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Anatel prevê fibra compartilhada para evitar gasto de R$ 20 bilhões com postes

Felipe Junqueira
·2 minutos de leitura

Resolver a bagunça nos postes de energia elétrica em mais de 1.400 cidades do Brasil pode custar muito caro, e a Anatel sugere uma alternativa que considera mais viável e que deve, no mínimo, resolver o problema da poluição visual em áreas urbanas: um operador neutro.

É o que defende um estudo da área de competição da Agência Nacional de Telecomunicações, que estimou em R$ 20 bilhões a arrumação dos fios nesses 1,4 mil municípios do país em que há pelo menos cinco operadoras de telecomunicações. Um valor alto, especialmente considerando que na maior parte dos casos, são prestadoras de serviços regionais, cujo relacionamento com as distribuidoras de energia elétrica tem sido conturbado.

A solução, portanto, seria o uso compartilhado de uma fibra apagada, já instalada e ainda não utilizada. Essa rede pode ser utilizada por mais de uma operadora, já que em muitos casos a empresa que passou o cabo não utiliza sequer 10% da capacidade. O operador neutro ficaria responsável pela instalação e manutenção dos cabos.

Para as prestadoras de serviços de telecomunicações, a vantagem seria uma redução nos custos, enquanto as cidades, como já mencionado, teriam uma redução no número de fios viajando entre os postes. Elas poderiam definir, em comum acordo, uma empresa para funcionar como operadora de rede. Já a operadora da infraestrutura de postes seria regulamentada por Anatel e Aneel, junto a outras reguladoras envolvidas.

Projeto piloto

De acordo com a Anatel, um outro tipo de compartilhamento de infraestrutura foi definido no quarto trimestre de 2019, com um projeto piloto a ser realizado em Belo Horizonte. Neste caso, a American Tower planeja utilizar infraestrutura já existente da antiga Infovias para levar uma rede de fibra “aberta” para aproximadamente 300 mil casas na capital de Minas Gerais. A rede também poderá ser utilizada por operadoras que queiram levar banda larga e serviços de vídeo e voz em FTTx.

“A mágica por trás do modelo está em uma rede virtualizada em que, sobre as OLTs (Optical Line Terminal), há uma camada de software que permite a operação de diferentes assinantes de diversos provedores de serviços, com parâmetros diferentes para cada um, como se fosse uma OLT virtual”, explica o relatório da Anatel.

Bom notar que é apenas um estudo da área de competição da Anatel, e a proposta deve ser apresentada ao setor para estudo e discussões. Se as empresas envolvidas aceitarem, a proposta deve aproveitar a implementação do 5G para solucionar mais este problema nas telecomunicações do país.

Fonte: Canaltech

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