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Análise: soberano, Flamengo volta a coroar década histórica com bi da América no basquete

Vitor Seta
·3 minuto de leitura

Quem acompanhou acompanhou o basquete brasileiro nos últimos anos não tem dúvidas de que o Flamengo é uma das principais forças da modalidade. Um trabalho sério de construção da equipe somado ao poderio financeiro adquirido ao longo das campanhas fez com que o rubro-negro voltasse a ser uma potência na última década. A vitória sobre o Real Estelí (Nicarágua) por 84 a 80, nesta terça-feira, que rendeu o título da Champions League das Américas, o bicampeonato continental para o clube, coroa este trabalho e ratifica de vez essa soberania.

Desde que a Liga Nacional de Basquete criou o NBB, em 2008, não houve outra equipe que mais vezes ficou com o título. São seis troféus para o rubro-negro em 11 edições do torneio nacional (a edição 2019/20 acabou cancelada pela pandemia do novo coronavírus). Na Copa Super 8, disputada entre as melhores equipes do primeiro turno do NBB desde 2018, são dois triunfos em três disputas para a equipe.

Em 2014, a equipe chegou a seu ápice. Conquistou a extinta Liga das Américas, capitaneada pelo ídolo Marcelinho Machado, aposentado em 2018. Em time que tinha Meyinnse (hoje no Ironi Nes Ziona-ISR) e Laprovittola (Real Madrid), o rubro-negro fez campanha arrasadora e bateu o Pinheiros na final, para ficar com o título de forma invicta. Posteriormente, ficaria com o título mundial ao bater o Maccabi Electra (Israel) no Intercontinental da FIBA.

Mas após o sucesso, a vida se tornou mais difícil. A equipe viu a concorrência interna crescer, e equipes como Franca, Paulistano, Bauru e Mogi despontarem como grandes forças no NBB, subindo o sarrafo e tornando a vida do rubro-negro mais difícil no cenário doméstico. Ainda assim, o Flamengo nunca deixou de se reforçar e buscar manter sua hegemonia: ficou com o título nacional em 2014/15 e 2015/16, mas ficou longe de reconquistar a América. Até o fim da competição, em 2019, a equipe teve como melhores resultados a 3ª colocação, em 2015, e 4ª, em 2016.

A reconquista

Em 2018, o técnico José Neto, multivitorioso pelo clube, deu lugar a Gustavo de Conti, o Gustavinho, no comando do rubro-negro. A mudança de comando veio acompanhada de reforços, sendo o armador argentino Franco Balbi — desfalque contra o Estelí, por lesão — o principal deles. Balbi viraria um dos principais jogadores da equipe e seria escolhido melhor estrangeiro e candidato ao prêmio de MVP (melhor jogador) na campanha do título do NBB de 2018/19, o primeiro em três temporadas.

Por mais reforçada que fosse, um dos maiores méritos da equipe rubro-negra foi seguir apoiada em nomes de confiança, que praticamente viraram os rostos da equipe na modalidade. O ala Marquinhos, desde 2012 no clube, e o pivô e capitão Olivinha, em sua terceira passagem pelo rubro-negro, também desde 2012, ambos em quadra na Nicarágua, ajudaram a manter firme a identidade do rubro-negro nas quadras e trouxeram resultados no continental.

Mas a reconquista da América se deve muito, também, à ambiciosa busca por reforços. Entre as contratações, a equipe trouxe o pivô Rafael Hettsheimer e o armador Yago, ambos nomes de confiança na seleção brasileira. Yago, destaque do torneio e da partida na Nicarágua, chegou a estar inscrito no Draft da NBA em 2019 e é visto como um dos principais nomes da nova geração da modalidade. Se na temporada passada o rubro-negro bateu na trave pelo bicampeonato (perdeu para Quimsa, da Argentina, na decisão), pode comemorar um novo título continental que passa longe de ser um acaso.