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Análise | Radeon RX 6800 e RX 6800 XT lançam AMD de volta ao panteão das GPUs

Sérgio Oliveira
·24 minuto de leitura

Há pelo menos sete anos, falar de uma placa de vídeo da AMD também era motivo para falar em alto consumo energético e baixa eficiência apesar do preço atraente. Por anos as Radeon sempre foram encaradas pelo mercado e pelos consumidores como a opção “pode ser”, indicadas para quem não tinha tanto cacife assim para investir numa placa de vídeo top de linha, antes sinônimo de Nvidia.

Corta para 2020 e o que vemos é um cenário completamente diferente. Agora, com a chegada da microarquitetura RDNA 2, a AMD se reposiciona no mercado como uma ameaça efetiva ao reinado da concorrente. As novas GPUs da família Radeon RX 6000 não só corrigem todos as falhas e problemas de antes, deixando as questões de consumo e ineficiência no passado, como oferecem suporte ao tão falado ray tracing e dobram praticamente todos seus aspectos.

Para os mais desaviados, tamanha evolução pode parecer mágica. Mas a verdade é que tudo é fruto dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento feitos pela AMD, que parece ter replicado com sucesso a estratégia que alavancou os Ryzen em seu lançamento, em 2017, e agora ameaça a soberania da Intel com os Ryzen 5000.

Dito isso, surge a pergunta: essas novas placas de vídeo da AMD são realmente boas? Valem o investimento? O Canaltech recebeu a Radeon RX 6800 e a Radeon RX 6800 XT para avaliação e para responder a essas perguntar para você. Vem com a gente nesta análise!

Radeon RX 6800 XT e RX 6800: modelos da AMD vêm com nova arquitetura RDNA 2, suporte a ray tracing e mirando em gráficos 4K
Radeon RX 6800 XT e RX 6800: modelos da AMD vêm com nova arquitetura RDNA 2, suporte a ray tracing e mirando em gráficos 4K (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Design dos modelos de referência

Antes de cairmos de cara nas novas Radeon RX 6000, primeiro vamos dar uma olhada mais atenta no projeto de design e em suas especificações para termos uma fundação mínima para entendermos os resultados dos benchmarks.

A AMD costuma “passear” bastante pelos designs de suas placas de referência, ora optando por um sistema de resfriamento via blower — como foi nas RX 5000 —, ora adotando o sistema open-air — a exemplo da Radeon VII da série RX Vega. Assim, o que primeiro chama a atenção nessas novas GPUs é justamente o sistema de resfriamento open-air com três coolers de 77mm cada, que reduz em até 70% a percepção de ruído. Além da eficiência do sistema em si, vale lembrar que, assim como a maioria das placas de vídeo mais atuais, esses coolers não “levantam voo” imediatamente após o PC ligar, mas sim somente após a GPU ultrapassar uma determinada barreira de temperatura — no Canaltech, essa barreira foi de 60℃.

Modelos de referência têm o mesmo design open-air com três coolers, corpo todo feito em metal fundido injetado e alimentação por dois conectores de oito pinos. Diferença fica por conta da altura do dissipador, maior na RX 6800 XT
Modelos de referência têm o mesmo design open-air com três coolers, corpo todo feito em metal fundido injetado e alimentação por dois conectores de oito pinos. Diferença fica por conta da altura do dissipador, maior na RX 6800 XT (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

O visual em si é basicamente o mesmo tanto para a RX 6800 quanto para a RX 6800 XT. Ambas prezam pela discrição, apostando num visual que mistura a cor preta com detalhes em prata, e têm a logo da Radeon acendendo em vermelho — embora pareça que a 6800 XT tenha, na verdade, um LED RGB que ainda não pode ser ajustado no Radeon Software. A construção, por sua vez, é toda feita em metal fundido, que também acaba auxiliando na dissipação do calor.

O comprimento das placas é o mesmo (267 mm), embora a RX 6800 XT tenha dissipadores um pouco mais altos e isso a faça ser 115g mais pesada (1,504 kg) e ocupar três slots em vez de dois, como a RX 6800 o faz. Também são idênticos os conectores (2x 8 pinos) e a quantidade de saídas de vídeo: 2x Display Ports, 1x HDMI 2.1 e 1x USB-C.

