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ANJ e Abraji repudiam censura de matérias do GLOBO sobre estudo sob suspeita com proxalutamida

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RIO — A Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgaram, nesta quinta-feira, nota de repúdio contra a decisão do juiz Manuel Amaro de Lima, da 3ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho do Amazonas, que ampliou a censura contra matérias do GLOBO sobre estudos sob suspeita com proxalutamida para o tratamento da Covid-19 em uma rede de saúde privada.

Segundo a nota da ANJ, a decisão fere o direito à informação da população. "O que se espera é que o próprio Judiciário, em outra instância, reestabeleça a livre atividade jornalística. A censura ao Globo violenta o direito dos cidadãos de terem acesso a informações de seu interesse”, diz o texto.

A entidade classificou ainda a decisão como um "lamentável caso de censura, em completo desacordo com o que determina a Constituição".

A Abraji informou, também em nota, que vê com preocupação as decisões da Justiça do Amazonas contra veículos "que se propuseram a cumprir seu papel de informar e jogar luz sobre questões de interesse público relacionadas à ética médica e científica".

"A proibição prévia de publicação de conteúdos é inconstitucional. E ainda que o juiz considere não ter praticado censura, sua decisão de impedir que o nome da empresa patrocinadora da pesquisa seja mencionado inviabiliza a continuação das reportagens, prejudicando o direito à informação de todos os cidadãos", conclui.

A Justiça do Amazonas, já havia ordenado, neste mesmo processo, que O GLOBO apagasse três textos sobre o tema publicados no site do jornal. A nova decisão também proibiu a publicação de qualquer outro material que cite o nome ou traga fotos relativas à rede de saúde privada que acolheu e patrocinou um ensaio clínico com uma substância chamada proxalutamida para o tratamento da Covid-19. O remédio nunca foi usado em escala comercial e ainda não tem eficácia comprovada contra nenhuma doença.

Segundo a nova decisão, dada em caráter liminar após um novo pedido da rede de hospitais, o magistrado ordenou que seja retirada do ar até mesmo a reportagem sobre o protesto da Associação Brasileira de Imprensa contra sua decisão. O GLOBO vai recorrer da decisão.

Até hoje o remédio é mencionado em propagandas pagas da rede em canais de TV e rádio amazonenses. Jair Bolsonaro e seus filhos também passaram a falar na proxalutamida como nova promessa de cura contra a Covid, com a mesma insistência com que antes divulgavam a cloroquina.

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