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Anéis dos troncos das árvores podem indicar os efeitos causados por supernovas

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

As supernovas são eventos poderosos: em apenas alguns meses, uma só explosão estelar dessas pode liberar a mesma quantidade de energia que o Sol emitirá durante toda a sua vida. Agora, um novo estudo feito por Robert Brakenridge, geocientista da University of Colorado Boulder que analisa os impactos das supernovas, resultou em uma conclusão surpreendente: o estudo sugere que essas explosões podem ter deixado vestígios na biologia e geologia do nosso planeta.

Essas explosões estelares são extremamente brilhantes, e o autor explica que as supernovas são vistas em outras galáxias com frequência. Não é surpresa dizer que, se uma dessas acontecesse bem perto de nós, teríamos sérios problemas na Terra. Além disso, mesmo quando ocorrem mais longe, Brakenridge comenta que elas também podem danificar a camada de ozônio que envolve nosso planeta. Assim, para estudar os possíveis impactos que poderiam ocorrer, Brakenridge desenvolveu sua pesquisa tomando o carbono-14 — ou radiocarbono — como base, um isótopo de carbono que se forma com a ação dos raios cósmicos na atmosfera terrestre. "Geralmente, existe uma quantidade estável [do isótopo] todos os anos", explica Brakenridge. "As árvores usam o dióxido de carbono, e alguma parte deste carbono será o radiocarbono".

Bolha de gás em expansão criada pela onda de choque de uma supernova (Imagem: Reprodução/NASA)
Bolha de gás em expansão criada pela onda de choque de uma supernova (Imagem: Reprodução/NASA)

Mesmo assim, pode acontecer de a quantidade de radiocarbono usada pelas árvores sofrer um aumento súbito e sem motivo aparente. Muitos cientistas já atribuíram esses picos a manchas solares ou outros fenômenos. “Existem duas possibilidades: uma mancha solar ou uma supernova, e eu acho que a hipótese da supernova foi descartada cedo demais”, diz o autor. Acontece que cientistas já registraram supernovas em outras galáxias que produziram grandes quantidades de radiação gama, que é a que gera o isótopo de carbono na Terra, e um aumento nos níveis deste isótopo pode indicar que a energia de uma supernova distante nos alcançou.

Para testar essa hipótese, Brakenridge listou as supernovas que ocorreram relativamente perto da Terra nos últimos 40 mil anos, e depois comparou as idades estimadas destes eventos aos registros de anéis das árvores no solo. Nas oito supernovas mais próximas, todas pareceram ter relação aos aumentos misteriosos do registro de radiocarbono na Terra. Delas, quatro foram consideradas candidatas promissoras. Por exemplo, considere uma estrela na constelação Vela, que se tornou uma supernova há 13 mil anos; pouco depois disso, os níveis de radiocarbono na Terra tiveram um aumento significativo de 3%.

As descobertas sugerem que, em teoria, supernovas próximas poderiam ter causado alterações no clima da Terra nos últimos 40 mil anos. Entretanto, essas conclusões ainda não chegaram tão perto da origem da questão — ou, nesse caso, da estrela —, porque os cientistas ainda têm dificuldades para datar supernovas passadas e também não está claro qual impacto que um evento desses causaria em plantas e animais do período. Mesmo assim, Brakenridge espera que a questão seja estudada com mais cuidado: "o que me incentiva é quando eu olho o registro terrestre e penso 'meu Deus, os efeitos previstos e modelados parecem estar aqui". Por fim, ele espera que a humanidade não tenha que testemunhar de pertinho supernovas e seus efeitos tão cedo.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista International Journal of Astrobiology.

Fonte: Canaltech

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