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Anã branca em sistema binário "desobedece" as teorias científicas

Os astrônomos estão surpresos com um sistema binário, formado por uma anã branca e sua estrela companheira, localizado a 1.950 anos-luz de distância da Terra. É que, segundo os modelos teóricos atuais, a anã branca deveria sincronizar sua rotação com a outra estrela — mas não o fez. Por que será?

Estrelas variáveis ​​cataclísmicas são aquelas em um sistema binário que alteram seu brilho com determinada frequência. Neles todos, a anã branca está “sugando” a matéria de sua companheira, aumentando sua própria massa.

Com o ganho de matéria em sua superfície, a anã branca aumenta seu brilho por um grande fator e, em seguida, volta para seu estado anterior. Mas nem todas as variáveis ​​cataclísmicas são iguais: as anãs brancas de uma das subclasses (conhecida como polar), apresenta um campo magnético muito forte.

Os modelos teóricos dizem que as anãs brancas em variáveis cataclísmicas podem sincronizar sua frequência rotacional com a da companheira. Para isso, basta a anã branca possuir um campo magnético superior a 10 MG.

Mas não foi isso o que os astrônomos encontraram no sistema SDSS J134441.83+204408.3 (ou J1344 para abreviar). Usando dados do observatório espacial Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS) da NASA, eles observaram que este sistema tem uma anã branca de 56 MG que não estava com órbita sincronizada.

A gravidade da anã branca suga parte do material de sua vizinha (Imagem: Reprodução/Universidade de Warwick/Mark Garlick)
A gravidade da anã branca suga parte do material de sua vizinha (Imagem: Reprodução/Universidade de Warwick/Mark Garlick)

Outra característica da anã branca em J1344 é que seu período orbital é de 114 minutos, indicando que está bem próxima de sua companheira. Isso também seria motivo mais do que o suficiente para concluir que sua rotação é sincronizada (ou síncrona), mas a estrela decidiu ser um tanto “rebelde”.

Essa descoberta coloca em xeque algumas das convicções científicas sobre esse tipo de sistema estelar. Até então, os astrônomos pensavam que uma anã branca com magnetismo superior a 10 MG e próxima o suficiente de sua companheira faria com que a órbita fosse síncrona. Agora, eles terão que rever os modelos teóricos.

Além disso, será necessário analisar os dados de outros sistemas variáveis cataclísmicos síncronas, já que todas obedecem um modelo teórico que, aparentemente, está equivocado. Se o sistema J1344 está em desacordo com a teoria, outros também podem estar apenas “disfarçados” de sistemas síncronos.

O estudo está disponível no arXiv.org e foi aceito para publicação no The Astrophysical Journal.

Fonte: Canaltech

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