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ANÁLISE-Seja Trump ou Biden, próximo presidente dos EUA enfrentará problemas econômicos

Por Ann Saphir e Jonnelle Marte
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Fila de pessoas em busca de auxílio desemprego em Frankfort, no Kentucky
Fila de pessoas em busca de auxílio desemprego em Frankfort, no Kentucky

Por Ann Saphir e Jonnelle Marte

(Reuters) - Ainda não está claro se a Presidência dos Estados Unidos ficará a cargo de Donald Trump ou de seu rival democrata Joe Biden a partir do próximo ano, mas quem quer que triunfe enfrentará desafios monumentais na frente econômica.

A recessão foi terrível. Eliminou mais de um ano de produção econômica e mais de cinco anos de crescimento dos postos de trabalho. A força de trabalho nos Estados Unidos agora é menor do que era um ano antes de Trump assumir o cargo.

Um ponto positivo --o gasto do consumidor-- está mais forte do que antes do estouro da pandemia em março, mas apenas voltou ao nível em que se encontrava em junho do ano passado.

Os preços das moradias estão se elevando, o que é ótimo para os proprietários de imóveis nos EUA, mas ruim para quem aspira comprar uma casa.

A atividade manufatureira --uma preocupação crucial para os Estados do meio-oeste dos EUA-- se recupera, mas os postos de trabalho na indústria estão em pior estado do que o emprego de forma geral.

E o coronavírus ainda está em ascensão na maior parte dos Estados Unidos. Quase 6.000 pessoas morreram na semana passada, e há uma preocupação crescente de que os EUA possam precisar restabelecer os lockdowns que ocorreram em toda a Europa para manter a doença sob controle.

No entanto, apesar dos sinais de que a economia começou a desacelerar novamente em meio a outro ataque viral, "é quase certo que a economia vai melhorar ao longo de 2021", disse Jason Furman, um dos principais assessores econômicos de Barack Obama, o último presidente eleito nos EUA durante uma época de turbulência econômica.

O fim de 2021 ainda está muito longe, não apenas em termos políticos, mas para aqueles que vivem de salário em salário, ou estão desempregados.

As projeções dos formuladores de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) colocam o desemprego em 5,5% no fim do próximo ano --estimativa pior do que os 4,7% quando Trump foi eleito pela primeira vez, mas melhor do que os atuais 7,9%.

Além da perda de empregos e da redução da produção econômica, Trump ou Biden irá enfrentar uma lista de obstáculos de longo prazo, incluindo o aprofundamento da desigualdade, aumento da dívida federal e relações comerciais internacionais tensionadas.

Na corrida para a eleição, Trump consistentemente foi melhor avaliado do que Biden no que diz respeito à capacidade de criar empregos e gerenciar a economia, se não fosse o vírus.

Mas mesmo com o resultado incerto das eleições, situação que deve se prolongar por algum tempo em meio a desafios legais, os investidores dos mercados acionários estão gostando do que veem.

Isso ocorre em parte porque os republicanos parecem propensos a manter seu controle sobre o Senado, deixando as prioridades políticas relativamente inalteradas se Trump for o vencedor, ou representando uma força de contenção caso Biden seja eleito e tente forçar qualquer grande mudança de política pública.

É também porque o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, sinalizou nesta quarta-feira que está aberto a um novo projeto de lei de alívio antes que os novos membros eleitos do Senado e da Câmara dos Deputados dos EUA prestem juramento.

Para a economia ainda deteriorada, muito dependerá do momento, do tamanho e da forma de um pacote de alívio à pandemia, que não foi acordado entre os parlamentares e a Casa Branca antes das eleições.

Um pacote fiscal mais modesto pode significar que "a perspectiva de crescimento e os lucros corporativos podem não ser tão vigorosos quanto o esperado", disse James Knightley, economista-chefe internacional do ING.

Uma presidência de Biden com uma maioria republicana no Senado poderia representar o pior cenário para a economia em 2021, porque os republicanos provavelmente irão se opor a um pacote de estímulo substancial, disse Matthew Luzzetti, economista-chefe do Deutsche Bank para os EUA.

Isso seria uma má notícia para os milhões de norte-americanos de baixa e média renda desempregados que lutam para encontrar postos de trabalho em setores como viagens e entretenimento, que provavelmente permanecerão fragilizados até que a pandemia esteja sob melhor controle.

Um cenário em que Trump seja reeleito e o Senado permaneça sob controle republicano poderia potencialmente resultar em mais estímulo, porque Trump defendeu mais auxílio e poderia ter mais influência se for reeleito, disse Luzzetti.

Independentemente do resultado da eleição, qualquer pacote de alívio deve fornecer auxílio adicional para os desempregados, ajuda para pequenas empresas e assistência para governos estaduais e locais para manter o ímpeto econômico, disse Luzzetti.

((Tradução Redação Brasília, 55 61 33296012)) REUTERS GP MPP IV