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Análise | Sony MDR-E9LP Fashion Earbuds valem a pena?

Luciana Zaramela

Surfando na crista da onda dos baratinhos da Sony, hoje vamos colocar à prova um foninho bem simples, mas que é encontrado em praticamente qualquer esquina. Ok, nem tanto, mas é um modelo facilmente achado em lojas de eletroeletrônicos, hipermercados, papelarias e lojas de periféricos para celular, PC e consoles de videogame.

Agora os holofotes vão para o Sont MDR-E9LP Fashion Earbuds — que levam este nome por virem em diversas cores, como branca, preta, cinza, azul, roxa, rosa... São fones de ouvido bastante leves, bastante simples e também bastante baratos, então não espere um super resultado de um modelo com graves poderosos e alta definição por aqui. Esse foninho é o legítimo quebra-galho, mas tal qual os irmãos maiores que analisamos no Canaltech… será que surpreende pelo custo-benefício? É isso que você vai ler nas próximas linhas deste review.

Design & Ergonomia

Blisters... Ah, os blisters! Quando um fone de ouvido é mais baratinho, pode apostar que ele virá embalado em um blister, com um manual e pronto. Esteja certo de ter perto de você uma tesoura para ajudar a abrir o invólucro, ou poderá machucar as mãos e/ou perder a paciência antes de testar o brinquedo. Recebemos o brinquedo na cor branca e a primeira impressão que tive ao tirá-lo do blister foi a de relacioná-lo imediatamente àqueles foninhos que ganhamos de brinde em viagens de avião.

Leve e extremamente frágil, o MDR-E9LP tem um cabinho bastante fino, mas nada diferente do que vem na grande maioria dos celulares intermediários e de entrada, por exemplo. Como é um modelo passivo, ele tem na ponta do cabo um conector P2 simples, em L, sem banho de ouro, stereo. O material dos buds é um plástico bastante leve e econômico, ou seja... não é resistente nem passa a impressão de ser durável. O fone vem como uma opção super em conta para quem está com pouca grana para comprar um modelo Bluetooth, mas quer estar sempre ouvindo as músicas no celular, sem se importar com os fios.

Cabinho fino, material plástico super econômico, conector em L são as características do MDR-E9LP

O modelo não tem microfone nem controle de volume e músicas no cabo, sendo um dos mais econômicos da Sony, e voltado principalmente aos jovens estudantes que precisam de um fone para ouvir música, assistir a vídeos, assistir a aulas na web e estudar. Aliás, além disso, como é baratinho e não é feito para durar, seu coração não vai se espedaçar em frangalhos caso você deixe o modelo cair ou danifique seu cabo.

Não são in-ears com aquelas ponteiras de silicone que adentram o canal auricular e vedam o mundo exterior, te inserindo em sua própria bolha. O esquema das pontas é todo plástico, mais simples, trazendo apenas uma espuminha fininha opcional para revestir os os fones, que têm encaixe universal. Dependendo do formato da sua orelha, os fones podem passar insegurança, ameaçando cair a todo momento — bom, pelo menos rolou comigo, que desde o primeiro in-ear tenho aversão a esse tipo de ponta dos in-ears, justamente por não conseguir um bom encaixe.

Justamente por essa má adaptação na orelha, os fones não têm um selamento bom o suficiente para segurar o som direto para dentro dos seus ouvidos, e isso traz duas desvantagens: má adaptação, o que pode machucar a cartilagem da orelha em longos períodos de uso; e comprometimento da qualidade sonora, já que o som não é totalmente direcionado aos tímpanos.

Aqui nos nossos testes a dor surgiu com poucos minutos de uso e fazer o review destes fones foi um pouco cansativo, já que ficar tirando e colocando o brinquedo na orelha para analisar o som causou incômodo inicial, seguido de dor na cartilagem que entra em contato com a parte superior do fone.

