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Análise | Oddworld: Soulstorm é um excelente misto entre novidade e passado

Wagner Wakka
·7 minuto de leitura

Oddworld é uma franquia já bastante conhecida de quem joga no PlayStation. Desde 1997, a desenvolvedora Oddworld Inhabitants vive de recriar e lançar novos títulos da série já nos seus 24 anos de existência.

Por isso, não é de se espantar com o fato de que Soulstorm seja tão bem polido e testado. Estamos falando daqueles títulos que têm anos e anos de testes, experimentação, aprimoramentos de motor gráfico, resultando neste excelente polimento. Uma joia, por anos, lapidada.

A franquia é baseada em um universo focado no planeta de Oddworld, dez vezes maior que a Terra com escassez de água, na qual há predominância de seres que querem explorar outros. No caso estamos falando dos pacíficos Mudokons sendo escravizados e presos pelos Glukkons.

A série derrapou para conseguir novos seguidores, ficando entre 2005 e 2014 em um ostracismo, sem nem um lançamento para chamar de seu. Foi há cinco anos que a Oddworld Inhabitants trouxe a franquia de volta. Literalmente de volta.

Em 2014, ela apresentou Oddworld: New 'n' Tasty!, um remake do primeiro jogo da série Oddworld: Abe's Oddysee, lançado lá em 1997. O retorno reimaginado da série fez sucesso e ofereceu a oportunidade para a companhia em seguir adiante.

Assim, Soulstorm é também um remake (ou melhor, uma reimaginação, como a empresa gosta de falar) de Oddworld: Abe's Exoddus, o segundo da série. O título oferece a mesma narrativa, porém com gameplay pouco parecida à versão de 1998. Uma reimaginação, aliás, muito maior e robusta que a original. Abe’s Exoddus tem quatro horas em média de duração, enquanto Soulstorm cobra do jogador umas 14 horas para ser finalizado.

Colado no tempo e espaço da vida da Oddworld Inhabitants, agora é possível descrever o que, de fato, é Soulstorm.

Ouroborus

O que os desenvolvedores fazem com Oddworld: Soulstorm pode ser descrito pela metáfora da Ouruborus, a cobra que morde o próprio rabo. Entre as muitas simbologias que esta figura representa, interessa aqui a do tempo, a de que passado e futuro uma hora se encontram.

Soulstorm está exatamente nesta junção entre um lembrete de um jogo antigo, daqueles que vinham nas revistas sobre PC, com a qualidade gráfica e criatividade que se espera de um título moderno. Nada mais justo, já que estamos falando de um remake.

Lá de trás, ele rememora a figura dos Mudokons, alienígenas que bem lembram personagens oriundos de filmes como Marte Ataca ou Homens de Preto. Na trama, Abe, diante do trope do escolhido, aparece como a figura messiânica que vai enfrentar os inimigos e libertar outros Mudokons escravizados neste infernal mundo de Oddworld.

<em>Abe é o personagem que vai libertar os Mudokons (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)</em>
Abe é o personagem que vai libertar os Mudokons (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Outro elemento que acende a fagulha nostálgica do passado é a movimentação em 2D. Tal qual games da época, como o elementar Prince of Persia de 1989, há certa burocracia nas ações. Por exemplo, para evitar barulhos, Abe pode andar devagar até a ponta de uma plataforma, agachar, segurar na beirada e, então, descer. O simples pulo para o abismo pode resultar em morte.

Entretanto, estamos falando aqui do ponto de encontro entre passado e presente. Embora a movimentação tenha seus momentos burocráticos, na maior parte das vezes, ela é feita para ser veloz.

Isso porque Soultorm também quer que você jogue e rejogue as fases buscando ser mais rápido. O game tem um sistema chamado “streamer” que mostra quantas mortes você teve na fase, além de trazer um contador de tempo. Apesar do nome, também vai funcionar para quem gosta de uma boa speedrun.

2 em 1

A atualização de Soulstorm em relação ao seu irmão original lá de 1998 também está na quantidade de possibilidades que o jogo apresenta entre as fases. Aqui, a Oddworld Interactive lança mão da escola Nintendo de fazer fases. Assim, apresenta uma nova mecânica super criativa e interessante, que você vai usar por uma ou duas fases e que será esquecida lá na frente.

