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Análise | WD My Passport Go é SSD externo de entrada para quem busca mobilidade

Sérgio Oliveira

Decidir por comprar um novo dispositivo de armazenamento parece ser algo simples, afinal de contas, se está faltado espaço, basta comprar um HDD ou SSD. O que poderia dar errado? Bastante coisa, para ser honesto. Escolher entre levar para casa um disco rígido de 4 TB ou um SSD portátil de 512 GB ou 1 TB envolve ponderar outras características além do espaço de armazenamento e saber exatamente quais suas necessidades enquanto consumidor para não comprar gato por lebre.

Quem vê o My Passport Go, por exemplo, pode se enganar simplesmente porque ele é vendido pela Western Digital como um SSD externo. Ora, se estamos falando de um SSD, então é certo que o desempenho dele é muito superior ao de qualquer disco rígido mecânico, certo? Bom, não é bem assim.

Como qualquer outro produto de tecnologia, os SSDs também são classificados como de entrada, intermediário e topo de linha, entregando qualidade e desempenho condizente com a categoria em que estão inseridos. E mesmo dentro dessas categorias, é preciso avaliar bem qual a proposta do aparelho para fazer uma compra consciente. Com isso em mente, na análise de hoje vamos destrinchar o WD My Passport Go e descobrir exatamente para quem ele é feito e se vale a pena comprá-lo.

My Passport Go é a principal oferta da Western Digital no segmento de SSDs portáteis de entrada (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

O produto

Propagandeado pela Western Digital como um SSD externo, o My Passport Go chama atenção pelo formato compacto (são 95 mm de comprimento por 67 mm de largura) e por sua extrema leveza: são apenas 55g em um corpo com dimensões um pouco maiores que um cartão de crédito. Apesar do tamanhinho, o produto é mais espesso que a maioria dos smartphones atuais, medindo 9,9 mm.

Isso tem um motivo, e ele é bem interessante. O My Passport Go vem com cabo USB embutido e o espaço extra é utilizado para guardá-lo. Assim, não precisamos mais nos preocupar em achar o cabo quando formos utilizar o produto, já que ele fica encaixado e guardado na parte inferior. É uma conveniência bem-vinda em troca de um pouco de sacrifício nas dimensões do produto, que ainda assim pode ser guardado em qualquer bolso.

Em termos de design, o My Passport Go emprega plástico áspero e aposta em bordas emborrachadas para ajudar na absorção de impactos — a fabricante garante que ele aguenta quedas de até dois metros de altura, embora não haja qualquer certificação de resistência a choques e/ou vibrações. Essa borracha, inclusive, vem em duas cores diferentes para casar melhor com o estilo do usuário: ambar e azul. Os mais minuciosos perceberão a ausência de um LED indicador de atividade no dispositivo.

Outro quesito que chama atenção é a extensão do cabo USB. Apesar da boa sacada da Western Digital de colocá-lo embutido no aparelho, ele é extremamente curto, com 12 centímetros. Isso nos leva a crer que a companhia imaginou apenas um caso de uso para o componente: conectado a um notebook e posicionado ao lado dele. No desktop, mesmo que você tenha portas USB frontais ou superiores sobrando, é difícil posicionar o My Passport Go sem que ele fique todo desajeitado, já que o cabo não dá margem nem para isso; no painel traseiro, então, ele pratica rapel.

Parte inferior do My Passport Go é usada para guardar o cabo USB embutido (Foto: Sergio Oliveira)

Especificações

O My Passport Go está disponível no mercado nas cores ambar e azul em três versões diferentes: 500 GB, 1 TB e 2 TB. Curiosamente, no Brasil o produto só é encontrado online na versão de 500 GB e por um preço um tanto salgado: R$ 800. Na gringa, os preços estão um pouco mais alinhados com a proposta deste SSD: US$ 70 (500 GB), US$ 145 (1 TB) e US$ 320 (2 TB).

Fora a capacidade de armazenamento, os produtos são idênticos entre si, contando com a mesma construção, dimensões e especificações. O conector é USB-A e a interface é a USB 3.0, suficientes para lidar com a promessa da Western Digital de taxas de transferência de até 400 MB/s. Apesar disso, vale chamar atenção para o fato de o produto não acompanhar adaptador USB-C, o que pode complicar a vida dos donos de MacBooks mais recentes e de outros computadores que só trabalham com o novo padrão.

Se isso não for uma preocupação para você, é bom saber que, de fábrica, o My Passport Go vem formatado em exFAT — ou seja, basta tirá-lo da caixa e espetar na máquina para começar a usar, independentemente de o sistema ser Windows, macOS ou Linux. Para usuários de Windows, ainda é possível formatá-lo para NTFS e usufruir do TRIM para limpar automaticamente informações de dados excluídos do drive e manter o desempenho no máximo possível.

