group não quis comentar, bem como a CSRC e a a bolsa de Hong Kong.

Fonte: Canaltech

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