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Análise | Crash Bandicoot 4 é delicioso e terrível ao mesmo tempo

Felipe Ribeiro
·7 minutos de leitura

Desde o lançamento dos remakes de seus jogos clássicos, os fãs de Crash Bandicoot sabiam que precisavam de mais. Um jogo feito do zero e pronto para aliar o que a franquia tinha de melhor, que era seu desafio na jogabilidade e o carisma dos personagens, com elementos mais modernos e inovações na progressão das fases.

Em Crash Bandicoot 4: It's About Time (CB4), a Activision conseguiu reunir tudo isso e nos brindou com um jogo absurdamente divertido, desafiador e que, apesar da imensa dificuldade e das inúmeras vezes em que se morre dentro do game, não dá vontade de parar de jogar. O enredo, que funciona mais como um plano de fundo do que um fio condutor, é bem feito e ajuda na imersão dentro da proposta do jogo, que é mesmo de ser um passatempo moderno.

Se você já estiver jogando CB4, lembre-se: você não é ruim, o jogo é que é difícil mesmo. Mas se não jogou, prepare-se, pois ao mesmo tempo em que ele é delicioso, pode ser terrivelmente cruel.

(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Marsupial poderoso

Antes da jogatina começar, somos apresentados aos vilões da história, personagens que, certamente, enfrentaremos ao logo do jogo e que possuem habilidades bem específicas, que já podem ser detectadas logo nas primeiras cut scenes. Como se fosse uma espécie de deja vú, nos encontramos com o Dr. N. Cortex e seus generais, que, meio que sem querer, abriram diversas fendas no tempo-espaço e começaram a causar problemas em outras dimensões.

Arkano dá novos poderes a Crash e Coco/ (Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
Arkano dá novos poderes a Crash e Coco/ (Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Enquanto isso, Crash e Coco são alertados sobre esses problemas e o sossego dos nossos heróis acaba ali. Hora de fechar fenda por fenda passando por mundos extremamente complexos e cheios de desafios. Eles, claro, não farão isso sozinhos e, no decorrer do game, teremos a ajuda de personagens bem-queridos da franquia, como Cortex, Dingodile e Tawna.

Cada mundo dentro do mapa de Crash 4 possui características próprias e jeitos diferentes de serem encaradas. Para tal, Crash e Coco precisarão das quatro máscaras quânticas que, entre outras coisas, darão poderes especiais aos marsupiais para que possam superar os obstáculos encontrados nas fases.

A primeira a ser localizada é Lani-Loni, que elimina objetos e inimigos a um toque de botão. O uso dessa máscara, porém, é o mais "perigoso", pois pode te matar muito, mas muito fácil. Depois é a vez de encontrarmos Arkano, que dá aos marsupiais um super giro com uma magia roxa, extremamente útil contra determinados inimigos. Depois é a vez de Kapuna-Wa, a máscara capaz de desacelerar o tempo e, por fim, Ika-Ika, que pode ser utilizada para controlar a gravidade.

Mas, não se engane: essas máscaras não irão diminuir muito sua média de mortes.

Isso porque Crash Bandicoot 4 não faz questão alguma de mudar as mecânicas que víamos nos jogos dos anos 90. Ainda é muito complicado jogar um game da franquia, sobretudo na hora de pular em determinadas partes dos cenários. Os controles são precisos, é verdade, mas ainda sim muito sensíveis, então, quando você achar que está tudo sob controle, pode apostar que nem sempre estará.

Com as máscaras e alguns acréscimos dentro das técnicas de progressão, como pulos e corridas nas paredes, deslizamentos e muitas bombas, CB4, apesar de remeter aos jogos antigos, tem personalidade própria e traz desafios que conseguem aliar o antigo e o moderno em um só game.

Modos de jogo

A progressão na campanha principal de Crash Bandicoot 4 pode ser feita de duas formas iniciais: Moderna e Retrô. Na moderna, não temos limites de vidas e podemos ressuscitar quantas vezes forem necessárias. A título de curiosidade, a Activision colocou um contador logo acima da tela, o que nos deixa, em dados momentos, ainda mais irritados. Já no modo retrô temos que acumular vidas para poder seguir adiante. As caixas, diamantes e wumpa fruits seguem o padrão dos outros jogos.