Mas… há vantagem nisso tudo? Há sim, ainda mais se você considerar o investimento que fará para ter um fone desses. Cuidando bem, vc terá seus fones por um bom tempo. Então basta não puxar os cabos com força, enrolar o fone nos dedos antes de guardar e, se possível, arrumar uma caixinha para eles. Nada de tacar o fone de qualquer jeito para embaraçar no espiral do caderno dentro da mochila, hein?

Conectividade

Esse modelo da Sony conta com um conector de 3,5 mm na ponta, isto é, é um fone de ouvido analógico. Isso quer dizer que é necessário ter uma fonte compatível para funcionar. Por isso, dependendo do seu computador, smartphone ou qualquer outro aparelho que emita som, é necessário verificar essa compatibilidade ou então usar um adaptador para fazer seu fone funcionar.

O legal dos fones cabeados é poder usá-los para assistir a filmes, séries e vídeos no celular sem a famigerada latência (atraso) dos fones sem fio. O mercado está cada vez mais próximo de fabricar fones com latências imperceptíveis, ainda mais com as tecnologias de pareamento sem fio que temos atualmente, mas nada substitui, pelo menos por enquanto, o bom e velho cabo.

Se você gosta de usar o celular para assistir a vídeos ou mesmo jogar e não quer atrapalhar ninguém ao seu redor, terá a vantagem do fone cabeado entregar o áudio em tempo real, sem atraso nenhum em relação à imagem que aparece na tela.

Áudio

Um fone baratinho, "simplão", sem muita firula seria capaz de nos surpreender? Pode até ser, como foi o caso dos irmãos MDR-EX15AP e MDR-EX15LP, que analisamos aqui no Canaltech, mas esse cara aqui é o fone mais pelado da Sony atualmente vendido no Brasil. Então não espere um baita resultado, nem muitas surpresas.

Como mencionado anteriormente, um grande inimigo da qualidade sonora é o vedamento comprometido pela falta de ponteiras que se encaixam bem no canal auditivo. Ou seja: o fone vaza muito áudio para quem está perto de você, e esse áudio que "escapa" era para estar entrando nos seus ouvidos… portanto há perda de qualidade, de ganho, de definição, de tudo. Pelo menos na minha experiência, com design anatômico de orelhas que não se deram muito bem com os fones.

A parte interna dos fones é plástica, mas a embalagem traz almofadinhas para amortecer um pouco o contato (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)


Graves

Que graves? Brincadeiras à parte, a questão dos graves do MDR-E9LP muito tem a ver com esse lance da má adaptação na orelha, já que o som não "entra" completamente. Aliás, além disso, mesmo pressionando com os dedos cada bud nas orelhas, percebe-se que não temos aqui drivers bons de graves. As músicas soam mais médias, enlatadas e pouco definidas. Mas… como é isso, zero graves???

Não exatemente zero, mesmo sendo um modelo super de entrada. Tem algum gravezinho, mas bem fraquinho, que não te dá boa definição em instrumentos dessa gama de frequência, como surdos, contrabaixos, bumbos e tons. De modo geral, as músicas saem perdendo muito espaço para vocais, instrumentos de base e principalmente caixa de bateria. Se você for ouvir um jazz com uma linha de rabecão em walking-bass, por exemplo, vai se decepcionar.

Por exemplo: I Want You Back, clássico motown do Jackson Five, parece estar sendo reproduzida diretamente de um radinho de pilha, de ouvir jogo na rádio AM. Exatamente nessa música, o baixo fica médio, a voz do menino Michael fica média, a bateria fica média, os backing-vocals ficam médios, tudo muito opaco, sem definição, sem profundidade e sem brilho. Os pianos parecem de brinquedo e o contrabaixo parece estar sendo tocado em um berimbau.

