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Anfavea revisa previsão para 2020 de alta de 9,4% para queda de 40%

Carlos Prieto

Associação que representa as montadoras de veículos apresentou seu novo cenário nesta sexta O cenário para o setor automotivo no Brasil para 2020 passou de expansão de 9,4% nas vendas internas, previsto no início do ano, para retração de 40% após os impactos da crise causada pela pandemia da covid-19. Ao apresentar os números de maio nesta sexta-feira, Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou a nova projeção para o setor neste ano “dentro do atual cenário da economia”.

Comunicação Volkswagen do Brasil

A expectativa inicial de vender 3,05 milhões de veículos em 2020 caiu para 1,65 milhão, pouco mais metade da previsão inicial. “Perdemos praticamente dois meses de produção [abril e maio]. Em junho, ainda não esperamos grande recuperação. Esperamos que o terceiro trimestre melhore e o quarto melhore ainda mais”, afirmou Moraes.

O setor retomou a produção em maio, depois de praticamente ficar parada durante abril. Foram montadas 43,1 mil unidades no mês passado. A volta, no entanto, ainda é lenta, com adoção de protocolos de controle de segurança e saúde. A maioria das montadoras está trabalhando com apenas um turno.

O problema maior, no entanto, está na outra ponta. As concessionárias estão voltando a reabrir em grandes centros, como São Paulo, mas há dúvidas sobre como será a volta do consumidor. O setor fechou maio com 200 mil unidades em estoque, sendo 136 veículos nas concessionárias. O estoque total equivale a 97 dias de vendas, quando o setor considera como saudável um volume suficiente para 30 a 35 de vendas.

A Anfavea prevê que o segundo trimestre será um dos piores da história do setor. As vendas em São Paulo, maior mercado automotivo, caíram 98% no com a pandemia. As exportações também foram afetadas pela covid-19 e o cenário de retorno é ainda mais incerto. “Cada país tem seu estágio. Não é possível saber como as exportações vão se comportar”, disse Moraes.

No acumulado do ano, os embarques acumulam queda de 44,9%, com apenas 100,1 mil unidades exportadas. Em receita, a queda acumulada é de 40,5%, somando apenas US$ 2,5 bilhões.