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Análise | 9 Monkeys of Shaolin é um ode à cultura oriental

Matheus Bigogno Costa
·6 minuto de leitura

Streets of Rage, Final Fight e Battletoads são alguns dos exemplos mais clássicos que você pode encontrar quando se trata de beat ‘em ups. Estes títulos foram responsáveis por definir o gênero nas décadas de 1980 e 1990 e por muito tempo essas franquias ficaram congeladas no tempo, embora não tenham saído da memória dos jogadores mais saudosistas.

Em 2020, algumas delas conseguiram retornar, como Streets of Rage 4 e até mesmo Battletoads. E é seguindo essa onda de novos beat ‘em ups que nos deparamos com 9 Monkeys of Shaolin.

O mais novo título do Sobaka Studio traz consigo uma nova experiência do gênero, com golpes característicos do Kung Fu alinhados de forma harmônica com elementos da cultura oriental presentes no século XVI.

A vingança nunca é plena

9 Monkeys of Shaolin não possui uma história absurdamente elaborada. Pelo contrário, ela segue de forma padronizada com os elementos da jornada do herói, mas, em momento algum, isso interfere na forma como os personagens são desenvolvidos ao longo do jogo.

Nosso protagonista se chama Wei Cheng e vive em uma vila de pescadores com seu avô após seus pais terem sido assassinados por um grupo de piratas. O jogo começa com Wei vendo seu vilarejo ser novamente invadido e incendiado pelos piratas Wokou. Como se a situação não pudesse piorar, seu avô tentou lutar bravamente contra o líder dos inimigos, mas acabou sendo morto na batalha.

Acompanhe a história de Wei Cheng em busca de vingança (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Acompanhe a história de Wei Cheng em busca de vingança (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

Usando as habilidades de luta que aprendeu com seu avô, o nosso protagonista decide se vingar lutando contra o líder dos Wokou, mas falha miseravelmente no processo. Por sorte, ele é encontrado por um dos monges Shaolin que chegaram tarde demais para salvar a vila.

Ainda com sede de vingança, Wei Cheng pede ajuda aos monges para desenvolver suas habilidades de luta e rastrear o líder do grupo responsável por matar sua família. No entanto, com o passar da história, nosso herói acaba descobrindo que os Wokou são muito mais perigosos do que aparentam e decide ajudar os monges Shaolin a detê-los a qualquer custo.

Seja um Shaolin

O game segue basicamente a fórmula de qualquer beat ‘em up: a maioria dos cenários são lineares, contendo uma série de inimigos que você deve derrotar para poder prosseguir. Ele possui controles bem simples, embora você tenha muito mais opções de golpes do que um beat ‘em up clássico. Além disso, você também possui o Qi, que é obtido em combate e pode ser utilizado para realizar ataques e habilidades especiais.

Utilize suas habilidades para criar combos usando vários golpes de Kung Fu (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Utilize suas habilidades para criar combos usando vários golpes de Kung Fu (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

A curva de aprendizado do game não é das melhores: é um pouco difícil dominar todos os golpes disponíveis e acertar o timing de cada um deles, mas, quando você aprende, as fases acabam se tornando um pouco monótonas. No entanto, isso acaba sendo amenizado à medida que você vai ganhando novas armas e itens, que interferem em dano sofrido ou causado nos inimigos.

Para cada nova missão realizada, o jogador recebe pontos para gastar na árvore de habilidades, que possui 9 categorias e ajuda a dar uma dinâmica melhor para os golpes de Wei Cheng. Um ponto interessante do gameplay é que é possível revisitar as missões para conseguir mais pontos de habilitadas para deixar Cheng um verdadeiro guerreiro Shaolin.

Ao fzer as missões da história, você ganha pontos para aprimorar a sua árvore de habilidades (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Ao fzer as missões da história, você ganha pontos para aprimorar a sua árvore de habilidades (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

É perigoso ir sozinho

Apesar de contar a história de Wei Cheng, 9 Monkeys of Shaolin consegue introduzir a mecânica de coop local ou online, o que torna as coisas um pouco mais interessantes. Com este modo, fica muito mais divertido revisitar algumas fases com um amigo para conseguir mais pontos de habilidade, que passam a ser compartilhados. Apesar disso, as árvores de habilidades não são compartilhadas, então cada jogador pode escolher habilidades e atributos diferentes.

