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Anfitriões do Airbnb recorrem a aluguéis de longo prazo durante o surto de coronavírus

Foto: Omar Marques/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

A pandemia do novo coronavírus está causando estragos no setor de hospitalidade e turismo, e os anfitriões do Airbnb no mundo todo estão perdendo reservas. Mas em vez de ficarem parados vendo seu negócio afundar, eles estão abrindo espaço para os aluguéis mensais.

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Nos EUA, alguns anfitriões do Airbnb começaram a anunciar seus imóveis para locação mensal em plataformas de aluguel de longo prazo, como o Kopa, de San Francisco, um serviço voltado para locações mensais, e o Homads, plataforma especializada em aluguéis de médio prazo de Austin.

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"Para muitos anfitriões, é o momento de perceber o valor dos aluguéis de médio prazo. Nessa modalidade, o tempo dedicado à administração da propriedade é 90% menor, e a receita acaba sendo maior ao longo do ano", conta Jack Forbes, CEO e cofundador do Kopa. Segundo ele, muitos anfitriões que usam sites de aluguel de curto prazo, como o Airbnb, têm uma ocupação média anual abaixo de 50%, enquanto sites como o Kopa têm uma taxa de ocupação de 95%.

O número de acessos do Homads subiu 500% desde fevereiro, segundo a cofundadora e CEO Vi Nguyen. Já no Kopa, o número de anfitriões e imóveis publicados aumentou dez vezes. 

"É um momento difícil. Ninguém sabe o que vai acontecer, mesmo depois que a pandemia passar. A estabilidade dos aluguéis de longo prazo é convidativa", explica Vi.

Enquanto isso, alguns anfitriões do Airbnb estão retirando seus imóveis da plataforma de aluguel de curto prazo. Nos EUA, 43 mil propriedades desapareceram do Airbnb desde janeiro. De acordo com a AirDNA, havia 1.045.000 propriedades ativas no Airbnb em janeiro nos EUA. Em março, esse número caiu para 1.002.000.

Novo perfil de hóspedes

Mais de 750 anfitriões acessaram o Facebook em busca de ideias para conseguir renda durante esse período difícil. Alguns sugerem alugar para enfermeiros e profissionais de saúde que não querem expor suas famílias ao vírus em casa. Outros sugerem alugar para estudantes que estão à procura de um lugar para morar, pois a maioria dos alojamentos foi fechada. 

"As taxas de conversão [referente a usuários que acessam um site e avançam até o uso do produto vendido] são muito altas entre enfermeiros que não querem levar o vírus para casa ou pessoas que moram com idosos ou imunossuprimidos", afirma Vi. "Muitas pessoas querem ficar em algum lugar isolado para fazer a quarentena."

"As pessoas estão muito assustadas. Ninguém quer fazer planos porque ninguém sabe por quanto tempo as coisas vão ficar paradas", pondera Jason Centeno, dono e administrador de mais de 20 imóveis na Filadélfia.

Alex Rep, proprietário de sete imóveis que alugava para curto prazo na cidade de Kansas, conseguiu cinco inquilinos de longo prazo, incluindo um paciente com câncer que morava em um alojamento fechado pela pandemia. 

"Existem várias pessoas que nunca alugaram no curto prazo, mas precisam de um lugar para ficar e não sabem onde procurar, e nós aproveitamos essa oportunidade", explica Alex. "No começo, eu estava em pânico, mas passou. Com certeza vou ganhar menos do que o normal, mas não posso reclamar porque a única alternativa é fechar, como muitos hotéis."

Airbnb gera controvérsias 

Geralmente, quando um hóspede cancela a reserva no Airbnb, o anfitrião recebe uma compensação. No entanto, devido à pandemia de coronavírus, o Airbnb passou a exigir que os anfitriões reembolsem os cancelamentos, o que fez muitos anfitriões se sentirem traídos pela plataforma.

"Os proprietários estão muito irritados. Com certeza, alguns vão voltar a usar o Airbnb quando a pandemia passar, mas muitos não voltarão porque consideram essa uma quebra de confiança e ficaram extremamente decepcionados", conta Vi.

Na cidade de Nova York, a receita total do Airbnb caiu quase pela metade de 22 de fevereiro a 23 de março, passando de US$ 14 milhões para US$ 9 milhões. Além disso, a taxa de ocupação caiu de 37,3% para 24,2%. Em Seattle, de fevereiro a março, a receita caiu de US$ 3 milhões para US$ 2 milhões, e a ocupação de 52,4% para 28,2%, segundo a AirDNA. 

Em Austin, o golpe foi ainda maior. A receita caiu de US$ 8 milhões para US$ 5 milhões de fevereiro a março, e a ocupação passou de 56,9% para 34,1%. Na comparação anual, a diferença é ainda maior. Como o festival de música e artes South by Southwest foi cancelado, os anfitriões da cidade perderam a maior temporada de viagens do ano. No ano passado, a arrecadação foi de US$ 16,1 milhões no período de 10 dias do festival, mas este ano foi de apenas cerca de US$ 9,8 milhões.

E o problema não se limita aos EUA. Há relatos de que os anfitriões do Airbnb também estão recorrendo a soluções de aluguel de longo prazo na Austrália e na Nova Zelândia. Segundo Vi, a cidade de Toronto também foi bastante afetada.

O Airbnb afirmou em um comunicado que está "trabalhando dia e noite em um plano de ação que ajude [os anfitriões] a superar esse momento extremamente difícil". A empresa ainda acrescentou: "Nosso sucesso depende do sucesso dos nossos anfitriões".

Contribuições durante a pandemia de COVID-19

Apesar da frustração, a maioria dos anfitriões entende que o Airbnb e outras plataformas de aluguel de imóveis estão tomando decisões difíceis para continuar vivos no mercado. Várias dessas plataformas anunciaram iniciativas humanitárias para ajudar na pandemia.

O Airbnb firmou uma parceria com os anfitriões para oferecer um lugar a 100.000 pessoas que estão trabalhando para conter a pandemia de COVID-19 no mundo todo, inclusive profissionais de saúde, trabalhadores humanitários e socorristas de organizações como a Cruz Vermelha, o Comitê Internacional de Resgate e o International Medical Corps. O Airbnb tem um fundo monetário para estadas gratuitas e subsidia o restante em cerca de 15%. Em um programa-piloto na Itália e na França, o Airbnb conseguiu 6.000 anfitriões voluntários, segundo um tuíte do CEO da empresa, Brian Chesky, em 26 de março.

Enquanto isso, o Kopa lançou um programa chamado "Kopa for Good" (Kopa para o bem, em tradução livre), que visa a disponibilizar 10 mil apartamentos mobiliados para pessoas desalojadas devido à COVID-19. Esses apartamentos devem ter uma política de cancelamento flexível, limpeza profissional, desconto de pelo menos 20% e oferecer sabonete e papel higiênico. Os hóspedes são estudantes estrangeiros que não podem mais morar nos alojamentos estudantis nem voltar para casa, profissionais de saúde e pessoas que moram com parentes do grupo de risco, entre outros.

"Muitos anfitriões estão apoiando as pessoas afetadas pela COVID-19 com uma vontade genuína de ajudar", relata Jack.

Sarah Paynter

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