Andrade Gutierrez tem interesse no trem-bala

A Andrade Gutierrez tem interesse no projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) tanto como operadora quanto como construtora. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo diretor da empresa Marco Antônio Ladeira, durante o I Congresso Metroferroviário Brasileiro, em São Paulo. "O grupo Andrade Gutierrez tem interesse em todas as fases", disse o executivo, explicando que a construtora hoje representa apenas 20% dos negócios do grupo. A Andrade Gutierrez é sócia, por exemplo, da CCR, que atua nos segmentos de concessões rodoviárias e aeroportos, entre outros.

A primeira fase do leilão do TAV, prevista para ocorrer em 2013, escolherá o consórcio responsável pela operação do TAV e qual tecnologia será usada. A CCR já anunciou que tem interesse no projeto. Questionado sobre se a Andrade Gutierrez e a CCR podem disputar a primeira fase do leilão como concorrentes, Ladeira disse que essas decisões são de responsabilidade do conselho de administração. "Eu não saberia responder."

Com relação ao setor aeroportuário, para evitar conflito de interesse nos negócios, a Andrade Gutierrez e a Camargo Corrêa, que detinham ativos aeroportuários no exterior, decidiram vendê-los à CCR. Ficou acertado que, daqui para a frente, investimentos nessa área serão feitos somente por meio da CCR.

Ladeira defendeu que o novo edital do TAV, que deve ser divulgado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no próximo dia 26, traga ao investidor algum tipo de proteção quanto à variação cambial. "Há um volume de importação muito grande. O tema precisa ser contemplado no projeto. Isso é muito importante", afirmou. Ele sugeriu, por exemplo, a criação de "uma banda". "É como se fosse um hedge. Até um determinado valor (de variação no câmbio), o risco seria do empresário. Acima disso, o governo poderia tomar esse risco."

Segundo Ladeira, a Andrade Gutierrez participou de um grupo que ao longo de dez meses, entre 2010 e 2011, estudou o modelo antigo do edital do TAV. Ele apresentou dados que mostram a dimensão do projeto do TAV: aproximadamente 100 túneis, mais de 90 milhões de metros cúbicos de escavação, um milhão de toneladas de aço, 125 milhões de horas de serventes. "Os cálculos mostraram que, no prazo de construção de oito anos, seria necessário trabalhar com uma média de 20 mil trabalhadores por mês", diz. De acordo com ele, só com relação às obras de escavação, o TAV equivale a uma usina e meia de Itaipu.

Na sua opinião, o modelo atual, que divide o projeto em duas partes - a que definirá o operador e a que definirá os responsáveis pela construção - é mais adequado. "Havia antes uma dificuldade maior de identificar riscos e oportunidades", disse.

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