Online ou offline, o coop é uma das melhores experiências da 9 Monkeys of Shaolin (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Online ou offline, o coop é uma das melhores experiências da 9 Monkeys of Shaolin (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

Talvez a única desvantagem do modo coop seja não poder ativar um controle e jogar dentro da própria fase, como um jogo arcade. Em vez disso, é preciso voltar ao hub circular para, aí sim, ativar o modo coop.

9 Monkeys of Shaolin e a cultura oriental

Um dos grandes destaques de 9 Monkeys of Shaolin é revisitar a estética chinesa do século XVI, período governado pela dinastia Ming, que foi responsável por reconciliar toda a tradição chinesa, construir uma vasta frota marítima e militar e ainda construiu a famosa Muralha da China.

Focado em um período histórico tão importante para a China, o game também decide revisitar e beber a essência de filmes de Kung Fu da década de 1970, que ficaram conhecidos por retratar bastante a cultura Shaolin. Estes monges eram responsáveis por gerir templos budistas, mas também dedicavam todo o seu tempo a realizar intensos treinamentos de luta e meditação para fortalecer o corpo e a mente.

A cultura chinesa não é a única presente no game. Até as máscaras dos vilões possuem significado, sendo baseadas no teatro japonês, conhecido como Noh, criado no século XIV. Vendo por esse lado, o game não se torna apenas uma homenagem às artes marciais, mas à cultura oriental como um todo, onde cada elemento é bem colocado, casando a estética com a história.

As máscaras de todos os vilões foram inspiradas em máscaras do teatro japonês do século XIV (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
As máscaras de todos os vilões foram inspiradas em máscaras do teatro japonês do século XIV (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

Embora o mundo do jogo tente aderir a eventos e lugares reais, ele não é somente isso. 9 Monkeys of Shaolin também aborda temas como magia e elementos fantasiosos, seguindo no gênero chinês conhecido como Wuxia, que geralmente conta histórias envolvendo heróis das artes marciais.

E aí, vale a pena?

9 Monkeys of Shaolin utiliza todo o poder de processamento que a Unreal Engine 4 tem a oferecer, porém, ainda assim é possível sentir alguns problemas no fluxo do gameplay e na iluminação dos cenários. Alguns cenários parecem muito mais escuros do que deveriam ser, escondendo itens coletáveis, e isso gera uma sensação de que "algo está sendo deixado para trás".

Infelizmente, os cenários de 9 Monkeys of Shaolin são muito escuros (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)
Infelizmente, os cenários de 9 Monkeys of Shaolin são muito escuros (Imagem: Matheus Bigogno/Canaltech)

As mecânicas são absolutamente bem implementadas, e, quando você pega o jeito dos golpes, combar se torna algo extremamente satisfatório. Por outro lado, chega um ponto que o jogo acaba se tornando um pouco monótono, mas a experiência melhora quando você revisita algumas fases com um amigo, em coop.

Infelizmente o jogo é curto, sendo composto de cinco capítulos e 25 fases. É possível revisitá-las para conseguir mais pontos de habilidade, porém os níveis são muito curtos, fazendo com que o tempo de jogo para completar a história seja de 5 a 6 horas. Para os que buscam troféus, a experiência pode ir para 12 horas ou mais, mas, ainda assim, é curto.

Fato é que 9 Monkeys of Shaolin não cria nada novo, ele apenas utiliza o gênero beat ‘em up para fazer um ode à cultura oriental, enaltecendo as artes marciais, todo o cenário e a cultura da dinastia Ming, com pitadas do teatro japonês. Para os saudosistas, pode ser uma nova experiência; para aqueles que são novos no gênero, pode ser uma opção interessante como porta de entrada.

9 Monkeys of Shaolin está disponível para Xbox One, PlayStation 4, PC e Nintendo Switch. No Canaltech, o jogo foi analisado no PlayStation 4 com uma cópia gentilmente cedida pela Deep Silver.

Fonte: Canaltech

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