Escolhi Só Danço Samba, na versão do Zimbo Trio, para falar sobre o rabecão (aquele baixo vertical, gigante, que parece um violoncelo) e os pianos. A faixa mostra como o MDR-E9LP entrega os graves mais suaves, como os walking basses do jazz e da bossa nova. Bom, o fone praticamente não entrega. Você percebe o instrumento fazendo sua parte lá no fundo, enquanto os pianos estouram em seu pico de médios e alguns agudos mais-ou-menos. Mas lembre-se: um fone baratinho não deveria entregar a definição de um fone de milhares de reais, certo?


Médios

Já deu para perceber que o MDR-E9LP não é um ás do áudio e que, pelo preço de prateleira, entrega justamente o que dá para entregar. Em questão de frequências médias, temos aqui o que a maioria dos fones chineses que ganhamos de brinde em cinemas e aviões podem nos oferecer, com a diferença de um pouquiiinho mais de definição do que a média dos genéricos de 20 reais que encontramos por aí. Tem médio, bastante médio, médio demais.

Em I Want to Break Free, do Queen, que é uma música com bastante instrumentos na faixa média, falta punch. É que, por ter drivers que não se comprometem com graves precisos, nem com agudos brilhantes, as músicas ficam mornas, independente do estilo. Essa faixa do Queen leva ênfase nos teclados (desde a frase que abre a canção até os efeitos mais graves de sintetizador), na guitarra, nos vocais, nos violões e na caixa (marcação) da bateria. Não dá muito bem para identificar onde está o bumbo, nem o contrabaixo no primeiro trecho cantado. Mas se o que você gosta de ouvir é voz, então sim, ele entrega a voz lá na frente de todo o restante.

Dependendo da gravação, o resultado até fica legal. É o que acontece com Pescador de Ilusões, de O Rappa, que por ter sido mixada com um contrabaixo super presente e marcante, soa legalzinha em médio-graves. Mesmo assim, a bateria marca muito forte e opaca ao mesmo tempo. Os vocais soam até bem, e com isso percebemos que a gama média é a melhor das três neste modelo.

Agudos

Não tanto quanto os graves, os agudos também se mostram um pouco tímidos nesse modelo de entrada. Mas, dependendo do que você estiver ouvindo, essa percepção não fica assim tão evidente. É o caso de músicas pop, rock e hits de rádio. O fone apresenta agudos recuados em relação a graves e médios, mas eles aparecem — não trazendo o brilho e a abertura de um modelo de 200 reais, por exemplo, mas ainda assim permitindo que o ouvinte escute palmas, chimbais, precussões e vocais infantis e femininos com certa dose de presença.

I Love Me, da Demi Lovato, começa com uns tecladinhos calminhos, a voz da cantora passeando em médios-agudos e leve marcação eletrônica. Soa bem ok nos fones essa introdução. Quando a música cresce e mais instrumentos aparecem, puxando a tonalidade para os graves, você percebe que falta baixos, mas não tem esse mesmo impacto com os agudos. Apesar de a música tocar como se estivesse com muitos cortes de frequência nas pontas, quem busca um fone só para ouvir seus hits preferidos e cantar junto enquanto trabalha, passeia, vai às compras, tá bom demais.

Brisa, hit da brasileira Iza, também se comporta ok nos fones. Apesar do recuo dos agudos e do sumiço dos graves, se para você é a voz da cantora que importa, ela vai aparecer sim, pode ficar tranquilo. A marcação da bateria eletrônica também se faz presente, embora pouco detalhada. Instrumentos e fraseados como o de sax/metais nessa faixa, têm seu espaço.

Isolamento passivo de ruído

Como este modelo é um in-ear que não se projeta para o interior do conduto auditivo, ficando estritamente alojado na cartilagem externa da orelha, não espere que ele vede bem o som que vem de fora, muito menos que as pessoas ao redor não saibam o que você está ouvindo. Nos dois quesitos, ele é bem basicão.

