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Análise | Realme 7 Pro tem potência de sobra para ser destaque em 2021

Douglas Ciriaco
·12 minuto de leitura

A Realme ainda não é tão conhecida por aqui quanto à Xiaomi, a sua principal rival, mas os planos da empresa para o Brasil parecem ambiciosos. A companhia estreia em território nacional neste início de janeiro e chega com duas das suas melhores tacadas para disputar no mercado intermediário, os Realme 7 e 7 Pro.

Antecipando ao lançamento oficial dos produtos da Realme no Brasil, o Canaltech apresenta agora uma análise completa do Realme 7 Pro. O dispositivo da “nova gigante” chinesa traz especificações de respeito, promete uma experiência consistente de câmera e recarga super-rápida que enche o tanque em menos de 40 minutos.

Será que na prática essa qualificação toda se traduz em um bom celular? É a pergunta que responderemos nos próximos parágrafos.

Construção e design

Quando vi análises em vídeo do Realme 7 Pro, eu fiquei um tanto reticente ao saber da sua construção em plástico, mesmo entendendo a faixa de mercado na qual ele se encaixa. A sensação de ter o aparelho em mãos, porém, afasta qualquer desconfiança e a experiência aqui passa uma excelente sensação, com uma pegada no geral bem anatômica.

O efeito brilhante do verso do celular, com direito a dois padrões de cores, deixa tudo com uma cara premium. A textura também é boa de sentir com os dedos e passa firmeza, especialmente porque uma construção de plástico por vezes também é mais segura na prática do que revestimento em vidro, mesmo qeu tenha um apelo bem menos glamouroso.

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O visual da parte de trás é completado pelo belo conjunto de câmeras estilo cooktop e mais nada, afinal o leitor de digitais está embutido sob a tela. Tudo isso dá o Realme 7 Pro um visual semelhante ao da linha Galaxy S20, da Samsung, o que nem de longe é um problema.

De modo geral, todos os detalhes do Realme 7 Pro em termos de construção são coerentes com a proposta de um intermediário premium.

Tela e som

O Realme 7 Pro é o primeiro da série a adotar uma tela Super AMOLED, oferecendo cores mais fiéis e equilibradas, com contrastes mais vivos do que se vê nas telas LCD que vemos por aí. Essa opção vem acompanhada de uma frequência de atualização de 60 Hz, abandonado a tela LCD de 90 Hz — a altração foi feita com base em enquete realizada com os fãs da marca.

O painel de 6,4 polegadas tem um aproveitamento de tela excelente, de 82,7%, garantindo espaço de sobra graças à adoção de uma câmera frontal em um buraco no canto superior esquerdo. O uso da tecnologia AMOLED Isso dá ao celular da Realme duas possibilidades interessantes. A primeira delas é a do leitor de digital embutido no display, que aqui funciona bem e já mostra que essa tecnologia está madura, pronta para substituir leitores físicos.

A outra é uma espécie de Always on Display que, apesar de útil, não é tão eficaz como acontece em dispositivos de outras marcas. Não há como ativar o relógio e as notificações apenas quando a tela é tocada — ou ela fica 100% apagada ou tais informações são exibidas de forma contínua (há como definir um período de tempo exato para a ativação do recurso, porém).

Esse detalhe pode fazer falta para quem migrou de um celular de outra marca com um AoD mais robusto, digamos assim, mas não prejudica em quase nada a experiência com o 7 Pro.

Realme 7 Pro é um dos carro-chefe da marca no Brasil (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)
Realme 7 Pro é um dos carro-chefe da marca no Brasil (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)

Em relação ao brilho, os níveis apresentados pelo celular são bem satisfatórios, especialmente quando o modo de adaptação automática está ativado. Claro que a experiência debaixo de um sol de rachar não será tão incrível quanto a de um flagship, mas o Realme 7 Pro de fato se destaca para um intermediário da sua faixa de preço.

Por fim, os destaques de tela são complementados por perfis de cor automáticos disponíveis no sistema. Indo às configurações de tela, é possível definir um tom mais neutro, mais quente ou mais frio, algo que ainda assim oferece imagens nítidas e cores altamente fieis. Em suma, a experiência com a tela do Realme 7 Pro não deixa nada a desejar.

Falando da reprodução sonora, o dispositivo traz um sistema estéreo com dois alto falantes — um na base e outro no topo, por onde sai o áudio de uma ligação. O posicionamento escolhido pela fabricante parece incômodo em alguns momentos, pois não é difícil posicionar o dedo sobre a saída de som durante o uso. Mesmo assim, pouco de tempo de uso já deve habituar você a não fazer esse movimento, então, na média, a experiência permanece muito bom quanto à reprodução sonora.

Hardware e desempenho

O Realme 7 Pro está equipado com 8 GB (há uma versão com 6 GB) e um Snapdragon 720G — e esse “G” aí ao lado do número indica uma peça otimizada para jogos. Na prática, o que se vê é um chip intermediário de respeito que realiza de maneira sublime as tarefas básicas do dia a dia, como apps de rede social e navegação, e esbanja poder quando se trata de jogatina.