Antes de partir para a formatação, certifique-se de fazer backup do WD Discovery, que vem armazenado no SSD de fábrica. Ele instala dois programas no computador: o WD Backup, para automatizar rotinas de backup em segundo plano; e o WD Drive Utilities, que permite verificar a saúde do dispositivo, atualizar o firmware e apagar os dados da maneira mais segura possível.

Com o cabo recolhido, My Passport Go é menor que uma caneta (Foto: Sergio Oliveira)

Para além disso, as coisas começam a ficar um tanto obscuras, já que a WD não fornece qualquer informação sobre TBW do My Passport Go, tampouco qual tipo de memória flash é usada no dispositivo. E isso provavelmente está relacionado à próxima seção do nosso review...

WD My Passport Go SSD
Especificação/Modelo 500 GB 1 TB 2 TB
Protocolo de transferência USB 3.0 USB 3.0 USB 3.0
Conector USB-A USB-A USB-A
Velocidade máxima (leitura) 400 MB/s 400 MB/s 400 MB/s
Durabilidade Não divulgada Não divulgada Não divulgada
Tecnologia de armazenamento Não divulgada Não divulgada Não divulgada
Garantia 3 anos 3 anos 3 anos
Preço R$ 800 US$ 145 US$ 320

Desempenho

Não informar todas as especificações de um produto é um alerta de que alguma coisa não está certa. No caso do My Passport Go, a decisão da Western Digital não revelar qual tipo de tecnologia de armazenamento utiliza nesse produto é quase um atestado de que há algo errado com a promessa de taxas de transferência de até 400 MB/s que vem na caixa. Para comprovar ou enterrar de vez essa desconfiança, o Canaltech preparou alguns cenários para medir as taxas de transferência do SSD externo, seja utilizando softwares de benchmark sintético como o ATTO Disk Benchmark e o Crystal Disk Mark ou movendo arquivos para o drive de estado sólido portátil em duas situações distintas.

Mas, como sempre fazemos por aqui, antes de cair de cara nos testes, é importante saber exatamente que tipo de produto estamos avaliando para termos noção do que esperar adiante. Em seu site oficial, a Western Digital diz que o My Passport Go "é a unidade perfeita para levar a qualquer lugar com confiança" e que o formato e o cabo integrado do produto o tornam "incrivelmente conveniente para levar com você praticamente a todos os lugares". Com isso, fica mais do que claro que o foco do dispositivo não é desempenho, mas sim portabilidade e mobilidade.

Com isso esclarecido, também é válido informar o setup utilizado para executar os testes deste review:

  • Placa-mãe: Asus PRIME Z390-A

  • GPU: Nvidia GeForce RTX 2070 Super

  • Processador: Intel Core i7-9700K @ 4,70 GHz

  • Memória: 4x T-FORCE 8 GB DDR4 @ 3.000 MHz

  • Armazenamento primário: 1 TB Intel SSD 660p

  • Fonte: XFX XTR2 Série 850W 80 Plus Gold Modular

  • SO: Windows 10 Pro 64 bits 1909

Agora, aos testes! O primeiro deles foi feito com o ATTO Disk Benchmark, que dá uma boa noção de como o dispositivo lida com a transferência de arquivos de tamanhos diferentes. O software utiliza dados compreensíveis e sequenciais e nos permite confirmar quais as taxas máximas teóricas de leitura e escrita do My Passport Go.

Durante nossos testes, o componente alcançou velocidades máximas de 435 MB/s e 170 MB/s para leitura e escrita, respectivamente. Lembra que na caixa a WD promete velocidade de até 400 MB/s? Embora ela não especifique se isso é em escrita ou leitura, nos testes fica mais do que claro que ela se referia à taxa de leitura, que bateu essa marca com relativa folga. Enquanto isso, percebemos uma discrepância gigantesca em relação às taxas de escrita, que não só foram muito inferiores, mas estiveram no mesmo patamar de um disco rígido como o WD Black P10, que também já foi avaliado pelo Canaltech.

No ATTO Disk Benchmark, My Passport Go marcou velocidades máximas de 435 MB/s de leitura e de 170 MB/s de escrita (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Na segunda rodada de testes, utilizamos o Crystal Disk Mark para analisar como o SSD externo da Western Digital lida com dados incompreensíveis, sequenciais e não-sequenciais de tamanhos diferentes utilizando diferentes capacidades do processador. A ideia é que esse software nos dê um panorama tanto de uso ideal, quanto de uso mais próximo da realidade. No teste de leitura e escrita sequencial, o resultado foi inferior ao registrado no anterior, com velocidade máxima de leitura de apenas 298 MB/s — 137 MB/s a menos.

