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Análise | Onix 2020 tem evolução absurda para se manter no topo

Felipe Ribeiro

Ser líder de mercado há quase sete anos não é para qualquer um, não importa qual seja o segmento. Quando falamos em sucesso no setor automotivo brasileiro, o produto precisa atender não apenas ao gosto do consumidor local, mas também ao mercado, aos mecânicos e, principalmente, ao bolso da galera.

Lançado em 2012, o Onix quebrou paradigmas dentro da indústria automotiva nacional, inserindo itens que, naquele momento, só eram vistos em carros de gamas superiores, como direção hidráulica de série, airbags, freios ABS e, o que talvez fez com que ele decolasse de vez: uma central multimídia completa.

Para se manter no topo de vendas por mais um ano, a Chevrolet teve de refazer completamente o seu produto mais bem-sucedido em décadas. Para começar, mudou totalmente sua estrutura, o tornando mais seguro. Depois, trocou o motor, tornando-o um dos mais eficientes do mercado. O design precisou ser refrescado para os dias de hoje e, por falar em "dias de hoje", ser contemporâneo exige conectividade, e o novo Onix 2020 é totalmente conectado, oferecendo uma central multimídia das melhores do mercado e com um aditivo muito importante: o Wi-Fi nativo.

O Onix Plus não tem (quase) nada do Prisma/ Imagem: Matheus Argentoni/ Canaltech

O Canaltech teve a chance de testar por completo a versão Premier do Onix Plus, a mais cara dentro da linha, e vai contar tudo para vocês agora.

Olha como ele anda

Conforme mencionamos acima, o Onix 2020 é um projeto completamente novo da Chevrolet. O automóvel passou por muitas transformações para chegar no patamar em que está sendo vendido atualmente. A mudança mais latente, no nosso entendimento, vai para o motor: o Ecotec 1.0 Turbo de 116 cv de potência e 16,8 kgfm de torque. Ao turbinar seu motor de um litro, a GM deixou o Onix muito mais ligeiro e com arrancadas divertidas e eficientes para o uso urbano, já que o torque entrega a potência do motor em baixas rotações. Para quem está acostumado com o trânsito de São Paulo e outras metrópoles, um veículo ligeiro para curtas distâncias é fundamental.

Ainda no campo da eficiência, o Ecotec 1.0 Turbo é muito econômico. Em nossos testes ele marcou média de 9.6 km/l no etanol no circuito urbano e 12 km/l na estrada.

O Onix Plus tem porte de sedã médio (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

O ponto negativo, porém, fica para as retomadas, algo que já é conhecido de outros motores que fazem uso do downsizing, ou seja, a técnica de diminuir o motor e turbiná-lo. Quando já estamos com o carro em movimento e com o propulsor "cheio", a combinação com o câmbio automático de seis marchas reage lentamente quando queremos acelerar no meio do percurso. Por vezes, chegamos a pisar fundo e sentir como se o pedal fosse em falso, até que o carro respondesse por completo. Para solucionar isso, a Chevrolet poderia colocar paddle shifts no volante para que diminuíssemos a marcha se necessário.

Vale lembrar, contudo, que há uma versão do Onix 2020 com este powertrain acoplado a um câmbio manual, o que, a princípio, deve resolver essa questão.

Pode chamar de Mini-Cruze? Pode

Ao olhar para o Onix 2020, vem à mente, quase que de maneira imediata, a lembrança do Cruze, o sedã/hatch médio da Chevrolet, principalmente na versão que testamos, o Onix Plus (sedã). Mas não é só na aparência que o compacto se assemelha ao seu irmão maior.

O Onix 2020 vem recheado de tecnologia, quebrando, mais uma vez, paradigmas dentro de sua categoria e trazendo itens vistos somente em carros mais caros. Logo de cara, podemos ver que a nova versão do My Link, o sistema multimídia da Chevrolet, está mais responsivo, com melhor resolução e mais completo. O espelhamento com os celulares iOS e Android continua perfeito e mais informações foram adicionadas ao sistema, como o pacote de serviços OnStar, exclusivo da GM, e também o controle da climatização do carro. Além disso, é possível parear dois celulares ao mesmo tempo com a nova central e carregar mais um aparelho por meio do carregamento sem fio que fica em um compartimento no painel.

A nova geração do My Link a coloca como a central multimídia mais completa do mercado (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

E por falar em OnStar, o serviço funciona de maneira impecável. Para que o leitor entenda, o OnStar é, basicamente, um anjo da guarda dentro do carro. Ao conectar com a central, é possível obter informações de rota, chamar resgate em caso de acidente ou, em casos mais curiosos, apenas bater um papo com a/o atendente para não pegar no sono em viagens.

Outra novidade que estreia com o Onix 2020 é o myChevrolet App. Ele permite maior interação entre o usuário e o veículo. Pelo aplicativo é possível consultar informações do computador de bordo, entre elas o nível de combustível, a vida útil do óleo, o hodômetro e a pressão individualizada dos pneus. Dá para consultar até se há informações de recall.

Pelo myChevrolet App o usuário tem acesso a diversas funcionalidades, como a que proporciona relatórios por viagem, por dia, semana ou mês quanto a forma de condução para quem deseja se aprimorar ao volante e dirigir de forma mais eficiente. Funções do veículo também podem ser comandados por smart watch.

