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Análise: IBC-Br no 3º tri é consistente com ritmo gradual de expansão do PIB

Sergio Lamucci

O crescimento do indicador, porém, não deve aparecer no PIB do período de julho a setembro O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou uma alta forte no terceiro trimestre, de 0,91% em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal. Um crescimento dessa magnitude, porém, não deve aparecer no PIB do período de julho a setembro – a maior parte dos analistas aposta num número na casa de 0,4%, a mesma registrada no segundo trimestre.

Calculados por metodologias diferentes, o IBC-Br e o PIB têm exibido comportamentos bastante distintos na variação ante o trimestre imediatamente anterior. No segundo trimestre, por exemplo, o indicador do BC recuou 0,1% na comparação com o primeiro, enquanto o PIB cresceu 0,4%.

Em relatório, o diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, diz que o resultado do IBC-Br “parece consistente com uma expansão do PIB de 0,4% a 0,5% no terceiro trimestre”. Ramos já definiu o indicador do IBC-Br como uma “aproximação imperfeita” do PIB. O número do terceiro trimestre será anunciado em 3 de dezembro pelo IBGE.

O economista-chefe da corretora Tullett Prebon, Fernando Montero, destaca que todos os indicadores do terceiro trimestre cresceram e deixaram herança estatística positiva para o quarto. Serviços e comércio tiveram desempenho melhor que a indústria, que ainda mostra resultados fracos.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

De julho a setembro, o varejo ampliado, que inclui veículos, autopeças e material de construção, cresceu 1,4% em relação aos três meses anteriores, deixando uma herança estatística de 0,66% para o quarto trimestre. Isso significa que, se o indicador não crescer nada até o fim do ano, terá expansão de 0,66% nos três últimos meses de 2019. Já a indústria avançou 0,3% no terceiro trimestre, deixando um carregamento de 0,61% para o quarto.

Os indicadores do terceiro trimestre confirmam a retomada gradual da atividade econômica, puxada pelo consumo das famílias. A expansão do crédito, a queda dos juros e a liberação dos recursos do FGTS devem levar à aceleração do ritmo de crescimento no quarto trimestre. Com isso, o crescimento do PIB em 2019 deve encerrar o ano na casa de 1%. Para 2020, a expectativa dominante é que a economia ganhe tração, fechando o ano que vem com expansão de cerca de 2%.