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Análise | Sony WI-C200, um fone Bluetooth baratinho e bom de serviço

Luciana Zaramela

Voltados a um público que quer ouvir sua música com qualidade e gastando pouco (dentro do possível, claro), os novos fones Bluetooth da Sony chegam para agradar aqueles que necessitam de trilha sonora no seu dia a dia, mas não dispõem de várias centenas ou até milhares de reais para desembolsar em um equipamento de ponta. Aliás, além disso: se você anda muito a pé ou frequenta muitos locais públicos e tem medo de perder fones caros, mas ao mesmo tempo não suporta qualidade tosca de fones chinfrins vendidos em qualquer esquina e sem a menor procedência, talvez tenha encontrado o fone certo.

O WI-C200 é um fone wireless, mas não completamente: ele possui um cabo que liga uma ponta na outra, no qual também há os controles e um contrapeso para que os buds não fiquem saindo da sua orelha a qualquer movimento mais brusco. Será que esse peso incomoda? Será que a definição dos drivers agrada ouvidos um pouco mais exigentes? E a conectividade, é estável o suficiente para aquele rolê ou malhação na academia? Tudo isso a gente vai descobrir agora, neste review.

Design & Ergonomia

Um modelo sem fio que ainda não é truly wireless é o ponto intermediário entre um fone com fio e um fone isento de qualquer cabo. Ele não vai limitar sua liberdade de movimentos, mas também não vai te dar aquela sensação de estar usando praticamente um brinco discreto em cada orelha. É um modelo que, por se conectar sem fio ao seu celular via Bluetooth, te deixa livre para desempenhar suas tarefas, sejam elas no escritório, em casa, na rua, na academia ou no parque, porém será constantemente lembrado por ter um fiozinho passando atrás da sua nuca, com dois pesinhos que pendem sobre seus ombros, e um cabo relativamente grande para unir o conjunto todo.

Com vocês, o WI-C200 (sim, ele é um fone "sem fio") de corpo inteiro (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Incomoda? Não, de maneira alguma. Não vou problematizar o cabo, porque o fone é extremamente leve e macio, bem gostoso de usar. Ao tirá-lo da caixa, pensei que fosse ser um incômodo andar por aí com esses dois pesinhos pendurados (que não são apenas pesos, como explicaremos adiante), mas entendi que a proposta da Sony foi exatamente deixar a coisa equilibrada, sem perder a leveza e sem machucar as orelhas do usuário.

O cabo que passa por trás da nuca é flat, diferentemente do que sai dos pesinhos e leva o som até os drivers. Esse sim é mais fininho, frágil e cilíndrico. Apesar de passar uma impressão de fragilidade no início, o conjunto é resistente e só requer os cuidados básicos de sempre: evitar puxar de arranco um fone só, guardar sem dobrar demais o fio (que é bastante flexível, aliás), arrumar uma bolsinha ou uma caixinha para ele e por aí vai. Não, infelizmente o fone vem puro na caixa: nada de case de transporte de fábrica.

Módulos: um com controles, outro com componentes. Ambos servem de contrapeso para seu fone não cair, puxar ou incomodar (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O acabamento é todo emborrachado, exceto no corpo dos fones e nos módulos que, anteriormente, chamamos de pesinhos. Tanto neles quanto nos buds, a qualidade é um tanto plástica demais, o que passa a impressão de fragilidade — principalmente na parte em que o cabo se liga aos buds. Para retirá-los dos ouvidos, segure no corpo dos fones, e jamais arranque-os pelo cabinho.

Os buds são extremamente pequeninos, e isso também passa a impressão de fragilidade. Acontece que toda a central de controle, conectividade Bluetooth e porta de carregamento (USB-C! Viva!) está localizada nestes módulos, que "descem" dos cabos. Com isso, a Sony conseguiu deixar os buds em si extremamente delicados e discretos. Os buds também são magnéticos, o que é legal caso você queira dar um descanso para seus ouvidos, mas sem tirar os fones da nuca, deixando o WI-C200 como um colar no seu pescoço.

São estáveis? Depende. Para quem vai usar o brinquedinho no escritório, no transporte ou em caminhadas/atividades leves, são sim. Mas qualquer esbarrão no cabo já é suficiente para arrancar um dos buds da sua orelha. Ou mais que isso, até: o cabo do conjunto, de maneira geral, é muito longo e no próprio balançar, dependendo se você está em um ritmo acelerado (como pular corda, por exemplo), pode ameaçar levar o fone junto. Então, cuidado para não enganchar o cabo em nada e nem fazer movimentos muito bruscos a ponto de o próprio peso do módulo desalojar o fone do seu ouvido na pura inércia.