Conectividade das Radeon RX 6000: modelos vêm com duas Display Ports, uma porta HDMI 2.1 e uma USB-C
Conectividade das Radeon RX 6000: modelos vêm com duas Display Ports, uma porta HDMI 2.1 e uma USB-C (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Por fim, vale observar que o visual e construção são referentes aos modelos de referência fabricados pela própria AMD. Contudo, diferente do que vemos com a Nvidia, as fabricantes parceiras da companhia normalmente seguem o design à risca.

Especificações e arquitetura

Antes do lançamento oficial das RX 6000, surgiram incontáveis rumores sobre as especificações das novas placas de vídeo da AMD e que elas, pela primeira vez, superariam a concorrência com alguma folga. Quando o anúncio finalmente foi oficializado em outubro, a maioria desses boatos se confirmaram em alguma medida.

Leia também: AMD anuncia nova família de GPUs Radeon RX 6000 focada na jogatina em 4K

Não dá para negar que a novidade mais atraente dessa geração de GPUs é o suporte a ray tracing acelerado por hardware, antes exclusivo das GeForce RTX. Mas, a bem da verdade, há muitos outros recursos, funcionalidades e melhorias proporcionadas pela RDNA 2 que impactam a experiência do jogador de maneira mais significativa.

Para começar, a nova arquitetura foi desenhada pensando principalmente em altíssimas velocidades. Graças a isso, a RX 6800 XT tem um game clock de mais de 2 GHz, enquanto a RX 6800 alcança 2,1 GHz em boost sem muita dificuldade. Quer espremer ainda mais o componente? Com overclock eles podem alcançar frequências de mais de 2,5 GHz. É muita coisa!

Outra melhoria importantíssima implementada pela AMD nas novas Radeon RX 6000 é o chamado Infinity Cache. Basicamente, ele indica que as placas de vídeo da série têm assombrosos 128 MB de cache L3. Com tanto cache à disposição assim, a ideia é que a GPU não precise tanto acessar a memória, reduzindo sensivelmente a latência e otimizando a utilização da largura de banda — algo extremamente importante quando falamos de texturas gigantescas em resolução 4K.

Sem tanto vai-e-vem de requisições para a memória, as Radeon RX 6000 também acabam sendo mais econômicas e eficientes — no geral, a AMD afirma que os modelos conseguem entregar até 54% mais desempenho por Watt. Mas, o mais curioso disso é que a RX 6800 tem TDP de 250W (30W a mais que sua principal concorrente, a RTX 3070), enquanto a RX 6800 XT tem TDP de 300W (20W a menos que a RTX 3080).

Otimização de fabricação utilizando litografia de 7nm e arquitetura RDNA 2 entregam até 54% mais desempenho por watt nas Radeon RX 6000
Otimização de fabricação utilizando litografia de 7nm e arquitetura RDNA 2 entregam até 54% mais desempenho por watt nas Radeon RX 6000 (Imagem: Reprodução/AMD)

Obviamente, o cache maior não é o único responsável pela maior eficiência das novas Radeon RX 6000. Embora estejamos falando de uma nova arquitetura, a AMD preferiu empregar a mesma litografia de 7nm na RDNA 2 e refinar seu processo em vez de saltar para os 5nm. E o motivo para isso é bem simples: ainda havia muito, mas muito espaço para melhorias.

A prova cabal disso é que a fabricante conseguiu dobrar os aspectos mais importantes da nova arquitetura. A quantidade de VRAM subiu de 8 GB para 16 GB, as ROPs foram de 64 para 128 e os TFLOPs, a quantidade de transistores e o tamanho do die mais que dobraram.

Ao lado disso tudo temos recursos importantes parte das especificações do DirectX 12 Ultimate, inclusive alguns bastante detalhados em uma matéria que o Canaltech fez sobre a tecnologia dos videogames de nova geração e no review do Xbox Series X, que empregam a arquitetura RDNA 2 da AMD. Para não passar batido, vale mencionar aqui o Variable Rate Shading (VRS), mesh shaders, sampler feedback e, claro, o tão falado ray tracing.

Este último, entretanto, merece uma atençãozinha especial. Embora estejamos falando da badalada tecnologia inaugurada pela Nvidia com as RTX 2000, há uma diferença sensível na forma como a AMD a implementa. Em vez dos chamados RT Cores das GeForce, as Radeon RX 6000 empregam os chamados “Ray Accelerators” para cada unidade computacional (CU). Isso significa que a RX 6800 tem 60 unidades aceleradoras de raio, enquanto a RX 6800 XT tem 72 — mesmo número de CUs. São essas unidades as responsáveis pelos cálculos de intersecção dos traços de raio de luz antes de entregá-los para finalização pelos shaders das CUs.