Lembra do encaixe mais-ou-menos, pelo menos que eu senti nos meus ouvidos? Por causa disso, consegui ouvir ruídos dos mais leves aos mais altos, óbvio, e isso inclui desde o digitar macio das teclas do notebook ao miado do gato e latido do cachorro — com ambos os bichos bem ao meu lado enquanto testava esse recurso com a música em volume médio.

Para usar em um escritório ou em casa do lado de pessoas, vale dizer que o som vaza para o ambiente, ou seja: dependendo do volume que você curte suas músicas (de médio a alto), quem estiver pelo menos a um ou dois metros de você vai ouvir tudinho. Então, fique esperto com aquele áudio particular que chega pelo WhatsApp!

Preço e onde comprar

O MDR-E9LP vem em diversas cores, por isso é chamado de "fashion". Rosa, azul, roxo, amarelo, preto, cinza, branco... e você encontra esse brinquedo no e-commerce por valores em torno de R$ 40. É o preço médio praticado na Amazon, vale dizer.

Além da Amazon, você pode encontrar esse fone em uma enorme variedade de lugares, na internet e fora dela.

O que vem na caixa

O Sony MDR-E9LP vem num blisterzinho de plástico transparente, que contém:

  • os fones
  • duas almofadinhas de espuma (ponteiras)
  • manual (rótulo)
Caixinha com manuais, fone e almofadinhas para os earbuds (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Specs

  • Driver: dinâmico de 13,5 mm (dome)
  • Resposta de frequência (Hz):18 Hz a 22.000 Hz
  • Comprimento do cabo: 1,2 m

Vale a pena?

Um fone na faixa dos trinta e poucos reais é um brinquedinho barato, feito para quem quer curtir um som individualmente e sem frufru. Se você está apertado de grana e só quer mesmo um fone para ouvir seus áudios numa boa ou curtir suas músicas enquanto faz suas atividades diárias, super ok investir no MDR-E9LP.

Como analista, a gente deixa claro os pontos mais técnicos de cada fone que passa por aqui, e com modelos de entrada não pode ser diferente. Esse é um fone voltado a um público que não liga muito para detalhes e quer mesmo é ouvir o cantor, os vocais. Para quem não se importa com profundidade de instrumentos ou brilho dos pratos da bateria. E também para quem presta atenção é na letra, e não no instrumental. Se você tem 40 reais para gastar e quer um fone para isso, pronto! Achou!

O MDR-E9LP é um fone de ouvido cabeado, super simples, econômico em sua construção e barato — ou seja, não é um fone Bluetooth. Ao adquirir um, você precisa ter em mente que se não cuidar bem dele, o cabinho pode quebrar fácil, por exemplo. E é preciso se lembrar que o celular precisa ter entrada para fone de ouvido, ou no mínimo um adaptador que receba o conector do fone e te deixe ouvir suas músicas. Não espere boas respostas em agudos, aqui. Muito menos em graves. O fone é super simples e não usa componentes caros que oferecem uma experiência mais aprofundada, brilhante, detalhada.

Modesto no design e no som: vale a pena para você? (Foto: Luciana Zaramela/Canaltech)

Agora, se você está apertado de grana mas, ao mesmo tempo, quer um pouco de qualidade no seu som, para ouvir detalhes de instrumentos que compõem a gravação, aí é melhor pensar duas vezes. Até porque a própria Sony tem modelos de entrada muito melhores, custando um pouquinho só mais caro, como o MDR-EX15AP (que traz microfone e controle no cabo, te deixando gravar áudio e falar ao telefone) e o MDR-EX15LP, que é exatamente o mesmo fone, mas sem esse extra que serve para ligações.

Usar um equalizador em forma de app para celular pode ajudar, mas não faz milagre. Então se você quiser dar uma maquiada no seu som usando o MDR-E9LP, pode entrar na App Store ou no Google Play e baixar um app que ajuda a melhorar o áudio, equalizando-o e deixando-o mais próximo do seu perfil como ouvinte.


Fonte: Canaltech

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