Nos demais testes, o Crystal Disk Mark utiliza dados não-sequenciais para simular uma série de arquivos menores sendo transferidos simultaneamente, algumas vezes até utilizando multithreading para lidar com a fila. Aqui, em alguns casos vemos as taxas de transferência despencarem para menos de 10% do valor máximo obtido, o que pode ser preocupante.

No Crystal Disk Mark, o SSD externo da Western Digital alcançou apenas 298 MB/s de leitura, bem abaixo do prometido pela fabricante (Captura de tela: Sergio Oliveira)

Para fecharmos os testes, utilizamos o RichCopy 4.0 para copiar arquivos e marcar o tempo e a taxa média de transferência em quatro cenários diferentes — com isso, conseguimos ter uma ideia real de como o WD My Passport Go se comporta no dia-a-dia.

No primeiro cenário, movemos um arquivo de 10 GB do SSD principal do sistema para o SSD portátil. Aqui, a tarefa foi concluída em 1m13 e a uma taxa média de escrita de 143 MB/s.

Teste prático de escrita sequencial fez o WD My Passport Go cravar apenas 143 MB/s de velocidade média de escrita (Captura de tela: Sergio Oliveira)

No segundo cenário, repetimos o mesmo procedimento, mas na mão interna: copiando o arquivo de 10 GB do SSD portátil para o armazenamento principal do sistema. Aqui, como a velocidade de leitura do My Passport Go é bem acima de sua velocidade de escrita, o teste foi concluído em apenas 39 segundos e a uma taxa de 268 MB/s.

No teste prático de leitura, o SSD externo da WD ficou abaixo dos 400 MB/s prometidos, atingindo apenas 268 MB/s (Captura de tela: Sergio Oliveira)

O terceiro e o quarto cenários envolveram a cópia de 19.743 arquivos, que totalizavam 39,6 GB, de e para o My Passport Go. Na cópia do SSD para o SSD externo, a tarefa levou 9m37s e foi realizada a uma taxa média de 73 MB/s. O cenário inverso tomou 4m54s e foi concluído a uma taxa média de 144 MB/s.

Testes de escrita (cima) e leitura (baixo) aleatória apresentaram velocidades ainda mais inferiores: 73 MB/s e 144 MB/s, respectivamente (Captura de tela: Sergio Oliveira)

WD My Passport Go: vale a pena?

Agora que já conhecemos o produto, as especificações e o desempenho, a pergunta que fica é: vale a pena comprar um My Passport Go?

Diante de tudo que foi exposto neste review, fica claro que o SSD externo da WD é um produto de entrada, voltado principalmente para quem está em busca de portabilidade e mobilidade e não se preocupa tanto assim com desempenho. Embora os testes tenham mostrado que as taxas de escrita ficam muito próximas das de um disco rígido mecânico, o usuário ganha em resistência e durabilidade, já que o produto não tem nenhuma peça móvel e ainda conta com a borracha colorida que absorve choques e impactos.

Isso associado a características como o cabo USB curtinho, porém integrado, e a presença de software para automação de backup são indícios de que a fabricante mirou em viajantes e profissionais que trabalham bastante fora do escritório, estão constantemente em deslocamento com o notebook no colo, e precisam ter à mão seus arquivos mais importantes a qualquer instante. Mas mesmo dentro dessa proposta, o My Passport Go só faz sentido para quem mexe com muitos documentos de texto, planilhas, arquivos de apresentações e arquivos de foto em JPG e PNG. Outro cenário que ele se sai bem é como dispositivo de armazenamento de servidores multimídia, como o Plex e o Kodi, por exemplo.

Fora dessas propostas, falta fôlego para o bichinho e ele sofre principalmente para escrever grandes volumes de arquivos ou até mesmo arquivos maiores, como o de 10 GB utilizado nos testes do Canaltech. Se o usuário não tiver paciência e não estiver ciente da proposta desse SSD, pode se irritar e pensar que foi enganado.

E o preço heim? A versão de 500 GB está à venda no varejo online do Brasil por R$ 800 e isso parece não fazer sentido. E realmente não faz. No momento em que este review é feito, toda a indústria da tecnologia sofre com os efeitos da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Faltam peças, componentes e máquinas em todo canto, o que faz os preços irem às alturas. Prova disso é o Extreme Portable SSD da SanDisk analisado pelo Canaltech há alguns meses: naquela época, ele podia ser encontrado por R$ 570 online; agora, não sai por menos de R$ 1.000.

Como o My Passport Go é um SSD externo de entrada voltado para quem está em busca de portabilidade e mobilidade, sem se preocupar tanto assim com desempenho, fatalmente seu preço "normal" deve ser abaixo dos R$ 570 para fazer algum sentido. Portanto, se você está em busca de um SSD externo básico para sair do disco rígido convencional e pensa em comprar um My Passport Go, o melhor momento é quando você achá-lo na faixa dos R$ 400, R$ 450.

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Fonte: Canaltech