Melhorias possíveis graças ao Infinity Cache, uma das principais novidades da RDNA 2
Melhorias possíveis graças ao Infinity Cache, uma das principais novidades da RDNA 2 (Imagem: Reprodução/AMD)

O problema disso é que ainda não há uma forma exata de comparar o desempenho dos Ray Acelerators em relação aos RT Cores. O que se sabe é que essa abordagem da AMD faz cálculos de ray tracing até 10 vezes mais rápido do que se o trabalho fosse feito pelos shaders tradicionais e que os RT cores empregados nas RTX 3000 são 1,7 mais eficientes que os de primeira geração - isso sem falar da “mãozinha” que o DLSS e os Tensor Cores dão às GeForce. No fim das contas, há bastante incongruência para fazer uma comparação justa, mas dá para arriscar que as RTX 3000 seguem com vantagem nesse aspecto.

Seja como for, no papel as Radeon RX 6000 são verdadeiros monstros! E na prática? Como elas se saem?

Placa de vídeo

Radeon RX 6800 XT

Radeon RX 6800

GeForce RTX 3070

Chip

Navi 21 (XT)

Navi 21 (XL)

Ampere GA104

Litografia

7nm

7nm

8nm

Clock

1.487 MHz

1.372 MHz

1.500 MHz

Game Clock

2.015 MHz

1.815 MHz

N/A

Boost Clock

2.250 MHz

2.105 MHz

1.725 MHz

Transistores (bilhões)

26,8

26,8

17,4

Die size

519 mm²

519 mm²

392,5 mm²

CUs

72

60

N/A

Ray Accelerators

72

60

N/A

Tensor Cores

N/A

N/A

184

RT Cores

N/A

N/A

46

VRAM

16 GB 

16 GB

8 GB

Tecnologia

GDDR6

GDDR6

GDDR6

Clock efetivo VRAM

16.000 MHz

16.000 MHz

16.000 MHz

Largura de banda

512 GB/s

512 GB/s

448 GB/s

Largura de bus

256

256

256

Infinity Cache

128 MB

128 MB

N/A

Shading units

4.608

3.840

5.888

ROPs

128

96

96

TMUs

288

240

184

TFLOPS (boost)

20,7

16,2

20,3

Comprimento

267 mm

267 mm

242 mm

Alimentação

2x 8 pinos

2x 8 pinos

1x 12 pinos

TDP

300W

250W

220W

Conexões

2x Display Port 1.4, 1x HDMI 2.1, 1x USB-C

2x Display Port 1.4, 1x HDMI 2.1, 1x USB-C

3x Display Port 1.4, 1x HDMI 2.1

Preço lançamento

US$ 649

US$ 579

US$ 499

Setup de testes

Para testar as Radeon RX 6000 aqui no Canaltech, montamos uma máquina totalmente baseada em componentes da AMD. Assim, empregamos uma placa-mãe Gigabyte X570 Gaming X, processador AMD Ryzen 9 5900X rodando em stock e 4 módulos de memória CL16 rodando a 3.600 MHz. Dessa forma, a ideia foi eliminar qualquer possível de desempenho e deixar as GPUs trabalharem com folga.

Também utilizamos o Windows 10 Pro versão 20H2, com as atualizações e patches de segurança mais recentes instalados e todos os componentes rodando os drivers mais novos disponíveis no momento da publicação desta análise. O firmware/BIOS da placa-mãe também estava atualizado para sua última versão.

Finalmente, optamos por não fazer overclock nem no processador nem nas placas de vídeo. Além disso, não ativamos o Smart Access Memory, recurso implementado pela AMD que permite os Ryzen 5000 acessarem diretamente os 16 GB de VRAM das GPUs para reduzir ainda mais a latência e obter ganhos de desempenho de até 18%. O motivo disso, entretanto, é que, até a publicação deste review, o suporte à funcionalidade ainda não estava 100% no modelo de placa-mãe utilizada.

Dito isso, o setup de testes utilizado para esta análise foi o seguinte:

Agora que você conhece o setup e foi apresentado às AMD Raderon RX 6000, vamos dar uma olhada em como exatamente elas se saem quando são colocadas a prova.

