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Amostras da Chang'e 5 trazem novas perguntas sobre a atividade vulcânica na Lua

·3 min de leitura

No final do ano passado, a missão chinesa Chang’e 5 coletou 1,7 kg de poeira e rochas da região de Oceanus Procellarum, na Lua, e trouxe o material para a Terra. Agora, novas análises do material confirmam que houve atividade vulcânica em nosso satélite natural em um período posterior àquele que se considerava antes — e, apesar de responderem algumas perguntas, trazem outras relacionadas ao que manteve a atividade vulcânica em uma etapa mais tardia do passado lunar.

Desde que chegaram, as amostras foram processadas, catalogadas e seguem sendo examinadas por equipes variadas de cientistas que trabalham para descobrir o que o material nos diz sobre a Lua e sobre o passado do Sistema Solar. Em um artigo publicado em outubro, pesquisadores analisaram uma parte das amostras e descobriram que aquelas rochas tinham idade de 1,97 bilhão de anos, o que já indicava que a atividade vulcânica lunar teria durado por mais tempo do que se imaginava. Já a nova análise datou amostras diferentes em 2,03 bilhões de anos — idade bem próxima, geologicamente falando, da determinada nas amostras estudadas em outubro.

Fragmento de rocha lunar coletada pela Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/CNSA/GRAS/NAOC)
Fragmento de rocha lunar coletada pela Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/CNSA/GRAS/NAOC)

As idades das duas amostras lunares confirmam que a atividade vulcânica dessa região ocorreu cerca de um bilhão de anos após o fim da atividade geológica nas áreas em que as missões Apollo e Luna coletaram amostras, o que indica aos cientistas o que pode haver na camada lunar abaixo da crosta. Para James Head, autor do primeiro artigo, os resultados mostram que o manto precisou de calor interno suficiente há 2 bilhões de anos para continuar derretendo seu material e seguir produzindo basaltos. Contudo, o que ainda não se sabe é o porquê de esta região da Lua ter ficado ativa em um período relativamente tardio da história lunar.

Teorias anteriores sugeriram haver elementos na região que teriam ajudado a produzir o calor necessário para possibilitar uma atividade vulcânica mais tardia. Por outro lado, os dois novos artigos analisaram a composição de parte das amostras da Chang’e 5 e descobriram quantidades moderadas desses elementos, sugerindo que os materiais não seriam necessários para o vulcanismo que criou as rochas. Para completar o mistério, uma equipe de pesquisadores analisou composições de isótopos de hidrogênio na rocha e concluiu haver baixas quantidades de água, sendo que, se houvesse mais água, o ponto de fusão das rochas teria sido reduzido e, assim, facilitaria a atividade vulcânica.

Entretanto, os autores notaram que as rochas são desidratadas, ou seja, a água abundante no manto lunar não explica o vulcanismo ocorrido no passado. Joshua Snape, cientista planetário da University of Manchester, sugere que talvez seja o momento de considerar “se o calor de marés, causado pela compressão e extensão vindas das interações gravitacionais entre a Terra, a Lua e o Sol, podem ser um fator de maior peso do que se pensava”.

Felizmente, essas incertezas mostram que as amostras obtidas pela Chang’e 5 vêm ajudando no entendimento do nosso satélite natural. “Como no caso das pesquisas científicas, isso revela uma grande amplitude de ‘lacunas de conhecimento’ e gera um grande número de perguntas pendentes”, afirmou Head.

Os novos artigos foram publicados na revista Nature e podem ser acessados clicando aqui e aqui.

Fonte: Canaltech

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