É constante o frescor que o jogo oferece ao somar cada vez mais diferentes elementos, além de mesclar todas as possibilidades. Um exemplo ilustrativo está bem no início. O jogador aprende a usar uma espécie de telepatia para controlar os Glukkons pela fase. Porém, no momento seguinte, já há uma máquina que elimina essa possibilidade e é preciso testar outra estratégia, jogando umas garrafas inflamáveis nos inimigos. O terceiro cenário é já uma mistura destes dois elementos.

<em>Jogador tem diferentes formas de lidar com o inimigo (Foto:Wagner Wakka/Canaltech)</em>
Jogador tem diferentes formas de lidar com o inimigo (Foto:Wagner Wakka/Canaltech)

Estamos falando aqui de mais de 10 horas de looping de gameplay que apresenta uma boa novidade cada 30 minutos mais ou menos. Algo louvável que raros games conseguem fazer.

O que permite este tipo de criatividade elevada é que Soulstorm é, na verdade, dois games em um. Em se tratando de uma reimaginação da versão de 1998, o jogo se aproveita de muitas das mecânicas, ideias e designs já testadas no original. Assim, há espaço para que novas propostas sejam colocadas na mesa, elevando a barra para acima da média.

Em conclusão, espere de Soulstorm uma boa sequência de novidades, com ritmo gostoso e bastante diferença a cada fase.

Cenário

A ambientação já era bastante impressionante na versão de 1998. A companhia já usava de cenários pré-renderizados que permitiam um bom equilíbrio entre sombras e nitidez, oferecendo certo “realismo” dentro da imaginação do mundo. É diante de uma técnica parecida que Soulstorm se permite também ser tão impressionante.

Os desenvolvedores trabalham com o conceito de 2.5D. Isso quer dizer que a movimentação ainda é lateral, como em um jogo bidimensional. Entretanto, há efeitos de profundidade, principalmente quando o Abe segue em uma curva.

<em>Jogo traz profundidade pelo mapa (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)</em>
Jogo traz profundidade pelo mapa (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Este efeito também colabora para mostrar ao jogador que o plano de fundo não é apenas um cenário acessório para que acontece na parte da frente da tela, mas também compõe a fase. Assim, se há um inimigo de arma lá no fundo, é preciso ficar de olho, pois ele pode atirar com precisão em Abe aqui no primeiro plano.

Outra boa experiência que a Oddworld Interactive traz lá da versão de 1998 é o conhecimento de reduzir para explorar mais do mundo. Oddworld: Abe's Exoddus foi lançado em máquinas que não tinham o potencial para gráficos realistas, assim, os ambientem pré-renderizados trouxeram tal veracidade, como já dito antes.

Ao manter os mapas complexos, mas ainda enxutos, a desenvolvedora consegue explorar muito mais a qualidade gráfica, detalhes e animações de todos os personagens. É por isso que Soulstorm traz um mundo lindo e cutscenes que não parece distintas dos momentos de gameplay. Em um mundo aberto ou fases mais longas isso não seria possível. Eles souberam equilibrar muito bem o tamanho das fases e mapas para preencher o cenário com maestria mantendo a fluidez do título.

Não à-toa, Soulstorm é um dos games ofertados sem custo adicional para quem assina a PlayStation Plus. Ele é um jogo que, embora simples, explora muito bem os componentes gráficos de um hardware. Mesmo no PC (versão testada pelo Canaltech) o jogo é extremamente fluído, com loadings bastante rápidos (até mesmo usando um HD) e qualidade gráfica excepcional.

Com isso, é possível cravar com facilidade que os amantes da série vão conseguir ter um misto daquele sentimento de 1998, com melhorias muito bem-vindas aqui. O nível de dificuldade ainda se mantém lá em cima, com uma frequência suficiente de pontos de salvamento pelo mapa.

<em>Diferentes puzzles oferecem uma dose de dificuldade (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)</em>
Diferentes puzzles oferecem uma dose de dificuldade (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

A quem ainda não experimentou Oddworld, Soulstorm pode ser uma boa porta de entrada. Traz fluidez, personagens incríveis, uma ambientação curiosa e bastante criatividade.

Oddworld Soulstorm foi desenvolvido pela Oddworld Inhabitants, Sabotage Studio, Just Add Water, Frima Studio e Fat Kraken Studios. Ele está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5 e PC, via Epic Games Store.

Vale lembrar que é um dos jogos gratuitos para assinantes da PlayStation Plus no PlayStation 5 até 3 de maio.

Esta análise foi realizada com uma cópia do jogo para PC cedida pela desenvolvedora.

Fonte: Canaltech

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