Benchmark

Os testes realizados pelo Canaltech têm como objetivo avaliar o desempenho geral de todos os hardwares. Para isso, no caso das placas de vídeo, além de executarmos uma série de jogos para medir como o componente se sai trabalhando com aquilo que ele foi projetado para fazer, também rodamos algumas ferramentas que ajudam a entender o funcionamento de recursos em situações bem específicas.

Como as Radeon RX 6800 e Radeon RX 6800 XT são GPUs focadas em 4K, os testes foram executados preferencialmente nessa resolução, salvo quando a ferramenta trabalhava em outra específica. Quanto aos jogos, as GPUs passaram pelo menos três vezes por cada um deles, em resoluções diferentes (Full HD, Quad HD e 4K) para medirmos seu desempenho em realidades diferentes de setup.

Novas Radeon RX 6000 da AMD prontas para os benchmarks
Novas Radeon RX 6000 da AMD prontas para os benchmarks (Foto: Sergio Oliveira/Canaltech)

Sobre isso, vale um adendo importante aqui: além das novas placas de vídeo da AMD, também executamos as mesmas baterias de testes com as GeForce RTX 2070 Super e GeForce RTX 3070, que entraram para esta análise para fins comparativos. Infelizmente, o Canaltech ainda não teve acesso a uma RTX 3080 para colocá-la lado a lado com a RX 6800 XT — assim que tivermos, os gráficos serão atualizados.

Temperatura e consumo de energia

A primeira bateria de testes teve como objetivo medir a temperatura e consumo de energia das placas de vídeo. No primeiro deles, avaliamos a temperatura de operação padrão quando o sistema está ocioso — ou seja, computador ligado, mas sem executar nenhuma tarefa — e depois com carga total, rodando o Time Spy Extreme do 3DMark, uma das mais respeitadas e conceituadas ferramentas de benchmark do mercado. Já a medição da temperatura em si foi realizada com o auxílio do AIDA64 Engineer, uma das ferramentas de diagnóstico e audição mais amplamente utilizadas no mercado.

Aqui observamos um fato curioso: como a maioria das placas atuais, as Radeon RX 6000 deixam suas ventoinhas desligadas quando não há uma carga de trabalho tão grande. Dessa forma, o componente não só opera de maneira mais silenciosa quando é exigido em trabalhos mais leves, como economiza energia. Apenas ao atingir uma determinada temperatura é que os coolers são ativados e começam a girar.

Essa temperatura é predeterminada de fábrica, embora o usuário possa mexer e defini-la manualmente. Como nossos testes foram feitos com as configurações stock, percebemos que o valor padrão estabelecido pela AMD foi de 60℃. Na RTX 3070, a Nvidia estabeleceu um valor inferior, na casa dos 45, 50℃ - por isso, mesmo no teste com o sistema ocioso, as novas Radeon marcaram temperaturas maiores.

Vale lembrar também que a temperatura pode variar bastante dependendo da região e temperaturas ambiente — a presença de ar-condicionado no ambiente é outro fator que pode impactar no resultado. Aqui, os testes foram executados no calor de Natal, em temperatura ambiente na casa dos 29℃.

Benchmark de temperatura: máquina ociosa
Benchmark de temperatura: sistema ocioso em 4K (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)
Benchmark de temperatura: sistema rodando Time Spy Extreme em Quad HD
Benchmark de temperatura: sistema rodando Time Spy Extreme em Quad HD (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Já nos testes de consumo de energia, nosso objetivo é medir e verificar se as placas operam dentro do TDP indicado pela fabricante. Por isso, a aferição foi feita isoladamente do restante do sistema com o auxílio do AIDA64 Engineer enquanto a GPU era submetida à carga de trabalho do Time Spy Extreme, do 3DMark.

Benchmark de consumo de energia: medição com sistema rodando Time Spy Extreme
Benchmark de consumo de energia: medição com sistema rodando Time Spy Extreme (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Testes de GPU

A segunda bateria de testes a que a Radeon RX 6800 e a Radeon RX 6800 XT foram submetidas envolve a execução de aplicações que simulam o uso de recursos específicos in-game e outras que medem como os componentes se saem na hora de renderizar vídeos e cenas em 3D.