O sistema OnStar é o anjo da guarda dos donos do Onix (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Isso tudo, porém, pode ser, de certa maneira, ofuscado pelo principal avanço dentro do pacote tecnológico deste carro: o Wi-Fi nativo. O serviço, que é oferecido em parceria com a Claro, foi lançado inicialmente na versão Premier do Cruze e agora faz sua estreia no segmento inferior com o Onix.

O Wi-Fi do Onix 2020 é capaz de suportar até seis smartphones com velocidade de conexão muito boa. Em nossos testes, foi possível assistir a filmes da Netflix ou vídeos grandes do YouTube sem o menor problema, tanto na cidade quanto na estrada. Essa conexão também permite que a GM atualize o carro over the air, ou seja, sem a necessidade de uma conexão externa ou com cabeamento.

Pode parecer perfumaria, mas não é

Ainda tem mais. A versão Premier do Onix 2020 traz mais itens tecnológicos que estão estreando no seu segmento. A começar pelo mais importante deles: o alerta de ponto cego. Graças aos sensores traseiros e a uma antena, o carro detecta ultrapassagens por trás emitindo um som e um alerta luminoso no retrovisor. Durante os testes, essa feature nos ajudou um bocado, sobretudo em trajetos de vias expressas.

O carregamento por indução é uma das novidades do painel do Onix 2020 (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Outro item muito interessante inserido no pacote Premier foi o Park Assist. Isso mesmo, o Onix estaciona praticamente sozinho. Muitas pessoas não consideram este sistema imprescindível, mas é de se elogiar que um carro de R$ 75 mil tenha este mimo, mesmo não sendo dos mais precisos do mercado. O Park Assist do Onix 2020 pode estacionar em vagas paralelas e perpendiculares com um simples apertar de botão. A única coisa que o motorista tem que fazer, é engatar as marchas solicitadas pelo sistema.

Completam a "perfumaria" o sensor crepuscular, luzes diurnas, ar-condicionado digital, partida acionada por botão e sensores dianteiros e traseiros de estacionamento.

Nem tudo é perfeito

Se há algo no campo tecnológico do Onix 2020 que desagrada é o seu cluster principal. A tela que exibe informações importantes como consumo, autonomia e velocidade é muito pequena e com resolução simplória demais, remetendo aos minigames dos anos 90. Para um veículo com tantos equipamentos de ponta, falhas como essa precisam ser ressaltadas, pois usuários mais exigentes certamente vão reclamar.

Segurança 5 estrelas

Um dos pecados do primeiro Onix foi a segurança. A nota zero nos testes de impacto da LatiNCap não impactaram em suas vendas, mas certamente deixaram os consumidores mais alertas. Isso, porém, foi resolvido no novo Onix, desde sua versão de entrada. Isso porque o automóvel vem, de série, com seis airbags e controles de estabilidade e tração.

O novo Onix é mais seguro, mas falta um certo requinte (Foto: Matheus Argentoni/Canaltech)

Assistente de partida em rampa, sistema de monitoramento da pressão dos pneus, sistemas Isofix e Top Tether para ancoramento de cadeirinhas infantis e alerta de não afivelamento dos cintos incrementam a lista de itens de série.

Ainda é um Onix

Apesar de todas as melhorias fazerem com que ele se aproximasse do Cruze, este carro ainda é um Onix. Seu requinte limitado, isolamento acústico deficitário e o acabamento simples demais entregam que o carro é mesmo um compacto. Apesar de ter ganhado sete centímetros de entre-eixos e 22 centímetros de comprimento, o conforto para o motorista e passageiros deixa um pouco a desejar, principalmente se levarmos em conta o acerto da suspensão, que parece ter piorado com relação ao anterior.

A traseira do Onix Plus lembra mais o Cruze do que o Cobalt/ Imagem: Matheus Argentoni/ Canaltech

A explicação para termos um carro mais "firme" se deve à tentativa - válida, por sinal - da Chevrolet em dar mais esportividade ao veículo, mas isso cobrou o seu preço, tornando o Onix um pouco duro e não sendo capaz de levar de vencida as combalidas ruas de São Paulo.

Em contrapartida, a dirigibilidade do automóvel está impecável, com uma direção elétrica das mais bem calibradas do mercado e um raio de ataque que lhe proporciona curvas precisas e agressivas.

Evoluir para liderar

O desafio da Chevrolet com a nova geração do Onix é enorme. Como modificar seu principal produto para fazer com que ele se mantenha na liderança do mercado? Instalar um motor moderno, recheá-lo de itens tecnológicos de última geração e fazer com que seu design seja mais atraente foi a receita encontrada pela montadora para tentar manter o Onix no topo.

Durante nossos testes, foi possível notar que todas as decisões que a Chevrolet tomou com relação a este veículo foram acertadas. Apesar das ressalvas, que são perfeitamente compreensíveis - afinal, o projeto é completamente novo -, o Onix 2020, tanto em sua versão sedã quanto em sua versão hatch, tendem a dominar o mercado por muito tempo ainda.

Esta análise foi feita com um Onix Plus Premier gentilmente cedido pela General Motors do Brasil ao Canaltech.


Fonte: Canaltech

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