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Por que 2020 não foi um ano perdido na escola?

Ava Freitas
·3 minutos de leitura
Boys and girls sitting at desks, raising hands.
Por que 2020 não foi um ano perdido na escola? Foto: Getty Images

Por Ava Freitas

Sem aulas presenciais desde março por conta da pandemia do novo coronavírus, 2020 está deixando pais, mães e responsáveis por crianças e adolescentes em idade escolar angustiados. Será que o estudante está aprendendo algo? Será que este foi um ano perdido na escola?

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“Ao falarmos em perda do ano, o que queremos dizer? Que os estudantes não aprenderam nada? Isso não é verdade. Que aprenderam muito menos do que deveriam? Possivelmente sim”, afirma Camila Fattori, coordenadora pedagógica da Cedac Comunidade Educativa, organização social que, desde 1997, trabalha com redes públicas de ensino na formação continuada de profissionais da educação.

Segundo Camila, os danos em termos de aprendizagem são importantes para todos os estudantes e principalmente mais graves para uma parcela significativa que não teve acesso a nenhuma atividade remota nesse período ou teve, mas de uma forma bastante restrita por não terem acesso a tecnologias de informação e comunicação que permitissem atividades mais elaboradas e interativas.

Saúde mental

Já a psicóloga Gabriela Malzyner, mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo e professora do curso de formação em psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP), diz que os pais devem repensar essa visão de que o ano escolar foi perdido. De acordo com ela, o novo coronavírus tem proporcionado aprendizados até mais importantes do que os formais, que podem ser recuperados em 2021.

“Não dá para fingir que estamos em uma situação normal, por isso temos de rever o que se que espera de nós – crianças, jovens e adultos”, pondera Gabriela. Ela completa falando que os adultos precisam aliviar a pressão sobre o desempenho escolar. “Cuidar da saúde mental da família como um todo é mais importante agora.”

Conexão realidade/sala de aula

Para a coordenadora pedagógica, os dois aspectos – o da educação formal e o emocional – têm importância, mas ela não descarta que muitas aprendizagens dessa situação excepcional que vivemos se conecta com os conteúdos da Base Nacional Comum Curricular, documento que orienta o que é ensinado em sala de aula.

“Há muitas aprendizagens que a sociedade, incluindo os estudantes, está conquistando com a pandemia e que podem ser promovidas agora. Podemos aprender mais sobre empatia, sobre cuidar uns dos outros, sobre tecnologia, sobre o cuidado com nosso corpo...”

Combatendo a desmotivação

Para os pais que estão excessivamente preocupados com o desempenho escolar, a especialista em educação fala que o que crianças e jovens deixaram de aprender na escola em 2020 é possível de ser recuperado. “Terá de haver um plano para isso, nos próximos dois anos, a depender das decisões que forem tomadas daqui para frente”, diz ela.

Outro ponto importante, na opinião da especialista em educação, é combater a desmotivação que está atingindo muitos estudantes e que pode levar à evasão escolar. “É importante a família se comunicar com a escola para que, juntos, se possa pensar em formas de apoiar esse aluno. As escolas podem ampliar atividades com foco no acolhimento, e familiares podem ampliar os momentos de estar junto, de conversar, de brincar, de jogar e até mesmo buscar auxílio profissional de psicólogos em casos extremos”, finaliza Camila.