Disponível em apenas duas cores (preta e branca), o modelo vem como um upgrade para a maioria dos foninhos de celular que acompanham os aparelhos hoje em dia.

Controles

Temos aqui um esquema simples de controle para sua música e ligações telefônicas. Em um dos módulos (o da esquerda), a Sony inseriu o tradicional sistema de três botões, pelos quais você pode pausar e reproduzir músicas, aumentar e diminuir o volume, avançar e retroceder faixas, ativar o assistente de voz do seu smartphone (Siri, Google Assistente) e atender ou recusar chamadas.

Controle com esquema tradicional e porta USB-C na lateral do módulo (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O feedback tátil que se tem dos controles físicos não é lá dos melhores, já que tudo é plástico demais e, durante uma corrida, por exemplo, você estará suado demais para sentir qual botão é o + e qual é o -. Várias vezes me senti compelida a puxar o módulo até conseguir ver qual botão fazia o quê. A resposta é ok, mas não é grandes coisas.

Conectividade

O WI-C200 é pequenino e relativamente baratinho, mas já vem com os últimos padrões de conectividade possíveis, a exemplo da porta USB-C localizada no módulo e do padrão Bluetooth 5.0, que conversa com os smartphones mais novos do mercado e entrega melhor qualidade sonora possível, dentro das limitações dos componentes do fone.

Em termos de estabilidade, sua música vem redonda (nos codecs AAC e SBC) e suporta reprodução sem repiques a até 10m de alcance em linha reta. O modelo não possui NFC.

É ideal para usar com qualquer aplicativo de streaming de música do mercado (Spotify, Deezer, Apple Music, Amazon Music), mas tem latência — o que pode irritar quem vai assistir a filmes e vídeos, ou jogar no celular, por exemplo. Isso quer dizer que o áudio não fica sincronizado com o vídeo, e você vai sentir um atraso nas falas em relação ao movimento da boca das pessoas na tela.

Microfone

O modelo conta com um microfone simples, em linha, para quebrar o galho quando você receber ligações telefônicas durante o uso. Como o fone não é caro, não espere um super microfone aqui, também.

Em ligações realizadas em locais tranquilos, quem está do outro lado da linha vai perceber que você está usando outro aparelho para se comunicar, porque sua voz vai ficar abafada, talvez mais fina e enlatada. Em locais muito tumultuados, como a praça de alimentação de um shopping, o microfone vai custar a separar o que é ruído do que é sua voz, e quem estiver te ouvindo também vai lutar para entender o que você está falando.

Como os buds são diminutos, o microfone fica atrás dos controles (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Só que, em usos comuns, como durante um exercício ou caminhada ao ar livre, a caminho do trabalho, trabalhando no escritório ou lendo um livro em casa, é ok para ligações e quebra um super galho caso você não possa acessar o celular naquele momento — como quando estiver lavando a louça, por exemplo. Para mandar áudio no WhatsApp ou Telegram tá bem ok, também.

Percebi que durante o uso do WI-C200 em ligações telefônicas, minha voz foi captada pelo microfone, passou pelos drivers e retornou aos meus ouvidos. Pode ser irritante para alguns ficar ouvindo sua voz o tempo todo nos fones enquanto conversa com alguém no telefone.

Isolamento passivo de ruído

O WI-C200 vem com três tamanhos de ponteiras de silicone, para melhor encaixe nos ouvidos. Com a ponteira média, eles entregaram uma boa dose de isolamento passivo, o que é esperado para fones in-ear bem adaptados e com pontas emborrachadas. É bom para isolar um pouco do ruído ambiente, mas não tanto.

Por exemplo: no escritório, você não vai ouvir conversas baixas de seus colegas, nem o barulho do ar condicionado, muito menos o ruído das teclas ao digitar um texto longo como esse no seu teclado. Já na rua, você vai ouvir buzinas, motores, carros de som, cachorros latindo e, praticamente… tudo que acontece na rua.

Bateria

Diz a Sony que a bateria do WI-C200 resiste até 15 horas em uso contínuo, levando três horas para se carregar por completo. O carregamento se dá via cabo USB-C: há uma porta no módulo de controle pela qual você conecta o cabo e espeta a outra ponta no seu notebook, PC ou carregador de celular (5W, embora não seja recomendado).