No primeiro dos testes desse segmento, rodamos o 3DMark Time Spy Extreme, da UL Benchmark, para simular um jogo 4K que utiliza API DirectX 12. A ideia é forçar as placas de vídeo ao limite e, ao fim, atribuir uma nota para seu desempenho.

3DMark Time Spy Extreme mede a capacidade de a GPU trabalhar com gráficos em 4K; quanto maior a pontuação, melhor
3DMark Time Spy Extreme mede a capacidade de a GPU trabalhar com gráficos em 4K; quanto maior a pontuação, melhor (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

O segundo teste foi feito rodando o Port Royal, também do 3DMark, para medir quão bem as GPUs conseguem lidar com os complexos cálculos de ray tracing em resolução 1440p (Quad HD). Aqui, perceba que nossa suposição de que as placas Nvidia continuam em vantagem em relação ao ray tracing se confirma — e embora não tenhamos dados da RTX 3080 para comparar com a RX 6800 XT, parece seguro suficiente dizer que ela se sairia melhor como a RTX 3070 se saiu em relação à RTX 3070.

Port Royal mede a capacidade da placa de vídeo de lidar com cálculos de ray tracing; quanto maior a pontuação, melhor
Port Royal mede a capacidade da placa de vídeo de lidar com cálculos de ray tracing; quanto maior a pontuação, melhor (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Por fim, rodamos toda a bateria de testes do Blender, que mede e nos dá uma boa ideia da capacidade das placas de vídeo de renderizar imagens e vídeos. Para isso, o software apresenta cenas com graus de complexidade bem distintos, que levam mais e menos tempo para serem preparadas de acordo com o poder de fogo do componente — quanto mais rápido ele fizer o trabalho, melhor.

Blender mede a capacidade a capacidade da GPU de renderizar cenas tridimensionais predeterminadas; quanto menor o tempo de renderização, melhor
Blender mede a capacidade a capacidade da GPU de renderizar cenas tridimensionais predeterminadas; quanto menor o tempo de renderização, melhor (Gráfico: Sergio Oliveira/Canaltech)

Desempenho em jogos

Agora sim vamos ao que interessa de verdade: os jogos! Até aqui vimos que as novas Radeon RX 6000 da AMD são extremamente competitivas e dão uma bela canseira na concorrência, se sobressaindo aqui e acolá - algumas vezes por uma boa margem. Mas será que elas têm fôlego nos jogos?

Antes de vermos isso, é sempre muito importante explicar a metodologia que foi adotada nas nossas medições.

No mundo dos games, geralmente duas métricas são utilizadas para avaliar o quão bem um título está sendo executado, seja ele no PC ou em um console: qualidade de imagem e taxa de quadros por segundo (o famoso FPS, ou frames per second). O problema é que quanto maior a qualidade de imagem, maior o impacto sobre a placa de vídeo, o que consequentemente acaba afetando a taxa de FPS.

Por isso, o ideal é sempre encontrar um meio-termo entre qualidade de imagem e taxa de quadros por segundo para ter uma experiência fluida e satisfatória. Dessa forma, você mesmo conseguirá avaliar se o desempenho da sua máquina está satisfatório com base no seguinte:

  • Abaixo de 30 FPS: experiência de gameplay muito limitada, indicando que sua GPU não consegue lidar com o jogo; é o cenário a ser evitado;

  • Entre 30 e 40 FPS: experiência de gameplay tolerável, embora muito provavelmente você veja stuttering em momentos de maior ação ou complexidade;

  • Entre 40 e 60 FPS: boa experiência de gameplay, com imagens fluidas e de qualidade; é o que você sempre deve procurar;

  • Acima de 60 FPS: a melhor experiência possível, indicando que provavelmente você tem uma placa de vídeo monstruosa.

Com tudo isso explicado, vale reforçar que, por termos em mãos duas placas de vídeo de altíssimo desempenho, voltadas para a jogatina em 4K, nosso objetivo foi avaliar quão bem elas conseguem lidar com cenários limítrofes. Ou seja: em todos os jogos utilizados neste review, setamos as definições na qualidade máxima possível e rodamos os testes em três resoluções para cada jogo: Full HD (1080p), Quad HD (1440p) e 4K (2160p). Dessa forma pudemos avaliar as GPUs tanto em cenários "confortáveis", passando pelo mediano, até seu limite.