Games como Asphalt 9 e PUBG Mobile rodaram lisinhos mesmo com a configuração visual mais potente disponível nas configurações. Apesar de não ser o principal chip intermediário da Qualcomm disponível no mercado, o 720G combina bom desempenho e um consumo energético bastante honesto, garantindo mais um ponto positivo para o Realme 7 Pro.

Em comparação no Geekbench, o celular da Realme não marca tantos pontos quanto aparelhos usando chips de ponta de 2020 ou mesmo de 2019, mas novamente é preciso bater na tecla de que estamos falando de um dispositivo intermediário que disputa mercado com os principais modelos da linha Redmi Note, da POCO e alguns modelos “lite” da Xiaomi.

Quando colocado nessa perspectiva, o apelo da Realme com seu novo intermediário se torna ainda mais interessante, pois aqui há desempenho de sobra para fazer basicamente tudo sem engasgos e sem empenar a bateria — mas, claro, um tanto de prudência é essencial para fazer o tanque de energia durar até o fim do dia caso você seja um jogador ávido.

Ficha técnica

  • Tela: 6,4 polegadas Super AMOLED, 60 Hz Full HD+;

  • Chipset: Snapdragon 720;

  • Memória RAM: 6 ou 8 GB;

  • Armazenamento interno: 128 GB;

  • Câmera traseira: 64 MP + 8 MP + 2 MP + 2 MP;

  • Câmera frontal: 32 MP;

  • Dimensões: 160.9 x 74.3 x 8.7 mm;

  • Peso: 182 gramas;

  • Bateria: 4.500 mAh;

  • Extras: leitor de digitais na tela, NFC, carregamento rápido 65 W, 3.5 mm para fones;

  • Cores disponíveis: prata e azul;

  • Sistema operacional: Android 10.

Câmera

As câmeras do Realme 7 Pro também somam pontos altamente positivos para o novo dispositivo. Além de contar com um modo retrato competente, o conjunto quádruplo de 64 MP + 8 MP + 2 MP + 2 MP (profundidade) gera imagens belíssima e ainda permite a aplicação de um “zoom digital” graças às capturas em 64 megapixels.

Os detalhes e as cores se mantêm fiéis mesmo em condições de luz que não são ideias, algo bastante positivo e proporcionado pelo sensor Sony IMX 682. Apesar de passar longe de toda a robustez oferecida pelos topo de linha, o uso geral da câmera aqui se mostrou bastante competente que combina hardware e software para gerar belas imagens sob diferentes iluminações, com bons níveis de branco e um desempenho satisfatório mesmo quando as condições de iluminação não são das melhores.

Foto recortada a partir de um registro da câmera de 64 MP do Realme 7 Pro (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)
Foto recortada a partir de um registro da câmera de 64 MP do Realme 7 Pro (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)

O aparelho dispõe de um modo noturno, outro recurso que não deixa a desejar, mas não chega a ser excepcional. Ele vai, sim, quebrar um galho, mas não espere resultados incríveis como os vistos em celulares mais caros.

O dispositivo tem uma lente macro e um modo de foto “ultramacro” que garante alguns registros apenas razoáveis quando o objeto fotografado está muito próximo — a sensação é de que essa lente está aqui apenas para cumprir o protocolo. Há, ainda, um modo “especialista” para quem curte regular detalhes como controle de branco e ISO manualmente, mais uma cortesia do bom aplicativo de câmera da Realme e que deve agradar bastante os mais exigentes e entendidos do assunto.

Como de praxe, o auxílio da inteligência artificial (que pode ser ativado ou desativado manualmente) acaba por gerar fotos nem sempre muito naturais quando o objeto é outra pessoa, mas pode ser útil para fotografar paisagens. O app da câmera oferece diversos perfis de cores.

As selfies seguem o mesmo padrão de qualidade da câmera traseira graças a uma lente de 32 MP. Ela, claro, não tem os mesmos detalhes de especificações da poderosa câmera de 64 MP das costas do Realme 7 Pro, mas faz registros bem interessantes especialmente com as condições de luz ideais. Fora disso, ela também não é excepcional e pode produzir imagens com ruídos, mas não decepciona para um modelo dessa faixa de hardware e preço.

Em termos de vídeo, o Realme 7 Pro também se mostra muito competente. Os efeitos de cor, a estabilização, tudo isso complementa a experiência de um jeito bem legal, garantindo produções audiovisuais que vão até um pouco além daquilo que se espera de um intermediário. Isso qualifica o celular da marca chinesa como uma boa opção também para quem quer produzir conteúdos com bom apelo visual sem ter que gastar muito para isso.

Software e interface

Equipado de fábrica com Android 10 e a versão 1.0 da Realme UI, o Realme 7 Pro tem um bom apelo visual e sua interface parece uma mistura bem interessante do Android puro com a One UI 2.0+, da Samsung.

Obviamente que há uma série de modificações específicas e coisas peculiares aqui, mas de certa forma eu me senti bastante familiarizado com tudo exatamente porque ela lembra as pastas de apps da One UI e a gaveta de apps típica do Android puro.