Apesar de ter uma duração bem legal, o fone não conta com sistemas sofisticados de detecção de uso, ou seja, não se desligam sozinhos. Se você tirar o WI-C200 e deixá-lo na mesa, próximo ao seu smartphone, sem lembrar de desligá-los ou desconectá-los, eles vão ficar lá, tocando música ad eternum — ou melhor, até a bateria acabar ou você quebrar a conectividade, levando o telefone embora com você.

Se você perceber que a bateria acabou ou vai acabar, ainda pode usar o carregamento rápido: 10 minutos plugado entregam 60 minutos de música.

Sonoridade

Buds magnéticos: bom para quem quer dar um descanso para os ouvidos sem tirar o fone do pescoço (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O WI-C200 é um fone de baixo custo, porém com uma qualidade sonora muito legal. Ele conta com drivers de 9 mm com perfil sonoro bem característico de fones de entrada, com graves lá no topo, agudos também enfatizados (para dar a impressão de mais nitidez no som) e médios recuados. Ou seja: vai agradar o usuário que está procurando por mobilidade, graves profundos e não quer gastar muito.

Confesso que ao ouvir o WI-C200 pela primeira vez, me surpreendi positivamente. Não esperava que fosse ter uma resposta dinâmica tão boa, sem querer desmerecer o aspecto do produto. Fones em torno de R$ 200 geralmente são um tiro no escuro, mas se você quer um fone melhor do que o que veio no seu smartphone intermediário e ainda por cima sem fios, essa é uma boa aposta.

Mas, vale aquela máxima: cada ouvido é único. E esta análise foi feita com base nos meus. Para você, os fones podem soar melhores — ou piores. De maneira geral, para tentar sintetizar, vamos dividir o áudio e falar das frequências:


Graves

Surpreendentemente bons, os graves do modelo vão agradar até mesmo usuários um pouco mais exigentes e que gostam de suas músicas com batidas profundas, como no hip-hop e no eletrônico. Inclusive, quem gosta de frequências bem baixas vai ter uma reação positiva ao ouvir seus pancadões no WI-C200 — claro, estamos falando de um fone in-ear de entrada, então nada de compará-lo com um over-ear nervoso, como o Sony WH-XB900N.

Enfático também em graves mais agudos, quase chegando nos médios. O João Donato gravou um disco recente com a Tulipa Ruiz — uma aula de brasilidade, vale dizer. Em Gravidade Zero, faixa do single da dupla, o contrabaixo é profundo e marcante. Temos trombone, temos a voz grave de João, temos os tons e surdos da bateria… tudo isso muito bem posicionado na música, que tem uma ambiência deliciosa de se ouvir, com cadência e dinâmica muito caprichadas. No solo de piano elétrico, é legal perceber o quanto é definida a frequência grave, ainda mais em um trecho dançante da música onde o contrabaixo se comporta muito bem para não tomar espaço do trombone, por exemplo.

Em Harder, Better, Faster, Stronger, da dupla francesa Daft Punk, a gente tem um mooonte de sintetizadores, vocoders, batidas eletrônicas e efeitos. Os graves chegam chutando a porta, inclusive, já que a profundidade que temos em sons desse tipo se dá principalmente pelas frequências que caminham para os subgraves (abaixo de 10 Hz). Toda a música é uma pancada muito gostosa de se ouvir no WI-C200, em termos de graves.


Médios

Assim como os graves, o WI-C200 entrega uma resposta bem legal de médios. Ou seja: você vai ouvir muito bem e sem atropelos os vocais, instrumentos de corda e solos com clareza e transparência. Algumas vezes, porém, senti que há um leve recuo na frequência, o que consequentemente a empurra um pouco para trás da mix. Entretanto, isso faz parte do perfil sonoro do fone e não será percebido pela grande maioria dos usuários que namoram um modelo mais em conta, porém com qualidade suficiente para valer a pena.

Em Cartomante, da eterna Elis Regina, temos um resultado bem satisfatório nos vocais, nas notas mais agudas da linha de contrabaixo, no piano e nos fraseados de guitarra e cordas. Elis passeia no seu alcance tonal, mantendo o vocal mais médio por quase toda a canção, que é inclusive reforçado em coro com backing vocals no refrão final, quando a música cresce. Harmonicamente, temos uma resposta de médios muito legal, com a ênfase que merece, nesta faixa.

