Ano de 2013 não será de pujança, diz presidente da AEB

As previsões para a balança comercial brasileira em 2013 feitas pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) indicam que o próximo ano não deve ser de pujança na economia, segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro. A redução na importação de bens de capital sinaliza que empresários ainda não devem aumentar investimentos, o que pode voltar a impactar a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) no Produto Interno Bruto (PIB) do ano. A diminuição da importação de matérias-primas e produtos intermediários também denota um ritmo ainda lento da produção industrial.

"O estímulo das empresas para importar e investir em bens de capital não é dos maiores. Na verdade, a gente já nota neste fim de ano que a importação de bens de capital está mostrando perda de fôlego. É a tendência para 2013", disse Castro. Segundo ele, 2013 é um ano com muitas interrogações, entre elas a persistência da crise na Europa, as barreiras aos produtos manufaturados brasileiros na Argentina e as incertezas sobre o abismo fiscal nos Estados Unidos. "E mesmo (incertezas) no mercado interno. Após dois anos de Pibinho, você pensa: investir para que se o Pibinho não está crescendo?", completou. "Pode voltar a afetar (a FBCF) em 2013", reforçou.

A associação prevê uma queda de 4,8% na importação de bens de capital, além da redução de 1,9% na de matérias-primas e produtos intermediários, insumos da indústria de transformação. "As matérias-primas e os produtos intermediários são exatamente a base para o processo industrial e a atividade industrial não está com fôlego. Ao contrário, está com pouco fôlego, e isso se reflete diretamente nas importações", explicou Castro.

A previsão da AEB para o crescimento do PIB em 2013 é de 3%, sem a contribuição do comércio exterior. "Espero que não seja como em 2012, que começou com 4,5% (a previsão de expansão do PIB) e vai terminar em 1%", lembrou.

A AEB espera uma diminuição de 20% no superávit comercial em relação a 2012, puxada por um aumento na importação de combustíveis e uma redução na exportação de produtos industrializados. Mas atribui o salto de 16,7% na importação esperada de combustíveis e lubrificantes aos problemas de registro de informações da Petrobras neste ano. Com o atraso na divulgação dos resultados da empresa, parte das importações realizadas em 2012 será registrada apenas em 2013.

"Este ano houve um descasamento entre as importações da Petrobras e o registro da importação. Até agora, o registro dessas importações que deixaram de ser registradas ainda não ocorreu. Normalmente, em dezembro, o governo sempre procura ter um superávit mais elevado, antecipando embarques de exportação e adiando embarques de importação, então a expectativa é de que isso passe para 2013", afirmou Castro.

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