(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Há também outros modos de se jogar a campanha principal, mas que são um tanto quanto inusitados e ainda mais complicados. A começar pelo modo invertido, em que somos colocados nas mesmas fases, só que com tudo ao contrário. Há, também, o modo contra o tempo, que privilegia a velocidade ao invés da colheita de itens.

Dentro dos mapas, também existem dois tipos de fases secundárias. A que somos apresentados primeiro é a de Níveis flashback. Neste modo, que mais parece um jogo dos anos 90, encaramos pequenos desafios e puzzles para acumular mais pontos e diamantes. Esses níveis são desbloqueados conforme você avança no jogo. O outro modo são as linhas do tempo. Neste, utilizamos Cortex, Dingodile e Tawna em fases próprias e igualmente complicadas.

Tem multiplayer

Uma das boas novidades de Crash Bandicoot 4: It's About Time são os modos para mais de um jogador. Existe um na campanha, bem a cara dos anos 1990, e outros que são feitos em formato de desafio. Na campanha é possível jogar no modo Pass N. Play, que é basicamente um "perdeu, passa o controle". O interessante, nesse caso, é que além de ter uma ajudinha na progressão, dá para saber quem dos jogadores foi o melhor.

(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Já quando vamos para o Bandicoot Battle, tudo fica mais simples, porém igualmente divertido. Aqui podemos competir na Checkpoint Race e Crate Combo. Na corrida, você e seus amigos precisam avançar entre checkpoints o mais rápido possível, coletando caixas que ajudam a parar o tempo; vence quem tiver o menos tempo, claro. Já no Crate Combo ganha quem coletar mais caixas de frutas wumpa.

Tecnicamente bem feito

Na parte técnica, Crash Bandicoot 4 não faz feio, mas poderia ser um pouco melhor. Apesar de, in game, os gráficos serem bem trabalhados, com boa riqueza de detalhes, o mesmo não se pode dizer das cut scenes, que parecem não ter tido o mesmo esmero. A ambientação é primorosa e nos remete não apenas aos jogos antigos de Crash, mas, em dados momentos, nos faz lembrar, também de Donkey Kong: Country. Quem é dessa época vai, com certeza, ter essa sensação.

(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)
(Captura de Tela: Felipe Ribeiro/ Canaltech)

Outro ponto que pode ser considerado primoroso em Crash 4 é a dublagem dos personagens falantes. Apesar das dificuldades que os estúdios tiveram devido à pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), os artistas brasileiros conseguiram trazer um trabalho impecável no game.

A Activision não informou os números de resolução e taxa de quadros por segundo no Xbox One X, mas o jogo, ao que tudo indica, parecia rodar em 60 FPS, sem maiores problemas. Nas cut scenes, porém, havia uma sensação mais embaçada, que deve ser corrigida com patches. A empresa também não informou se o jogo está confirmado para os Xbox Series X e S e o PlayStation 5.

Deliciosamente terrível

Crash Bandicoot 4: It's About Time nos entrega o que há de melhor no gênero plataforma, mesmo em 2020. O game consegue aliar o desafio dos anos 90 com novas mecânicas e poderes para Crash e Coco, mas com identidade própria.

Com gráficos incríveis, ambientação primorosa e muito cuidado com a retratação dos personagens secundários, o jogo encerra a atual geração de consoles com um trabalho muito qualificado e que pode ter ainda mais melhorias com a chegada dos novos consoles.

A variedade no conteúdo e as inúmeras possibilidades de se enfrentar as fases garantem horas e horas de diversão, mas também de muita raiva. Crash Bandicoot 4, assim como os demais jogos da franquia, são deliciosos e terríveis ao mesmo tempo.

Crash Bandicoot 4: It's About Time está disponível para Xbox One e PlayStation 4 em formato digital. No Canaltech, o jogo foi testado no Xbox One X com cópia gentilmente cedida pela Activision.

Fonte: Canaltech

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