Another Day In Paradise, do Phil Collins, é uma faixa rica em instrumentos, com ênfase em violão no início da música, uma chuva de sintetizadores e marcação eletrônica de bateria. Mesmo com tantos instrumentos, há um bom equilíbrio em médios até mesmo quando Phil começa a cantar: a voz dele vem forte e penetrante, porém falta um pouco de detalhamento — coisa que vamos falar na seção de agudos, logo a seguir. Até mesmo no refrão, que ele compete com backing vocals, guitarra, "bateria" e sintetizadores, tá tudo certo e nos conformes.


Agudos

Também tive boas impressões com a gama aguda do modelinho da Sony, apesar de achar que esta é a que mais "peca" em relação às outras. Apesar de trazer um som agradável aos ouvidos na grande maioria dos estilos que escutei, percebi que falta detalhamento em alguns instrumentos, enquanto, por outro lado, sons sibilantes (como as consoantes S e T) aparecem destacados e, se você ficar prestando atenção demais nisso, pode chegar a te irritar.

Em Samba Pro Rafa, do violonista Yamandu Costa, por exemplo, percebe-se a falta dessa nitidez em agudos, no dedilhado nervoso do artista pelo braço do violão. As notas mais graves e médias chegam equilibradas, enquanto há uma leve falta de presença e brilho que, em uma canção que contém apenas um violão por toda gravação. Mas, calma: peguei uma música muito específica para falar de um detalhe muito específico também.

This Is a Call, do Foo Fighters, soa legal nesses fones. A pancada dos graves e médios dá energia à música, os vocais sibilam um pouco e os chimbais e pratos parecem um pouquinho recuados na mixagem. No entanto, lembre-se que esse fone é aquele coringa para ser "pau para toda obra", que você vai levar com você aonde for e ter sempre à mão quando quiser isolar-se um pouquinho do mundo e curtir o seu som sem "firulas".

Preço e onde comprar

Você pode encontrar o modelo no site oficial da Sony no Brasil por 199,99 reais, ou então dar uma garimpada na Amazon — onde, na data de publicação desta análise, encontramos o modelo pelo mesmo valor da loja oficial. Vale a pena ficar de olho na Amazon, porém.

O WI-C200 está disponível em duas cores basiconas: preta e branca. Discretas como ele.

O que tem na caixa

  • Sony WI-C200
  • Cabo USB-C
  • Três pares de ponteiras de silicone (P, M e G)
  • Manuais

Veredicto

Plástico, bem plástico... mas você queria o quê, por esse preço? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

O WI-C200 é um foninho "de boa", bem discreto, ideal para você levar para cima e para baixo, com liberdade, sem preocupação, e, de quebra, com uma qualidade sonora legal, superior à da maioria dos fones com fio que acompanham os aparelhos celulares intermediários — e até alguns mais requintados. Se vale a pena gastar 200 reais nele? Vale. Desde que você tenha cuidado com a estrutura frágil que une o cabo aos buds, tá tudo certo.

Apesar dessa fragilidade, a construção do fone, pelo preço que você vai pagar nele, é legal e não dava para esperar um supra-sumo de qualidade. A relação entre o custo e o benefício é bem bacana, e o que faz o fone valer a pena são três características principais: Bluetooth 5.0, USB-C e boa qualidade sonora.

O som que você vai ouvir no WI-C200 é perfilado para graves mais robustos, muito presentes, médios legais e agudos um pouco mais discretos. Se a ideia é usar o fone no dia a dia sem medo de ser feliz, vai dar certo. Não é um fone voltado para quem quer riqueza absurda de detalhes, obviamente, mas entrega frequências num padrão Sony: o que é muito legal pelo preço.

Apesar desses módulos que ficam pendentes sobre os ombros parecerem meio estranhos para muita gente, no fim das contas você se acostuma a não sair esbarrando em coisas (mochilas, bolsas, relógios) e nem fazendo movimentos muito bruscos a ponto de derrubar os buds dos seus ouvidos. A bateria dura um tempo legal, tem quick charge e já vem com padrão USB-C. Ou seja: é tudo moderno, com um invólucro barato, e com qualidade sonora legal. Pensando nessa praticidade, vale cada centavo. Recomendado!

Fonte: Canaltech

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