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Brasil encara ameaça de estagflação "light"

Jamie McGeever
·4 minuto de leitura
Inflação é um dos temas mais preocupantes da situação econômica atual
Inflação é um dos temas mais preocupantes da situação econômica atual
  • Muitos economistas avaliam que a inflação vai superar 7% em breve

  • O desemprego, por sua vez, subiu acima de 14%

  • O temor também é que o presidente Bolsonaro "fure" o teto de gastos

Por Jamie McGeever 

  BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil caminha para a "estagflação" à medida que a economia cambaleia à beira da recessão e a inflação dispara acima da meta oficial para o ano, deixando o Banco Central (BC) em uma posição cada vez mais difícil. 

  Como a autoridade monetária pode lidar com as pressões sobre os preços sem causar danos adicionais a uma economia devastada por uma das epidemias de Covid-19 mais letais do mundo? 

  "Em parte isso está ocorrendo no Brasil porque os custos de produção mais altos estão pressionando a inflação e afetando a atividade econômica", disse Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos e ex-integrante da equipe de Paulo Guedes no Ministério da Economia. 

  Como muitos, Megale acredita que o BC manterá a inflação sob controle e que qualquer surto de estagflação será relativamente brando. 

  Mas ele reconhece o risco potencial de a alta da inflação alimentar expectativas futuras, especialmente em uma economia com um histórico de inflação elevada, onde contratos e acordos indexados ainda têm preponderância. 

 O BC elevou a taxa básica de juros da economia no mês passado pela primeira vez em seis anos, para 2,75%, de uma mínima recorde de 2,00%, e indicou a intenção de promover nova alta de 0,75 ponto percentual em maio. 

  Com a inflação em 12 meses agora em 6,1%, bem acima da meta central de 3,75% para o ano, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a ideia é antecipar o aperto para manter as expectativas para 2022 e além sob controle e evitar assim aumentos acentuados da Selic. 

  Muitos economistas avaliam que a inflação vai superar 7% em breve. O real acumula queda de quase 10% este ano após recuo de 25% no ano passado, enquanto dados do índice de gerentes de compras do IHS Markit mostram que os custos de insumos em manufatura e serviços são os mais elevados desde o início da série, em 2007. 

  A perspectiva fiscal, com o presidente Jair Bolsonaro ainda não tendo sancionado o Orçamento de 2021 e o governo potencialmente a caminho de romper sua regra do "teto de gastos" neste ano, também estão alimentando temores de inflação. 

  RECESSÃO? 

  "O Brasil parece particularmente vulnerável a um aumento maior e mais persistente da inflação... dadas as dinâmicas instáveis na economia, nas políticas públicas e na política", escreveram economistas do Goldman Sachs em relatório, citando a taxa de câmbio, o grau de ancoragem das expectativas de inflação e as políticas de curto prazo. 

  Ainda que o BC esteja aumentando o custo dos empréstimos, o juro real está em -3,35%, menor nível em mais de 20 anos. 

  Campos Neto tem defendido reiteradamente a postura de "normalização parcial" da autarquia. "Precisamos mexer na taxa, mas ainda estar em terreno estimulativo", afirmou na terça-feira. 

  Isso se deve em grande parte ao fato de as perspectivas de crescimento de curto prazo estarem se deteriorando, conforme a pandemia não dá sinais de retração e as obstruções fiscais e políticas em Brasília contribuem para minar a confiança de empresários, consumidores e investidores. 

 O desemprego, por sua vez, subiu acima de 14% e pode em breve superar o recorde histórico de 14,6%, alcançado em 2020. 

  É provável que essas dinâmicas persistam pelos próximos meses antes de as vacinações em massa ajudarem a economia a se recuperar no segundo semestre do ano, quando os choques nos preços das commodities e nas taxas de câmbio podem também começar a perder força. 

  Economistas do BNP Paribas projetaram nesta semana uma recessão técnica, vendo a economia encolher 0,7% no primeiro trimestre e 1,3% no segundo. 

  Mas como muitos de seus colegas, Gustavo Arruda, chefe de pesquisa para América Latina do BNP Paribas, está confiante de que a estagflação do Brasil será amena e de curta duração —muito longe da combinação de choque de preços de energia e espiral de aumento de salários que arruinou muitas economias importantes na década de 1970. 

  "A política monetária não correrá o risco de permitir que as expectativas de inflação tornem-se desancoradas", disse Arruda.