Na comparação com o visual da Samsung, a Realme UI 1.0 perde por não permitir agrupar apps na gaveta e por exigir alguns toques a mais na tela na hora de desconectar um dispositivo Bluetooth. Tudo isso, porém, não causa qualquer grande prejuízo e é aqueles pequenos detalhes aceitáveis que logo se tornam habituais e não são mais ponto de estranheza para o usuário.

O Realme 7 Pro traz alguns bloatwares de fábrica, aqueles apps que ninguém pediu, mas estão ali e quase ninguém se importa. A maioria, como o pacote Microsoft Office, pode ser removida, mas se você optar por serviços básicos do Android mesmo (Calendário, Contatos, gerenciador de arquivos e por aí vai), terá apps com funções duplicadas no celular — esse inconveniente, porém, não é um "privilégio" da Realme.

Menu de acesso rápido da Realme UI quebra alguns galhos no dia a dia (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)
Menu de acesso rápido da Realme UI quebra alguns galhos no dia a dia (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)

Um dos recursos da Realme UI que mais me chamou a atenção em termos de usabilidade é um menu de acesso rápido localizado à direita da tela. Ele é personalizável, então é possível adicionar ali absolutamente qualquer aplicativo para acessar em apenas dois toques. É uma daquelas firulas que, ao começar a usar, você pensa como todos os sistemas deveriam ter algo assim.

Outro serviço nativo da Realme UI muito bem-vindo é o app Game Space. Ele é um agregador de jogos inteligente capaz de encontrar sozinho a maioria dos games instalados no dispositivo, mas não apenas isso: por meio dele, é possível ativar perfis de uso para ter foco em desempenho ou em bateria nos games que você joga. Mais um pequeno detalhe que engrandece a experiência de usuário e combina muito bem com a proposta geral do Realme 7 Pro.

Bateria e carregador

Sem dúvida, eis aqui o grande trunfo da Realme para enfrentar os principais concorrentes do Realme 7 Pro. A bateria de 4.500 mAh não é das mais avantajadas que se tem por aí, afinal já temos modelos com tanques bem maiores por aí, mas também não deixa na mão e deve aguentar bem mais de um dia inteiro de uso moderado.

Contudo, a cereja do bolo é o carregador dotado da tecnologia Superdart de 65 W. É potência de sobra para encher a bateria de 0% a 100% em menos de 40 minutos, sendo que é possível carregar um terço da bateria em cerca de 10 minutos.

Usando o cabo e o carregador incluídos na caixa do Realme 7 Pro, você nem precisa de muito tempo com ele grudado à tomada para garantir praticamente um novo dia de uso. Na correria do cotidiano, essa característica é muito bem-vinda porque não será difícil encontrar uma tomada disponível em um estabelecimento comercial, por exemplo, para aumentar a duração da bateria por mais algumas horas.

E em um tempo onde Apple já tirou e possivelmente Xiaomi e Samsung também devem tirar o carregador do kit básico, o Realme 7 Pro é um bálsamo para o bolso do usuário.

Realme 7 Pro desponta como um dos principais intermediários do momento (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)
Realme 7 Pro desponta como um dos principais intermediários do momento (Imagem: Douglas Ciriaco/Canaltech)

Realme 7 Pro vale a pena?

Sem a menor sombra de dúvidas, o Realme 7 Pro figura entre os melhores intermediários de 2020, apesar de só chegar aqui agora, no início de 2021. Ele melhorou tudo o que podia em relação ao seu antecessor, conseguiu ampliar o aproveitamento da tela e combina uma câmera muito capaz com um sistema de recarga excepcional.

O conjunto da obra aqui é grandioso, completado por um acabamento bom de se tocar e de se ver. O kit básico, que traz carregador e capinha, completa a ótima experiência oferecida pela fabricante chinesa que se tornou neste ano a empresa que mais rapidamente atingiu a marca de 50 milhões de celulares vendidos da história.

Quando posicionado junto de concorrentes como a linha Redmi Note 9, o Galaxy A71, o Galaxy A51 ou mesmo a linha Moto G, o Realme 7 Pro parece no mínimo não ficar devendo em absolutamente nada. Olhando por determinados prismas, como a questão da câmera e especialmente a eficiência energética, o aparelho da Realme parece estar um pouco à frente.

Tudo isso mostra que não é um mero acaso a escolha de usar o Realme 7 Pro como o principal cartão de visitas da fabricante para o mercado brasileiro. Apesar de um hardware excelente para a categoria, os preços praticados pela fabricante no Brasil devem decepcionar um pouco no momento do lançamento — o dispositivo foi anunciado por aqui por R$ 2.799, quantia bem acima do A71, por exemplo, e próxima de valores pelos quais já se pode encontrar o iPhone SE de 2020.

Apesar de estar mais em conta que os preços nacionais praticados pelos seus rivais da Xiaomi e da Redmi, o valor oficialmente cobrado pelo Realme 7 Pro deixa um gosto amargo e pode tornar este bom aparelho menos competitivo contra Samsung e Motorola.

Fonte: Canaltech

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