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A relação entre ansiedade e skincare é mais profunda do que você pensa

A ansiedade pode piorar questões de pele como acne e vitiligo, além de causas o surgimento de melasmas (Foto: Getty Creative)

Um dia é uma espinha. Em outro, uma mancha avermelhada no rosto, aparentemente sem motivo. Depois, chega a TPM e as espinham surgem aos montes de novo. Em casos extremos, o que desencadeia é o vitiligo; para outras mulheres, o que chama atenção é o retorno de uma herpes ao redor da boca. A cada dia de quarentena, olhar para a própria pele é uma verdadeira aventura, e não há rotina de skincare coreana que salve a sua dos efeitos da ansiedade. 

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Aliás, talvez você nem soubesse que as duas coisas são relacionadas, mas, acredite, a ansiedade e o estresse têm efeitos dos mais diversos na sua da pele, no cabelo (quem não sofreu com quedas bruscas dos fios nos últimos três meses, que atire a primeira pedra), e no corpo como um todo. 

A quebra brusca de rotina, mudanças na alimentação e até na quantidade de sol que tomamos diariamente (mesmo que de forma indireta, quando vamos até o ponto de ônibus de manhã, por exemplo) gerou uma série de efeitos no corpo que, somados ao medo e a incerteza do futuro, levou muitas mulheres a verem os problemas de pele crescerem de forma quase exponencial. 

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Importante notar que, por si só, o Brasil já era considerado um dos países mais ansiosos do mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, por aqui são mais de 18 milhões de pessoas que convivem com transtornos de ansiedade - quase 10% da população total. A OMS diz, inclusive, que no Brasil se vive uma epidemia de ansiedade. Imagine os efeitos de uma pandemia de COVID-19 sobre esse quadro já bem problemático. 

"O estresse e a ansiedade podem levar ao aumento dos níveis de cortisol no organismo", explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. "E esses níveis elevados podem levar ao aumento de oleosidade e a acne, tanto seu aparecimento como a piora de um quadro pré-existente. Por isso a pele pode ficar com os 'poros dilatados'".

Ou seja, as espinhas são uma forma de demonstrar que essa descarga hormonal está desregulada. O melasma, aquelas manchas castanho-escuras muito comum na pele de mulheres brancas, também indica que a ansiedade está acima do normal. O mesmo vale para uma pele que, de repente, ficou ressecada demais. Casos de dermatite atópica, dermatite seborreica e alopecia areata também podem piorar. 

Segundo a média, esses efeitos podem ser temporários, desde que diagnosticados adequadamente. Sem tratamento, essas questões podem se tornar crônicas e piorar com o tempo. Por isso, é tão importante consultar um médico dermatologista para tratar as questões no início e evitar tratamentos mais agressivos ou questões permanentes. 

Skincare que cuida e não sobrecarrega

Falando em rotinas de skincare coreanas, o que vimos, nos últimos anos, é um boom com os cuidados com a pele. Entre 2017 e 2018, as buscas pelo termo skincare aumentou 22%, segundo o Google, e o aumento foi ainda mais impressionante no Youtube: 71% mais buscas. Por mais que esse cuidado seja mais do que recomendado pelos dermatologistas, é preciso atenção para também não sobrecarregar a pele ao tentar lidar com os efeitos da ansiedade e do estresse. 

Segundo a Karla Lessa, médica e sócia do Instituto Lessa, essa rotina é muito importante para a manutenção de uma pele saudável. Em alguns casos, a avaliação dermatológica é mais do que necessária, até para garantir o uso dos produtos adequados para o seu tipo de pele. Mas, via de regra, uma rotina completa segue os seguintes passos: 

  1. Limpeza com óleo/água micelar;

  2. Limpeza profunda com sabonete ou esfoliação;

  3. Tônico;

  4. Óleo essencial;

  5. Antioxidante (sérum/booster);

  6. Creme para área dos olhos;

  7. Creme de rejuvenescimento;

  8. Hidratante;

  9. Protetor solar.

Essa rotina pode ser mais simples no dia a dia e completa nos finais de semana, por exemplo, mas é importante torná-la parte dos seus hábitos de autocuidado. Aliás, as duas médicas apontam que esse cuidado é essencial, mas ele, sozinho, não evita que os problemas de pele voltem a aparecer. Para isso, ele precisa ser combinado com outro ponto chave quando se fala em cuidar de si mesma: psicológico.

Saúde mental primeiro, pele em segundo lugar

Fato é: você pode ter a rotina de pele mais completa e bem feita do mundo, isso não significa nada se os seus níveis de estresse e ansiedade se mantêm altos. Por isso, o cuidado primordial precisa ser com a saúde da sua mente, seguida com os cuidados básicos com o corpo.

Leve em consideração a sua saúde física e mental. A prevenção é um ato de amor com a sua pele e o seu corpo, diz Karla.  

Inclusive, nesse caso pode-se dizer que as funções se complementam, já que cuidar do corpo pode ser um catalizador de cuidado com a mente. "A atividade física (mesmo dentro de casa) aumenta o fluxo sanguíneo e a oxigenação de tecidos, inclusive da pele, o que ajuda na desintoxicação de radicais livres. Além disso, o exercício é capaz de reduzir os níveis de cortisol do organismo, melhorando a oleosidade e a acne", diz, Paola.

Incorporar exercícios de respiração e meditação ao longo do dia, buscar momentos de pausa para relaxar e desligar das notícias do país e do mundo, conversar com amigos e familiares (mesmo via videoconferência) também são formas de diminuir o estresse e cuidar dos seus níveis de ansiedade. Vale lembrar que muitos profissionais de saúde mental, como terapeutas e psicólogos, seguem fazendo atendimentos online no período de quarentena. 

O que fica, no fim das contas, é o entendimento de que a pele não é um organismo separado do corpo: assim como muitas condições de saúde, é uma parte integrada que reflete o que acontece no âmbito interno. Cuidar de um é, necessariamente, cuidar de outro. 

"É preciso consciência do seu estado de estresse ou ansiedade e aprender a lidar e a controlar. Cada um de sua maneira. Afinal, parafraseando Caetano, 'cada um sente na pele a dor e a delícia de ser o que é'", finaliza Paola.