Ao todo, oito jogos foram avaliados e 24 testes foram executados. Desses, as placas da AMD apresentaram desempenho superior e com folga (10% ou mais) em 11, enquanto em 10 deles rolou o que podemos considerar de empate técnico (diferença de menos de 10%). Por fim, em apenas três testes vimos as duas Radeon RX 6000 serem superadas pela RTX 3070. Isso, no entanto, tem uma explicação bem lógica.

Se você leu o review inteiro até aqui, deve lembrar que falamos que as placas da Nvidia têm recursos como o DLSS e os Tensor Cores que dão uma "mãozinha", certo? Pois bem, foi justamente isso que fez a diferença no teste de Metro Exodus, cujo benchmark, por padrão, roda com ray tracing e DLSS ativados e, por isso, tem desempenho até 56% superior.

Sem o ray tracing e o DLSS na jogada, e comparando apenas a RX 6800 com a RTX 3070, a placa da AMD foi superada em sete testes — ou seja, 29% dos testes que realizamos. No mais, a diferença de desempenho chegou a ser de até 30% a favor da Radeon em relação a sua rival — um número bem interessante.

Assassin's Creed Odyssey

Apesar de lançado em 2018, o título da Ubisoft ainda é um bom parâmetro para benchmark, sobretudo por exigir bastante da placa de vídeo. Até o lançamento das RTX 3000 e das Radeon RX 6000, era impossível alcançar o tão sonhado 4K@60FPS com as placas disponíveis no mercado, uma prova de quão exigente é o título.

Far Cry 5

No geral, o FPS da Ubisoft roda bem em qualquer máquina, independentemente da marca da CPU e da GPU. Normalmente visto como um título "leve", a verdade é que ele faz um bom gerenciamento de memória e acaba servindo para mostrar o real poder de fogo dos componentes.

Forza Horizon 4

Mais um jogo conhecido por rodar bem em qualquer máquina, independentemente de especificações, o jogo de corrida da Microsoft é tão bem otimizado que, mesmo utilizando DirectX 12, alcança altas de quadro rodando no Ultra e em 4K. O diferencial, aqui, é o mundo aberto, que exige processamento e renderização contínuos.

Gears 5

A mais recente iteração da famosa franquia de tiro da Microsoft é outro exemplo de título otimizado, embora exija bem mais da CPU e da GPU devido à grande quantidade de partículas complexas que emprega.

Grand Theft Auto 5

Diferentemente da maioria dos jogos que utilizamos nos benchmarks, o muitíssimo bem-conceituado jogo da Rockstar Games é um exemplo de jogo mal otimizado para os PCs. Prova disso é que, embora tenha sido lançado em 2013 e empregue o DirectX 11, não roda bem nem nas mais novas placas de vídeo do mercado, ficando bem longe dos 4K@60FPS no Ultra.

Metro Exodus

Se antes para saber se um computador era parrudo de verdade perguntávamos "roda Crysis?", hoje é a franquia Metro quem inaugura patamares de exigência. Com cenários extremamente detalhados, uso pesado de partículas para deixar os ambientes o mais verossímeis possível e texturas de primeira qualidade, o jogo dá trabalho para rodar com ray tracing ativado, mesmo quando o DLSS está ligado.

Red Dead Redemption 2

Com um mundo aberto extremamente rico e detalhado, o jogo da Rockstar Games é uma boa referência para medir o desempenho das GPUs nesse gênero. Outro diferencial é que, em vez do DirectX, o jogo utiliza a API Vulkan.

Shadow of the Tomb Raider

O mais recente título da trilogia estrelada por Lara Croft traz gráficos detalhados, excelentes efeitos de iluminação e exige bastante de qualquer placa de vídeo. Além de empregar vários filtros de textura e técnicas de oclusão de ambiente, o título da Eidos Montreal também oferece suporte a DirectX 12 e ray tracing.

Conclusão

Há anos a AMD não apresentava uma família de GPUs tão competitivas quanto a Radeon RX 6000. Até aqui, o que geralmente acontecia era os consumidores considerarem apenas o preço das placas da marca, na típica situação "é o que dá para comprar". Claro, a maioria estava ciente do poder de fogo inferior, mas muito poucos consideravam questões como eficiência energética e desempenho por watt, por exemplo. Agora a fabricante passa uma régua nisso tudo e apresenta componentes extremamente atraentes e capazes de competir em pé de igualdade com os rivais.

Além da nova arquitetura RDNA 2 e as melhorias que ela traz consigo, uma das coisas que mais chama atenção nas RX 6800 e RX 6800 XT é o Infinity Cache e os 16 GB de VRAM, que dão espaço suficiente para os componentes trabalharem com folga. Esse, inclusive, é um dos fatores decisivos para vermos tantos cenários em que a RX 6800 vence a RTX 3070 por uma margem considerável.

Por outro lado, é flagrante que as GeForce lidam melhor com ray tracing, mesmo com DLSS desativado — cortesia do tempo adicional de expertise com a tecnologia. A melhor prova de como tudo isso funciona muito bem junto é que a RTX 3070 supera até mesmo a RX 6800 XT no benchmark de Metro Exodus — e isso me fez pensar em como a RTX 3080 se sairia...

Dito isso, é importante saber o que exatamente você pretende fazer com sua nova placa de vídeo. No geral, de maneira bastante simples, o que podemos dizer é que a RX 6800 ganha em matéria de rasterização e computação bruta, enquanto a RTX 3070 é mais eficiente quando o assunto é ray tracing. Portanto, coloque isso numa balança sabendo que a AMD cobra US$ 80 a mais pelo poder de fogo bruto adicional, enquanto o modelo da Nvidia pode ser encarado como uma opção mais econômica — quem conseguiria prever isso até uns anos atrás?

Particularmente, acredito que, no fim das contas, faz mais sentido investir em uma Radeon RX 6800 se você mira o cenário competitivo ou faz questão de ter uma experiência com o máximo de quadros possível nessa faixa de preço. Mas se o que você procura é beleza e se contenta com taxas próximas dos 60 FPS, seja para mais ou para menos, a RTX 3070 seria a sua opção.

Tá, mas e a RX 6800 XT? Bem, como ainda não pudemos testar a RTX 3080, sua concorrente direta, o comparativo que podemos traçar é com sua irmã menor. Então, para colocá-las em pé de igualdade, precisamos alinhar dois pontos: desempenho e preço.

Se você observou bem os gráficos de benchmark, deve ter notado que a diferença de desempenho dela em relação à RX 6800 não é tão grande assim. Tirando alguns cenários bem específicos, como em Forza Horizon 4 e Gears 5, que a margem foi de quase 30 FPS e 20 FPS, respectivamente, a diferença de desempenho das placas foi praticamente o mesmo — se não igual. Agora observe que a diferença de preço entre elas é de US$ 70 no mercado internacional.

Ou seja, esse valor a mais não se traduz necessariamente em uma experiência melhor em matéria de jogo, já que o desempenho é praticamente o mesmo. Agora quando avaliamos outros cenários, como o de renderização de imagens e vídeos, os testes do Blender mostram que o poder de fogo adicional da RX 6800 XT se paga.

No fim das contas, a AMD conseguiu repetir a fórmula de sucesso dos Ryzen nas Radeon. Graças às otimizações no processo de fabricação e à arquitetura RDNA 2, a RX 6800 e a RX 6800 XT representam um salto de desempenho e de eficiência gigantesco em relação à geração anterior da linha, além de contarem com suporte ao tão falado ray tracing. Tudo bem, ele ainda não é tão eficiente aqui quanto é na concorrência, mas o caminho está traçado — com o perdão do trocadilho.

Mesmo assim, ambas as placas de vídeo não só fazem frente, como chegam a bater as rivais em alguns títulos em 4K sem ray tracing habilitado. Para quem busca desempenho acima de qualquer coisa e não se importa tanto assim com o recurso, elas são opções muito atraentes. O grande porém fica por conta da disponibilidade e do preço: com a pandemia do novo coronavírus e a cadeia de produção totalmente comprometida, a oferta está praticamente inexistente.

No Brasil, a situação é ainda pior, já que nenhuma fabricante parceira da AMD confirmou preços oficiais. De toda forma, vale esta dica para quando as coisas voltarem ao normal: avalie bem suas expectativas e compare os preços. No mercado internacional, uma RX 6800 está saindo mais cara que uma RTX 3070 por uma diferença de preço relativamente grande. Se essa diferença for tão grande assim por aqui, tenha cautela. Já a RX 6800 XT tem preço inferior à RTX 3080 e a expectativa é que isso também valha para cá. Caso isso realmente aconteça, o modelo pode ser bastante atraente.

Fonte: Canaltech

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